Nunca houve uma geração de crianças tão triste como a atual

Ana Paula Cardoso
Especialista explica os principais motivos da depressão infantil e mostra como pais e educadores podem ajudar as crianças a serem felizes

A depressão e a tristeza na infância são dados que preocupam especialistas.


A notícia choca: dados do Mapa da Violência, divulgados pelo Ministério da Saúde em 2014, mostram que de 2002 a 2012 houve um crescimento de 40% da taxa de suicídio entre crianças e pré-adolescentes com idade entre 10 e 14 anos. Na faixa etária de 15 a 19 anos, o aumento foi de 33,5%. Segundo especialistas, a ansiedade em preparar as crianças para um mundo cada vez mais veloz e competitivo é a principal causa da depressão infantil.

"Não devemos formar super-homens, como preconizava Nietzsche. Pais brilhantes não formam heróis, mas seres humanos que conhecem seus limites e sua força", orienta o psiquiatra e psicanalista Augusto Cury.

Crianças refletem os pais

Autor do livro Ansiedade - Como Enfrentar o Mal do Século, o médico, que também é psicanalista, toca em um ponto crucial da educação infantil. A ansiedade de pais e educadores acaba por refletir nas crianças os mesmos medos e anseios dos adultos.


Ao reclamar, mostrar medo da vida, temor pelo amanhã, preocupações excessivas com doenças, os adultos paralisam a inteligência e a emoção das crianças. É possível observar a reprodução deste comportamento inseguro nas crianças.

Encorajando seus filhos

A recomendação é interagir com as crianças. De forma aberta. Pergunte sempre aos seus filhos: “O que está acontecendo com você?”, “Você precisa de mim?”, “Você tem vivido alguma decepção?”, “O que eu posso fazer para torná-lo mais feliz?”.  E as questões financeiras não são as mais importantes. Segundo Cury, não importa o quanto de dinheiro se ganha, mas, se rico em bom senso, será um pai ou uma mãe brilhante.

“É preciso contagiar seus filhos com seus sonhos e entusiasmo. Cada pensamento negativo deve ser combatido para não ser registrado. O verdadeiro otimismo é construído pelo enfrentamento dos problemas e não por sua negação”, ensina o especialista.

A autoestima das crianças

Assim como os adultos, é natural que crianças e jovens sejam atormentados por pensamentos ansiosos. Para o psiquiatra Augusto Cury, o segredo para quem  deseja ser um pai ou um educador fascinante é ensinar às crianças a não serem escravas dos seus problemas. 

“Se tivéssemos a capacidade de entrar no palco da mente dos jovens, constataríamos que muitos são atormentados por pensamentos ansiosos. Alguns se angustiam com as provas escolares. Outros, com cada curva do corpo que detestam. Outros ainda acham que ninguém gosta deles. Muitos jovens têm uma péssima autoestima. Quando a baixa autoestima nasce, a alegria morre”,  alerta o psicanalista.

Copyright foto: iStock 

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