Pequeno guia da amamentação: o essencial para as mães que desejam aleitar

Ana Paula Cardoso

Especialista esclarece e dá dicas reais sobre o que é ou não recomendado no processo de aleitamento materno

A amamentação é um momento de integração entre mãe e filho que não deve trazer angústias. © iStocjphoto.com/fizkes


Considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o alimento mais completo para o desenvolvimento do bebê, a amamentação ainda gera angústia nas mães de recém-nascidos.

Seja por não conseguir amamentar seu bebê, seja por insegurança sobre se o leite do peito está realmente nutrindo a  criança, as incertezas não combinam com a paz e o relaxamento que o momento exige. 

Em meio a tantas informações nem sempre precisas, A Revista da Mulher convidou Graziela Abdalla, coordenadora de enfermagem do Grupo Perinatal e responsável por auxiliar as mães durante esse período, para esclarecer desde dúvidas simples até as mais complexas.

Guia prático da amamentação

A seguir, as dicas da especialista da Perinatal, em formato de perguntas e respostas:

Como deve ser a acomodação da mãe durante a amamentação?

Para facilitar o manejo da amamentação, o conforto da mãe e do bebê é muito importante! Uma poltrona de braço faz com que o posicionamento do bebê seja adequado e assim contribua para uma pega ao seio adequada. 

Como saber se o bebê mamou?

Na maioria das vezes, o bebê solta o seio, fica com o tônus muscular amolecido, queixo e língua trêmulos. Mas, o mais importante, é avaliar se a ingestão de leite é adequada. "Para isso é importante saber se o bebê faz pelo menos seis fraldas sujas de xixi em 24 horas. Assim, os pais tem o parâmetro de saber quando intervir", completa Graziela. 

Qual é a importância da bomba de ordenha?

A bomba de ordenha é importante quando a puérpera (mãe) está em apojadura (descida do leite), pois neste momento a mulher está produzindo um volume de leite acima da demanda do bebê e a tendência é acumular leite no seio por uns 5 dias aproximadamente.

"Esse acúmulo leva ao ingurgitamento (mama empedrada), que se não for tratado, causa dor e desconforto, sendo necessária a retirada do excesso de leite. O uso da bomba pode auxiliar neste processo, porém deve-se limitar a utilização a no máximo 15 minutos por mama, em cada ordenha, para evitar a estimulação excessiva", explica a enfermeira.

Além disso, pode ser utilizada para uma retirada de leite no momento de ausência materna.

Conchas de amamentação são recomendadas?

As conchas de amamentação têm risco elevado de auxiliar na proliferação de fungo, que facilmente é transmitido entre a mãe e o bebê. "A contaminação por fungo é frequente e por este motivo o tratamento é demorado. A mulher com fungo sente dor ao amamentar e ainda tem muita dificuldade na cicatrização de feridas", explica a coordenadora de enfermagem da Perinatal.

Além disso,  uso de conchas de amamentação principalmente no período noturno pode levar a bloqueio de ductos, por garrotear os ductos de saída de leite (amassar a aréola) e assim impedir o fluxo de leite, podendo levar a um ingurgitamento, dor ou mesmo a uma mastite.

Já o uso dos protetores de algodão não são contraindicados, porém, devem ser trocados a cada mamada devido ao risco da umidade auxiliar na proliferação de fungo. 

Amamentar sempre causa dor? 

A amamentação com uma pega correta não causa dor. Conhecer e executar uma pega adequada impede o aparecimento da dor e faz com que a amamentação seja muito mais feliz.

Para amamentar na rua, quais são os conselhos?

Para amamentar na rua deve-se eleger um local confortável, para um bom posicionamento e uma pega adequada. O que as outras pessoas devem é saber respeitar este momento, entendendo que é um direito da mãe e do bebê. 

Quais são os principais problemas nos seios da mulher nesta fase?

  • O empedramento. Surge quando há acúmulo de leite por algum motivo na mama. Esse acúmulo se deve por um cuidado inadequado na apojadura, por uso de compressas mornas ou frias, por bloqueio de ductos por uso excessivo de pomadas ou conchas de amamentação.  "É importante evitar o uso de artifícios para o aleitamento materno, adotar uma prática mais natural possível, manter as mamas sem acúmulo de leite, avaliando o seu aspecto e ordenhando sempre que for percebida as mamas mais endurecidas", diz a especialista.
  • Mastite. Quando há acúmulo de leite, as mamas ficam endurecidas porque o leite assume um aspecto mais gelatinoso, sendo necessária a massagem para que a gelatina de leite dissolva e seja possível fazer a ordenha. A mastite é uma infecção na mama que leva a uma inflamação, dor e dificuldade de amamentar.  "Acontece por ação de um microrganismo que vai causar todos os sinais e sintomas descritos. Para evita-la é importante manter as mamas sem ingurgitamentos e com saída constante de leite. Evitar usar produtos na mama sem a recomendação de um especialista", esclarece Graziela. 

É comum o sangramento? 

A mama pode sangrar por causa de uma lesão ocasionada por pega incorreta. Neste caso, é necessária a correção da pega para melhorar a lesão e parar a causa do sangramento. O rompimento de micro vasos na mama acaba misturando sangue com colostro. Nos dois casos não há contraindicação quanto ao aleitamento materno, ou seja, nenhum problema se o bebê ingerir sangue da mãe. A única diferença é que nos casos de lesão, a mulher sente dor.

Quais seriam os conselhos para uma mãe não desistir de amamentar seu filho, mesmo quando ela passa por adversidades?

"O meu conselho é que tudo passa. A paciência e amor que desenvolvemos quando temos um filho nos dá força para passarmos por adversidades. As dificuldades existem para que possamos aprender alguma coisa. Então a minha receita é ajuda, orientação e amor.", conclui Graziela Abdalla 

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