As antigas brincadeiras de crianças ainda têm lugar na era digital?

Ana Paula Cardoso
Ouvimos especialistas para saber se a extinção de brincadeiras antigas, como brincar de roda, ou pular amarelinha, afetam o desenvolvimento infantil

Há espaço para brincadeiras antigas, como a amarelinha, e os jogos eletrônicos na vida da criança.


Em um mundo cheio de estímulos digitais, certas brincadeiras infantis entraram em extinção. Basta olhar qualquer típico playground de classe média brasileira, para constatar que brincadeiras antigas, como boneca de papel, amarelinha, carrinho de rolimã, peão, peteca, pipa e tantas outras, praticamente não existem mais. As crianças de hoje parecem pouco interessadas em brinquedos diferentes de aparelhos eletrônicos.

Estudos comprovam que as crianças da era digital se desenvolvem cada vez mais rápido do ponto de vista intelectual. Segundo especialistas, a chamada ‘geração Y’ já tem uma vantagem em relação a outras gerações quando se trata do potencial de desempenho na futura vida acadêmica e profissional. Mas educadores alertam sobre os riscos em relação ao desenvolvimento emocional das crianças.

“Há que se ter cuidado porque o excesso de estímulo eletrônico e o entretenimento digital dificultam a construção da autopercepção. Com isso, a criança tem dificuldade de entrar em contato com seu interior, seus sentidos e emoções”, diz a coaching de desenvolvimento comportamental de mães de crianças e adolescentes, Mara Pessanha.

Para a especialista, as brincadeiras antigas exigem a interação com outras crianças, estimulando o aprendizado em grupo e a construção de uma vida social. Sem contar que as brincadeiras mais interativas fortalecem a autoconfiança. Em casa, sozinhos, passando muito tempo entre os livros ou o computador, a autoconfiança fica enfraquecida.

Jogos eletrônicos x brincadeiras antigas

Mas a boa notícia para pais e educadores é que é possível equilibrar o lúdico mais 'analógico' das brincadeiras infantis antigas e as horas entre videogames, TVs e o mundo digital em geral. “Se houver equilíbrio entre a exposição ao universo digital e ao mundo das brincadeiras e relacionamento interpessoal, essa mistura pode ser muito positiva”, ressalta Mara Pessanha.

Professora do ensino fundamental no Rio de Janeiro, a pedagoga Márcia Santos faz isso na sala de aula. A professora propõe, uma vez por semana, um dia sem eletrônicos, voltado só para brincadeiras antigas.

“É o dia que os alunos deixam os celulares e tablets comigo e mostro como eu brincava na idade deles. Ensino cantigas de roda, brincadeira de detetive, do passa anel, dança das cadeiras. Tem dado certo porque criança é curiosa e gosta do de novidade”, conta Márcia.

As crianças gostaram tanto que as outras professoras também adotaram e a diretora também apoia. “Tem pais que me contam que os alunos chegam em casa e ensinam aos irmãos ou amiguinhos. Há espaço para os dois: videogames e outras formas de diversão na vida das criança”, considera a professora.

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