Colar de âmbar: o acessório é realmente benéfico para bebês?

Fernanda Lima

Mães defendem que o acessório, que possui propriedades analgésicas, relaxantes e anti-inflamatórias, pode aliviar dor de dente em bebês

Saiba mais sobre o uso do colar de âmbar em bebês. © iStockphoto.com/DebHallPhotos21

 

O colar de âmbar é um acessório muito utilizado pelas mães para aliviar dores e desconfortos que ocorrem na fase em que os dentes do bebê começam a nascer. Ainda pouco divulgado no Brasil, o colar é popular em países europeus e nos Estados Unidos.

O âmbar, material que compõe o colar, é uma resina vegetal cristalizada, rica em ácido succínico, que possui propriedades analgésicas, relaxantes e anti-inflamatórias.

Quem é adepto ao uso do colar acredita que, quando há o contato do âmbar com a pele do bebê, a resina é aquecida e suas substâncias benéficas liberadas, minimizando o mal estar, o inchaço da gengiva e a dor. Algumas mães também usam a peça para aumentar a imunidade dos pequenos.

A eficácia do colar de âmbar é comprovada?

Existe uma grande polêmica em torno da eficácia do uso do colar de âmbar em bebês. Segundo o Dr Carlo Crivellaro, pediatra, não existe nenhuma comprovação de que o acessório possa, de fato, trazer benefícios para os bebês.

Primeiro, o médico explica detalhadamente os supostos benefícios do acessório. Teoricamente, pequenas quantidades de ácido succínico seriam liberadas pelo colar em contato com a pele do bebê. Para que haja resultado, a substância seria absorvida pela pele, cairia na circulação sanguínea e chegaria até o seu local de ação, seja a gengiva ou o sistema nervoso central, causando diminuição do desconforto.

“Porém, se este ácido fosse realmente tão eficiente, será que nenhum laboratório já não teria estudado a substância e lançado algum medicamento com ela? Neste caso saberíamos exatamente a dose adequada, o melhor meio de administração e os efeitos colaterais do excesso da substância”, questiona o especialista.

A falta de resultados também é um problema. “Não foram feitos testes comparando bebês que receberam a substância com bebês que receberam placebo”, pontua.

Driblando imitações

Outro problema destacado pelo pediatra é que nem todo o colar de âmbar vendido no mercado é, de fato, o acessório original. Um teste rápido para descobrir se o âmbar é verdadeiro é tocar a peça, que deve ficar morna (se for de vidro, por exemplo, você a sentirá fria).

Outra opção para comprovar a autenticidade é colocar duas gotas de acetona (ou álcool) em uma das contas do colar. Se a cor for alterada, ou a peça ficar mais pegajosa, não é âmbar. Outra dica é dissolver um pouco de sal em duas medidas de água e colocar o colar lá dentro.  Se ele boiar, é verdadeiro.

Há riscos para o bebê?

Apesar das mães elogiarem a eficácia do colar de âmbar, o acessório também não é visto com bons olhos pela Associação Brasileira de Odontopediatria, que tem como posicionamento oficial a não recomendação do colar de âmbar durante a fase de dentição.

Um dos motivos é o risco de asfixia e estrangulamento. “Bebês não deve usar nenhum tipo de colar, principalmente para dormir. Existem relatos de morte de bebês, o risco é real”, completa o Dr Crivellaro.

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