Icterícia em recém-nascidos: conheça as causas e tratamentos

Etiene Resende

Quadro clínico é considerado normal na maioria dos casos, mas em algumas situações a icterícia pode trazer riscos para o bebê

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Icterícia pode ser sintoma também de algumas doenças mais graves. © iStockphoto/plepann


Alguns recém-nascidos apresentam uma coloração amarelada na pele e nos olhos, características que indicam a presença da chamada icterícia. Trata-se de um quadro clínico que, na maioria das vezes, é tido como um processo normal após o nascimento do bebê.

A Revista da Mulher procurou ajuda de uma especialista para explicar melhor o que vem a ser esse quadro inesperado que assusta algumas mamães. “A icterícia em recém-nascidos ocorre pelo fato de que o sangue do bebé contém níveis excessivos da substância bilirrubina – chamada hiperbilirrubinemia, que é um pigmento de cor amarela derivado dos glóbulos vermelhos do sangue”, explica o pediatra Anderson da Silva Coutinho.

Somente em alguns casos mais graves a hiperbilirrubinemia deixa de ser um fenômeno normal e transitório e passa a ser um problema. Isso acontece quando a quantidade de bilirrubina no sangue se torna muito elevada, chegando a níveis tóxicos para o sistema nervoso central do bebê.

Causas da icterícia

Tendo em vista que a icterícia é causada pela bilirrubina, é preciso entender como é produzido este pigmento amarelado. Na composição do nosso sangue estão presentes as hemácias, que são os glóbulos vermelhos, com tempo médio de vida de aproximadamente 120 dias. Assim, milhões de hemácias velhas são destruídas diariamente no baço, liberando, entre outras substâncias, a bilirrubina.

Uma parte dessa substância vai para o intestino, sendo eliminada pelas fezes, outra é filtrada nos rins, sendo descartada na urina, enquanto outra pequena parte cai na corrente sanguínea. É quando os níveis desta substância no sangue estão elevadas é que se tem a icterícia, explicando o tom amarelado da pele.

Icterícia em recém-nascidos

No caso dos bebês, costuma ser um quadro transitório e sem sequelas em recém-nascidos, atingindo cerca de 50% dos que nascem com mais de 38 semanas, enquanto nos prematuros os números chegam a 83%. Um dos motivos é o fato de que as hemácias de recém-nascidos têm vida média mais curta, sendo de 80 dias em média.

Além disso, a proporção de hemácias no sangue dos bebês é bem maior do que a de um adulto, ficando na média em 60%, enquanto do adulto é de 40%. “Vale lembrar também que o fato de o fígado do recém-nascido ser ainda muito imaturo, com pouca capacidade de conjugação e excreção de bilirrubina, contribui para a elevação dos níveis desta substância no sangue”, diz o Dr. silva Coutinho.

Identificando a icterícia nos bebês

O principal sintoma é mesmo a coloração amarelada da pele e dos olhos do bebê, sendo facilmente identificável. Os médicos conseguem diagnosticar rapidamente o quadro ao pressionar a testa ou o nariz do bebê. Caso ele esteja com icterícia, o local ficará amarelado, enquanto em bebês sem o quadro a região ficará esbranquiçada.

Na maioria dos casos o que se tem é a chamada icterícia fisiológica, que é considerada como normal e que tem início por volta do 3º dia de vida e desaparece naturalmente até a segunda semana. No caso de bebê prematuro, o tempo de permanência pode ser um pouco maior.

Porém, nem todos os casos são normais e necessitam de maior atenção. “Os pais e médicos devem ficar atentos aos casos em que tiver início nas primeiras 24 horas de vida do bebê ou demorar um período acima de 2 semanas para desaparecer (exceto em prematuros)”, destaca o pediatra.

O especialista explica que, nestes casos, a icterícia pode estar ligada a outras doenças, entre elas:

  • infecções;
  • hemorragia interna;
  • deficiência de enzimas;
  • anormalidades de eritrócitos;
  • funcionamento hepático insuficiente;
  • hemólise (destruição anormal das hemácias);
  • problemas do fígado ou das vias biliares;

Outros tipos de icterícia

  • Icterícia do leite materno – É quando o bebê apresenta icterícia relacionada com a amamentação. Especialistas acreditam que pode estar relacionada com as características químicas do leite de determinadas mães, mas não se sabe exatamente a causa.
  • Icterícia da amamentação insuficiente – Surge nos casos em que o bebê não está sendo amamentado de maneira correta ou suficiente, recebendo assim uma quantidade de calorias inferior ao necessário.
  • Kernicterus – É uma lesão permanente no cérebro provocada por intoxicação pela bilirrubina (nível no sangue acima dos 25 mg/dl), apresentando sintomas como sonolência, diminuição do tônus muscular e recusa alimentar, espasmos, choro inconsolável, vômitos e febre.

Tratamento

Na maioria dos casos a icterícia desaparece naturalmente. Somente em casos mais graves algum tratamento será indicado pelo médico (quando os níveis estão acima de 18 mg/dL a partir do 3º dia, ou acima de 12 mg/dl nas primeiras 24 horas).

Normalmente, o tratamento mais indicado para a icterícia neonatal é por meio da fototerapia, que possibilita a redução dos níveis de bilirrubina. Nela o recém-nascido é colocado em uma estufa com luz azul fluorescente, que leva à quebra das moléculas de bilirrubina que estão depositadas na pele e facilita sua excreção na urina e nas fezes.

“A fototerapia é um procedimento extremamente seguro, com eficácia comprovada há mais de 30 anos”, reforça o Dr. Coutinho. Nos casos em que a icterícia é causada por outras doenças, o médico deverá buscar tratamento específico para tratá-las.

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