Dieta vegana: estilo de vida sem carne repudia qualquer tipo de exploração animal

Fernanda Lima

Ser vegan não se restringe apenas à mudanças no cardápio. Este estilo de vida também abre mão de cosméticos, produtos de limpeza ou vestuário que tenham usado testes em animais durante sua fabricação

Saiba mais sobre o estilo de vida e os benefícios do veganismo.

 

Quem decide se tornar vegetariano, se depara com outras vertentes da alimentação sem carne. Um exemplo é o veganismo (ou vegan), que não permite o consumo de nenhum tipo de derivado animal, como ovo ou laticínios.

Mas o veganismo está muito longe de ser definido apenas pelo cardápio. Criado em 1944, o termo vegan caracteriza um estilo de vida baseado em não explorar os animais, restringindo o uso de cosméticos, produtos de limpeza, vestuário, entretenimento, entre outros que tenham usado animais em testes durante sua fabricação.

De acordo com a nutricionista Ana Ceregatti, na alimentação vegana não há o consumo de todos os tipos de carnes, ovos, laticínios, mel e corantes que são produzidos através de uso de componentes animais. Sendo assim, o cardápio dos veganos prioriza cereais, frutas, legumes, vegetais, hortaliças, algas, cogumelos e até os populares alimentos industrializados vegan, que cada dia mais tem ganhado espaço nas prateleiras dos supermercados.     

Os prós e contras do veganismo

Entre os benefícios do veganismo, Ana Ceregatti destaca vantagens parecidas àquelas que já são proporcionadas pelo vegetarianismo. “Quando comparamos os veganos ou vegetarianos aos onívoros [quem consume carne], notamos que o primeiro grupo têm uma saúde melhor e possui menos incidência de doenças cardiovasculares", explica.

Ainda segundo a especialista, também há uma incidência menor de colesterol ruim, obesidade, diabetes, câncer, hipertensão e doenças crônicas. Quando questionada sobre os riscos da dieta vegana, a nutricionista é enfática: "não há risco algum. São todos mitos".

Segundo ela, um dos riscos que mais que se ouve falar é sobre a carência de proteína. “Não falta proteína na dieta vegana. Todos os aminoácidos necessários para um bom desenvolvimento do organismo são encontrados no reino vegetal ”, esclarece. 

A carência de ferro também é outro mito. “O que mais dita essa carência é a perda de ferro e o consumo inadequado das fontes ricas neste mineral. As carnes não são os melhores alimentos fontes. Elas são apenas mais um alimento fonte de ferro”, explica a especialista. 

E a vitamina B12?

Outra polêmica da dieta vegana e vegetariana envolve a carência de uma vitamina que só é encontrada nas proteínas de origem animal: a B12. Segundo Ana, estudos comprovam que a carência desta vitamina também ocorre quando o organismo não consegue metabolizá-la, e não somente quando ela para de ser consumida.

Por isso, tanto os veganos quanto os onívoros podem desenvolver a insuficiência de B12. A dica da nutricionista é que, antes de suplementá-la, identifique-se o motivo da carência. Esta deficiência pode ser diagnosticada por meio de exames de sangue.

Segundo a nutricionista, uma medida bem inteligente de quem pretende se tornar vegano é procurar um profissional e fazer uma bateria de exames para identificar seu estado nutricional. “Às vezes essa pessoa já esta com carência. Se isso acontecer depois da transição, vão culpar o veganismo, sendo que ela já poderia estar com uma carência anteriormente que não foi identificada”, explica. 
 

Dicas importantes para quem quer ser vegan

  • Segundo Ana Ceregatti, o consumo de proteínas em uma dieta vegana é dada pelo grupo das leguminosas, o qual estão presentes todos os feijões, grão de bico, lentilha, ervilha seca e soja. Estes alimentos vão equilibrar a quantidade de proteínas e não deve faltar na alimentação vegana;
  • Para quem está acostumado a sempre ter uma "mistura" no prato, vale a pena investir em hambúrgueres veganos, como o hamburguer vegetariano, de arroz integral com beterraba ou de cogumelos com cevada. Eles são fáceis de fazer e podem ser congelados;
  • Diferente do que muitos pensam, não é caro ser vegano. "Se você pensar que a carne é o item mais caro do cardápio, um almoço contendo arroz, feijão, legume e verdura ficará muito mais barato!", sugere a nutricionista;
  • Invista em alimentos ricos em cálcio, como os vegetais verdes escuros, amêndoa, gergelim e até leites vegetais enriquecidos com cálcio. "É possível fazer um queijo em casa, a partir de castanhas. Ele não vai ter um teor alto de cálcio, mas fica uma delícia", indica; 
  • Não vale a pena investir em produtos industrializados veganos. “No mercado só tem porcaria, alimentos feitos para atender uma necessidade gastronômica. Aqui vai um alerta: todos os benefícios de saúde do veganismo só valem quando a dieta é bem planejada", diz. "O que eu percebo como nutricionista é que as pessoas estão começando a comer fast food veganos e estão perdendo o benefício de saúde. Em breve, eles estarão tão doentes quanto os onívoros, e aí não vai mais ter argumento de que o vegetarianismo faz bem para a saúde", finaliza a especialista.

 

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