Morte súbita em bebês: veja as causas e os cuidados para evitar o problema

Ana Paula Cardoso

Médicos esclarecem ainda que o problema ocorre durante o sono mas não é preciso entrar em pânico: a morte súbita não é muito comum no Brasil

Morte súbita acontece quando o bebê falece sem motivo aparente durante o sono.


A Síndrome da Morte Súbita em Lactentes (SMSL), também conhecida como Síndrome da Morte Súbita da Infância (SMSI) ou Morte do Berço, é caracterizada pela morte inesperada do bebê com meno de 12 meses. O problema ocorre em geral durante sono, sem evidências claras ou causas específicas - e costuma causar pânico entre pais de recém nascidos. Mas especialistas orientam: é possível evitá-lo.

Segundo o Dr. Jofre Cabral, diretor clínico da UTI Neonatal da Maternidade Perinatal, os casos de morte súbita são mais comum em climas frios e quando os bebês são expostos ao tabaco - depois que nascem ou mesmo antes, durante a gestação.

O problema acontece geralmente com bebês colocados para dormir de bruços, principalmente antes dos 6 meses de vida. "Também são mais frequentes quando os recém-nascidos são colocados para dormir junto com os pais ou com objetos (bichinhos, cobertas, entre outros)", explica Dr. Jofre Cabral.

As principais causas da morte súbita

Muitos estudos clínicos têm sido realizados para tentar reconhecer as possíveis causas da morte súbita de recém-nascidos. Segundo a Dra. Jaqueline Serra Brand, neonatologista e médica da UTI Neonatal do Hospital Caxias D'Or, a teoria mais aceita  atualmente é a que defende que o problema ocorra pela imaturidade do sistema nervoso central dos bebês.

Este estágio não desenvolvido do sistema neural poderia alterar as seguintes funções do organismo do bebê:

  • mecanismo de despertar e do sono;
  • padrão respiratório;
  • controle dos batimentos cardíacos;
  • temperatura corporal.

"Essas alterações, associadas a um ambiente 'não favorável' para o bebê, como dormir em decúbito ventral (de barriga para baixo) ambiente quente ou bebês com excesso de roupas, além de tabagismo materno durante a gestação ou após o parto, estão entre as causas mais comuns de morte súbita", completa a Dra. Jaqueline Serra Brand.

A morte súbita em bebês é mais frequente em bebês que nasceram prematuros. São mais propensos a sofrerem morte súbita:

  • os bebês que nascem com menos de 37 semanas de gestação;
  • os bebês de baixo peso - menos de 2,5kg;
  • dos casos acima, a maioria são meninos (50% dos casos);
  • filhos de mães adolescentes (abaixo de 20 anos);
  • bebês com desordens genéticas e problemas cardíacos. 

"Não existe uma explicação do porquê a morte súbita ser mais frequente em prematuros. Especula-se imaturidade neurológica no controle da respiração e mais de baixo peso", complementa do Dr. Jofre Cabral.

Para evitar a morte súbita, sem pânico

Segundo os especialistas, infelizmente não existem exames a serem feitos que possam antecipar o problema, seja na gestação ou após o nascimento. O médico da Perinatal reforça, porém, que os pais podem ficar tranquilos. "Não precisa ter pânico... não é frequente em nosso país. É importante a prevenção, com algumas medidas simples", orienta o especialista.

Para tirar todas as dúvidas, os pais devem conversar com o pediatra, manter o calendário de vacinação em dia e seguir, rigorosamente, as medidas de segurança recomendadas, como os exemplos a seguir:

  • nunca deitar o bebê de bruços antes dos seis meses;
  • não colocar cobertores e objetos (bichinhos) no berço; 
  • evitar travesseiros ou colchões fofos; 
  • não usar protetores de berço;
  • evitar exposição ao fumo. 

Após os seis meses, quando a criança sozinha muda de decúbito, não é preciso colocá-la mais de barriga para cima. "Nessa fase, o bebê tem um controle melhor da cabeça, sem risco de alteração na respiração. Mas antes, mesmo a criança com refluxo deve ser colocada para dormir de barriga para cima", diz o Dr. Jofre Cabral. 

"O risco de morte súbita é muito pequeno, apenas mais um dos riscos que seu filho estará sujeito ao longo da vida. E lembro ainda que a SMSI não é um sinal de negligência dos pais", ratifica a neonatologista do Hospital Caxias D'Or.

Copyright foto: iStock

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