Saiba como tratar a fimose em meninos e meninas

Daniel Navas

Conheça todos os detalhes do tratamento da fimose. Problema de excesso de pele no órgão genital é mais comum em meninos, mas também pode ocorrer em bebês do sexo feminino

O tratamento da fimose deve ser feita logo nos primeiros anos de vida da criança.


Bastante comum entre os meninos, a fimose masculina nada mais é do que o estreitamento do prepúcio, a parte final da pele no pênis que cobre a glande. “Aproximadamente 96% dos recém-nascidos do sexo masculino apresentam o prepúcio grudado à glande, ou seja, é normal esperar que todos os bebês nasçam com a chamada fimose fisiológica”, afirma Rafael Forti Maschietto, cirurgião pediátrico do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

Com o crescimento do bebê, a abertura dessa fimose ocorre naturalmente. Por volta dos 3 ou 4 anos de vida do bebê, o prepúcio torna-se retrátil em 90% dos casos. “Se não houver essa abertura natural com o crescimento da criança, a fimose, que antes era considerada normal para a idade, torna-se uma patologia e passa a se chamar fimose verdadeira”, esclarece Maschietto.

O tratamento da fimose para os pequenos

A pele retraída da criança pode ser tratada a partir do primeiro ano de idade com o uso de cremes à base de corticosteroides ao longo de 3 a 4 meses. De acordo com Sylvio Luiz Furtado, pediatra do Hospital Quinta D’Or, 90% dos casos são resolvidos dessa maneira.

“Nos meninos que têm indicação cirúrgica, o procedimento realizado (chamado postectomia) é simples: no hospital, com anestesia e, geralmente, o paciente recebe alta no mesmo dia”, conta Furtado.

E sobre o melhor momento para tratar a fimose verdadeira, o pediatra adianta que o ideal é antes dos 7 anos, já que a partir dessa idade o menino começa a ter mais "relação" com o pênis.

“O procedimento realizado na adolescência ou vida adulta normalmente é pior e pode ser traumático, devido à dor causada pelas ereções espontâneas, quando a ferida ainda é recente”, acrescenta.

O cuidado tardio

Além disso, quando a fimose não é tratada cedo, pode atrapalhar a vida sexual do homem, já que existem grandes chances de causar dor durante a ereção.

“Alguns casos mais severos impossibilitam completamente o sexo devido a dor. Também existe a chance de adquirir a parafimose, que é quando o orifício do prepúcio é tão estreito que acaba estrangulando a glande e pode causar danos irreversíveis”, alerta Furtado.

Sem esquecer que a cirurgia da fimose realizada em recém-nascidos diminui o risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV e HPV, além de prevenir infecções do trato urinário e o desenvolvimento de câncer peniano.

O procedimento nas meninas

Popularmente conhecida como fimose feminina, na verdade, deve ser chamada de sinéquia de pequenos lábios, que é uma fusão entre os pequenos lábios da vagina. “Ela pode ser completa (quando a abertura da vagina está totalmente obstruída por essa junção) ou incompleta (quando a fusão é parcial)”, explica Maschietto.

Diferentemente do que acontece com a fimose masculina, a sinéquia de pequenos lábios é bem menos comum (atinge cerca de 3% das meninas até os 2 anos de idade) e não é algo fisiológico e sim patológico. As principais causas são:

  • infecções repetidas no local;
  • trauma na região;
  • dermatite, comumente observada pelo de uso de fraldas descartáveis.

Essa disfunção deve ser sempre acompanhada pelo pediatra, pois pode necessitar de tratamento. A terapia começa aos 12 meses, com uma pomada de estrógeno.

"Caso isso não faça efeito, é indicada uma pequena cirurgia, a qual é muito simples, podendo até mesmo ser feita em consultório, com anestesia local”, conta Nelson Douglas Ejzenbaum, médico pediatra, neonatologista, homeopata infantil e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Quanto mais cedo, melhor

Assim como nos meninos, o não tratamento nas meninas, ainda quando bebês, pode trazer alguns problemas na vida adulta. Entre elas, a dificuldade na vida sexual e o acúmulo de sangue da menstruação, causando muito desconforto.

“Alguns casos só são descobertos nesse momento da adolescência, quando começam os ciclos menstruais, que acabam sendo muito dolorosos pela retenção do sangue”, aponta Sylvio Furtado. Por isso, pais e mães, observem sempre os seus filhos para saber se está indo tudo bem com a evolução deles. 

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