Roséola: entenda a febre alta que afeta os bebês e assusta os pais

Ana Paula Cardoso

Conheça os sintomas, as causas e os tratamentos, além de dicas para lidar com o distúrbio sem entrar em pânico

Roséola é uma doença que atinge bebês, assusta os pais, mas não é grave. © iStockphoto.com/ Aynur_sib


A roséola, ou exantema súbito, é uma doença infecciosa viral comum na infância, caracterizada por febre e erupções cutâneas, que atinge, especialmente os bebês de 6 meses até 24 meses. 

Apesar de trazer grande preocupação aos pais, por conta da febre alta, trata-se de uma doença sem grande gravidade. "A roséola é considerada uma doença benigna, que raramente provoca complicações e que se cura sozinha, sem necessidade de tratamento", informa a Dra. Maria Julia Carvalho, pediatra e plantonista do Hospital Infantil Sabara. 

De acordo com a Dra. Maria Júlia, a doença causa febre repentina, que pode variar de 38 a 42 graus, e contínua, com duração de 3 a 4 dias. Da mesma forma que começa subitamente, há desaparecimento imediato da febre assim que aparecem as manchas na pele. 

O exantema costuma começar no tronco e costas, podendo se espalhar para rosto, pescoço e extremidades. As manchas desaparecem em até 3 dias, em média. 

Causas e prevenção da roséola

A doença é causada por um vírus, o mesmo vírus do herpes humano (tipo 6 ou menos comumente o herpes tipo 7). "Não há vacina para prevenir a doença até o momento. A transmissão se dá de pessoa para pessoa, através do contato com secreções respiratórias, principalmente pela saliva", conta a Dra. Maria Júlia.

A médica reforça ainda que espirros, tosse, beijos e contato com brinquedos, que vão à boca e são compartilhados com outras crianças, são fontes potenciais de contaminação. 

"O contágio geralmente ocorre em bebês que frequentam os mesmos ambientes como nas creches ou por contato com um portador, mesmo que não esteja com os sintomas da doença. Conter a transmissão em escolas e creches é mais difícil já que muitos objetos são compartilhados e crianças pequenas levam tudo à boca", diz a pediatra.
     
De forma geral, assim como é indicado no caso de outras viroses, é preciso adotar bons hábitos de higiene, como a higienização das mãos, utensílios de uso pessoal e brinquedos com álcool gel ou água e sabão e evitar contato do bebê com pessoas que sabidamente estejam com a doença. 

Como diagnosticar a roséola

As lesões são habitualmente compostas por múltiplas pequenas manchas avermelhadas, com 0,5 cm, que podem ser planas ou com discreto relevo. Normalmente não causam coceira ou incômodo ao bebê. 

Menos comumente a criança também pode apresentar:

  • dor de garganta;
  • sintomas respiratórios leves;
  • irritabilidade;
  • diminuição do apetite;
  • linfonodomegalia cervical;
  • diarreia leve.

No entanto, esses outros sintomas são mais raros. Geralmente as crianças ficam em bom estado, exceto pela febre e as manchas. O diagnóstico é difícil de se estabelecer, pois os sintomas são os mesmo que outras infecções virais.

"O diagnóstico definitivo só pode ser feito quando as lesões de pele aparecem. Sendo assim, até lá, temos uma criança pequena com febre alta e ausência de sintomas que sugiram alguma outra doença. Por conta disso, muitas vezes o pediatra orienta colher exames de urina e as vezes de sangue", indica a médica do Hospital Infantil Sabara.

De acordo com a  Dra. Maria Júlia, por precaução, é sempre bom conversar com o pediatra de confiança que poderá indicar a melhor conduta para cada caso e orientar a necessidade de coleta de exames.
    
"A roséola cura-se espontaneamente, sem provocar complicações na maioria dos casos. Em algumas crianças, porém, a febre pode desencadear episódios de crise convulsiva. Apesar de ser um quadro bastante assustador para os pais, as crises são autolimitadas e não provocam sequelas neurológicas", tranquiliza a Dra. Maria Júlia.

Tratamento da doença

Como a imensa maioria das doenças virais, não há tratamento específico contra o agente causador da roséola. "É importante manter a criança confortável e em repouso. Deve-se também dar bastante líquido, principalmente na fase febril, para evitar desidratação", orienta a médica.

A pediatra também lembra que podem ser administrados antitérmicos, se a febre estiver muito alta ou a criança se sentir incomodada. As manchas na pele se resolvem espontaneamente, sem necessidade de medicação.

"O afastamento da escolinha também é recomendado visto que é uma doença bastante contagiosa", completa a Dra. Maria Júlia. Outro ponto lembrado pela especialista: como praticamente todos os adultos são imunes à doença, em princípio não há risco da gestante ser exposta ao vírus. 

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