Pancada na cabeça do bebê: saiba os riscos e os cuidados

Ana Paula Cardoso

Pensar que a cabeça dos bebês é mais resistente é um mito, dizem especialistas. É preciso ter cuidado em caso de traumas

Pais devem ficar atentos aos riscos de pancada na cabeça do bebê. © iStockphoto.com/Halfpoint


Os ossos do crânio dos recém-nascidos e dos bebês até 18 meses são muito frágeis e quanto lesionados por pancada na cabeça, dependendo da intensidade, podem até não fraturar, mas deformar-se. Para entender o tamanho do risco de uma pancada na cabeça do bebê, é preciso entender um pouco sobre a anatomia. 

"O que acontece é que há muito mito em torno das fontanelas (popularmente conhecida como moleira), principalmente em relação a sua fragilidade. Há um tecido fibroso entre os ossos do crânio que confere maior elasticidade para acomodar o crescimento cerebral (uma das funções da fontanela)", explica a Dra. Tatiana Russo, pediatra Soulleve

A médica reforça que, em traumas encefálicos em bebês, até um certo momento, há uma "acomodação" do trauma sem provocar um efeito compressivo no crânio do bebê, tolerando um leve aumento da pressão intracraniana. É isso que dá a sensação dos bebês serem “mais resistentes” a pancadas na cabeça 

Gravidade da pancada na cabeça do bebê

E é justamente essa elasticidade o fato que também dificulta a identificação de alguma lesão interna. Tudo dependerá da extensão da lesão, podendo tratar de uma possível emergência com consequentes sequelas neurológicas. 

"Além disso, abaixo de um ano de idade, o cérebro está em constante crescimento e desenvolvimento, o que também dá a falsa sensação de que algumas lesões nessa faixa etária possam ser reversíveis", explica o Dr. José Gonçalves Mataruna, pediatra e clínico geral.

Segundo o especialista, os traumatismos cranianos em bebês e crianças são muito comuns, sendo responsáveis por várias idas a hospitais e possíveis internações, mortes e sequelas neurológicas. As quedas são as causas mais comuns, seguidos de acidentes com veículos motorizados e violência. 

"Os bebês são mais suscetíveis a quedas, e devemos nos atentar quanto a
possibilidade de abusos e violência. É de extrema importância identificar essas crianças, mesmo que a lesão seja menor, para não correr o risco de sofrê-las novamente e expô-las ao risco de vida", completa o médico.

Primeiros socorros

Como proceder em caso de pancada na cabeça, dependerá tanto do mecanismo de trauma quanto do estado neurológico da criança. Nos traumas graves, a criança deve ser levada para um hospital de emergência por, de preferência, uma ambulância ou serviço especializado.

"Se o trauma for leve, a criança pode ser observada em casa, em especial nas primeiras 6 a 8 horas após o trauma, e nos sinais de gravidade ou qualquer dúvida criança deve ser levada a um pronto-socorro. Tratamento adjuvante como gelo no local da pancada, analgésicos e conforto psicológico são válidos", completa o Dr. Mataruna.

Os sinais de piora neurológica pós pancada na cabeça do bebê são:

  • estado mental anormal evidenciado pelos pais ou cuidadores (apreensão confusão ou perda da consciência);
  • o sono do bebê é um indicador^importante: atenção à sonolência excessiva, quando a criança não acorda ou tem dificuldade para acordar com estímulos sonoros, motores e dolorosos;
  • piora da dor de cabeça ou dor de cabeça grave constante, dois ou mais episódios de vômitos ou convulsões.

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