Saiba o que é o método BLW e aprenda a alimentar o bebê sem papinha

Ana Paula Cardoso

Proposta do método BLW é estimular a mastigação já a partir dos 6 meses de vida. Conheça as vantagens e desvantagens

O método BLW incentiva a mastigação na alimentação dos bebês a partir de 6 meses. © iStockphoto.com/M-image


Após o desmame, a próxima etapa da alimentação dos filhos já vira motivo preocupações dos pais. A tradicional papinha, no entanto, não é a única forma de alimentar os pequenos.  Ao menos é o que defende o Baby Led Weaning (BLW).

Para quem não conhece, trata-se de um método que visa à introdução dos alimentos sólidos na alimentação do bebê, por volta dos 6 meses. Pois é quando o bebê já adquiriu habilidades motoras como sentar sem apoio, levar objetos à boca com as mãos e demonstrar interesse no que os adultos comem. Estas premissas básicas indicam que os bebês estão mais preparados para lidar com alimentos que exigem a mastigação.

Segundo a Dra. Maria Julia Carvalho, pediatra e plantonista do hospital infantil Sabara, uma das maiores vantagens desse tipo de alimentação infantil é estimular a mastigação, que  desenvolve os músculos faciais que serão utilizados na aprendizagem da fala.

Através  do método BLW, o bebê também começa a se socializar, fazendo  as refeições junto com a família, sentado na sua cadeira especial de refeições (cadeirão). A comida é oferecida picada, em formas e tamanhos que eles sejam capazes de segurá-la com as mãos e levá-la à boca.

“O bebê come sem uso de colheres e fica sentado no seu cadeirão, estimulando a refeição em família. Assim, a criança vai comer o que quiser e na velocidade que quiser, sem pressão por parte dos pais”,  explica a Dra Maria Júlia.

Orientações para adotar o método BLW

De acordo  com a pediatra, uma dúvida comum entre os pais é sobre o risco de engasgo. Ele assegura, porém, que contanto o bebê esteja sentado, ereto e mantenha controle sobre o que entra na sua boca, não existe risco aumentado de engasgar com o BLW. A médica usa o termo "risco aumentado", porque o bebê pode engasgar com qualquer tipo de alimento.

“Até mesmo com o leite o bebê pode engasgar. Por isso, por mais autonomia que o método  BLW dê para a criança, é importante que os pais estejam sempre observando a alimentação dos pequenos. Quando o bebê come mais do que consegue de engolir, ele é capaz de se desengasgar  sozinho”, explica a pediatra.

É importante não se apavorar e esperar o bebê cuspir o que o atrapalhou. Para minimizar o risco de engasgo, é importante manter a criança sempre sentada e apoiado na cadeirinha na posição vertical. Isso garante que algum alimento que ele não seja capaz ou não queira engolir seja expelido.

Para introduzir esta forma de alimentação com segurança, é preciso também estar atento a como o filho se desenvolve. “A criança adquire as capacidades motoras e neurológicas gradualmente, ou seja, o bebê consegue comer tudo que ele consegue pegar com a mão”, reforça  a Dra. Maria Júlia.

Em outras palavras, a  habilidade em pegar e mastigar os alimentos, bem como a sua aceitação é o parâmetro para mostrar sua capacidade em comê-los. E é isso que conta na hora de introduzir o método BLW. Mas, a médica faz um alerta: como capacidade de realizar a pinça só aparece por volta dos 9 meses, não é indicado nesse primeiro momento oferecer grãos.

Os prós e contras do método BLW

A pedido d’A Revista da Mulher, a pediatra  Dra. Maria Júlia Carvalho listou uma série de prós e contras a respeito do método BLW.  Veja a seguir.

As maiores vantagens do método são:

  •  Incentivo à mastigação, importante no desenvolvimento motor da criança.;
  • Estímulo à autonomia e coordenação motora;
  • Possibilidade da criança descobrir cada sabor e discriminar frutas e legumes. “Com o alimento picado, a criança desenvolve o paladar, sente o gosto, a consistência e outros detalhes que não seriam possíveis em uma papinha”, explica a Dra. Maria Júlia;
  • Sem ser batido ou triturado no liquidificador, o alimento mantém propriedades importantes, como as fibras;
  • Como o bebê come devagar, aprendendo aos poucos a mastigar sua comida, eles desenvolveriam mais cedo a capacidade de regular o próprio apetite e identificar o momento que estão satisfeitos. “Consequentemente há diminuição do risco de obesidade no futuro”, indica a médica;
  • Permite ao bebe interagir com outras pessoas durante a refeição e estimula as habilidades sociais;
  • Pode facilitar a vida dos pais que podem comer junto com a criança, tornando a introdução da alimentação complementar menos estressante para a família.

As possíveis desvantagens seriam:

  • Como a criança escolhe o que e o quanto come, é comum ingerirem quantidades pequenas até 8,9 meses. Assim, o bebê core o risco de não comer a quantidade necessária para seu crescimento. Por isso, é necessário um cardápio variado, com itens de cada grupo alimentar;
  • No começo a criança fará bastante bagunça e é normal que a comida caia no chão. Além disso, antes  de colocar o alimento na boca, ele vai explorar, jogar, amassar para depois comer. Ou seja, é bem possível que a criança tenha que tomar banho após todas as refeições.  “Uma dica é forrar o chão onde você colocará a cadeira, com um plástico. Assim, fica mais fácil recolher a sujeira”, diz a pediatra

Outras dicas da pediatra sobre o método BLW

A pediatra e plantonista na unidade de internação do hospital infantil Sabara e na UPA do Einstein de Perdizes também acrescenta algumas dicas preciosas aos pais que têm a intenção de adotar o método BLW. E reforça que o pediatra que acompanha o bebê deve sempre ser consultado. 

Para os pais, é importante observar o seguinte:

  • É extremamente importante que o bebê seja capaz de se sentar sozinho, segurar objetos e levar à boca por própria conta. Se ele não consegue fazer isso sozinho, provavelmente não está pronto iniciar o método BLW de forma segura. 
  •  Nunca abra a boca da criança à força, não a force engolir a comida, não engane ou distraia para colocar comida na boca. No início, é esperado que a criança brinque mais com os alimentos do que coma. Jamais o obrigue a comer, com prêmios, elogios, promessas ou distrações, muito menos com gritos, castigos ou ameaças; 
  •  Não se deve apressar o bebê. Deixe que ele leve o tempo necessário para terminar de comer. Para evitar o estresse, escolha uma hora em que não esteja irritado ou com muita fome;
  •  Limpe bem o cadeirão antes e depois das refeições. Pode-se dispor os alimento direto na mesinha.  Os mesmos princípios de uma alimentação saudável para crianças são aplicados aos bebês no BLW. Ou seja, açúcar, fast-food e  industrializados devem ser evitados

“Finalmente, é importante ressaltar que não há uma única forma de alimentação infantil. Nada impede que as duas formas de introdução aos sólidos sejam testadas pelos pais, a fim de identificar com qual delas cada criança se adapta melhor”, completa a pediatra.

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