A importância do teste da orelhinha para os bebês

Daniel Navas

O teste da orelhinha, também chamado de triagem auditiva neonatal, é um procedimento fundamental para a detecção precoce da deficiência auditiva do recém-nascido

A principal finalidade do teste da orelhinha é detectar precocemente se o bebê tem pouca ou nenhuma audição. © iStockphoto.com/chameleonseye


Assim como o teste do pezinho, que detecta seis doenças graves no recém-nascido, também é realizado na maternidade o chamado teste da orelhinha. Chamado de triagem auditiva neonatal, é um procedimento fundamental para a detecção precoce da deficiência auditiva realizada nos primeiros dias de vida do bebê, preferencialmente, após 24 horas de vida.

Obrigatório por lei, o teste da orelhinha deve ser feito ainda na maternidade, ou até o primeiro mês de vida, nos bebês que nasceram fora de um serviço hospitalar.

“A principal finalidade é verificar se o bebê tem pouca ou nenhuma audição antes que ele chegue em idade fundamental para o desenvolvimento de sua percepção auditiva e de sua linguagem. Nesta fase da vida, a neonatal, é muito difícil diagnosticar surdez e esta tecnologia permite fazê-lo de forma mais eficaz e segura”, explica Clay Brites, neuropediatra do Instituto NeuroSaber, no Paraná.

Atenção aos dados

De acordo com a especialista, trabalhos e pesquisas têm mostrado que pacientes diagnosticados com algum problema de audição precocemente (antes de 1 ano de vida) apresentam – quando comparados aqueles com diagnóstico tardio – ganhos significativos em relação à fala, linguagem, rendimento escolar, autoestima e adaptação psicossocial.

A Academia Americana de Pediatria revela que a deficiência auditiva neurossensorial (permanente) atinge de 1 a 3 em cada 1000 recém-nascidos em berçário de baixo risco e de 2 a 4 bebês, em um grupo de 1000 nascimentos provenientes de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

“A prevalência de deficiência auditiva é vinte vezes maior que outras doenças como a fenilcetonúria ou hipotireoidismo (doenças detectadas co teste do pezinho) e sua identificação demanda um custo menor em relação às outras doenças”, analisa Flávia Salvaterra Cusin, fonoaudióloga do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Como funciona o procedimento

O teste da orelhinha é realizado preferencialmente com o bebê dormindo. “É um exame indolor e rápido. É colocado um microfone-sonda adaptado ao conduto auditivo do nenê e são apresentados estímulos auditivos, que geram uma resposta e o aparelho realiza uma análise estatística, apresentando um resultado que revela se a criança tem ou não algum problema de audição”, esclarece Flávia.

O resultado de falha (quando a bebê possui algum desvio auditivo) não significa necessariamente que o recém-nascido apresenta um comprometimento permanente de audição. No entanto, é necessário um retorno ambulatorial para reavaliação.

“No caso de falha no reteste, o bebê será encaminhado para avaliação audiológica completa, em que é solicitado outros exames para diagnóstico e, a partir da confirmação da perda auditiva através desses exames, é estabelecido o grau de perda auditiva e o tratamento adequado”, aponta a fonoaudióloga.

Causas dos problemas auditivos

De acordo com a Academia Americana de Pediatria, os principais motivos para que o bebê tenha falta de audição são:

  • história familiar de surdez congênita;
  • infecções congênitas, como toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus;
  • icterícia;
  • meningite;
  • hemorragia intraventricular (muito comum em recém-nascidos prematuros);
  • malformação da região do crânio e da face;
  • uso de medicamentos ototóxicos durante a gestação, como antibióticos para combate de bactérias (neomicina, amicacina e gentamicina);
  • peso de nascimento menor que 1500 g;
  • sífilis na gravidez.

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