Ser mãe solteira: os desafios de cuidar dos filhos sozinha

Ana Paula Cardoso
Seja qual for a razão de criar filhos sem pai, ser mãe solteira é uma realidade dura, mas possível de encarar com sabedoria
 
A condição de mãe solteira é difícil, mas não impede de criar filhos felizes. © iStockphoto.com/Halfpoint

 

Tornar-se mãe solteira não é o sonho de nenhuma mulher, mas a realidade de muitas brasileiras. Descobrir-se grávida e não poder contar com o pai da criança é uma dura realidade que atinge milhares de mulheres no país. E mesmo quando o pai registra a criança, há casos de ausência total ou parcial ao longo da vida dos filhos. Segundo os dados do IBGE, cerca de 40% dos lares brasileiros têm chefe de família mulheres, sem marido ou companheiro.
 
Muitas mulheres ainda têm vergonha da condição de mãe solteira. Principalmente quando foram abandonadas pelos pais de seus filhos, homens que recusaram-se até a conceder o direito constitucional de ter o nome do pai no registro do bebê.  
 
Apesar de poderem pedir exames de paternidade, estas mulheres preferem seguir sozinhas. Seja por medo de humilhação ou receio da exposição das crianças. Mas não seriam os homens que, ao não assumirem os filhos, deveriam sentir vergonha?
 

Abandono de mulheres grávidas

Talvez o machismo incutido na sociedade reverta a situação e faça as mulheres envergonharem-se, em vez dos homens que abandonam mulheres grávidas. Esse inclusive é o recado do jornalista Marcos Piangers, autor do livro O Papai é Pop (editora Belas Letras). Pai de duas meninas, Piangers foi criado por uma mãe solteira. Nunca conheceu o pai.
 
“Claro que eu sentia falta de ter uma pessoa pra me levar em jogos de futebol ou me ensinar a andar de bicicleta. Claro que eu ficava deslocado nas apresentações de dia dos pais. Mas não acho que seja o pior dos sentimentos”, afirma Piangers. Segundo o jornalista, haverá menos mães solteiras quando mudar a mentalidade dos homens.
 
“É preciso explicar que ele (o pai que abandona) é quem está perdendo o momento mais incrível da vida de um ser humano, que é a criação de um filho”, completa o jornalista. Em recente palestra em um evento do TedX, Piangers emocionou a  platéia e depois "viralizou" na rede (veja o vídeo na íntegra abaixo), ao tocar no tema mãe solteira de forma sensível, mas ao mesmo tempo contundente. 
 
“É importante que os homens entendam: se existe um comportamento que precisa mudar é o nosso, para chegarmos a uma sociedade que dê mais valor à mulher”, sugere Piangers.
 

 

Melhor ser mãe solteira a ter um pai ausente

Mesmo sem pai, é possível criar crianças felizes, que vão se tornar adultos bem resolvidos. Assim como Piangers, é no que também acredita a empresária Renata Mondelo.  Renata nunca cogitou ser mãe solteira. Mas o destino lhe reservou o desafio. Em 2009, quando seu filho Thiago era um bebê de apenas 9 meses, Renata perdeu seu marido – e pai de Thiago – no fatídico acidente do voo AF 447, Rio – Paris, da companhia aérea Air France.
 
A condição de mãe solteira lhe foi imposta de forma cruel, em contrapartida, o elo entre ela e o filho ganhou uma dimensão indissolúvel e singular. A empresária admite que criar um filho sozinha está longe de ser tarefa fácil, mas a convivência tende a se pautar menos na fantasia e mais na realidade.
 
Renata Mondelo cria sozinha seu filho, Thiago, depois que ficou viúva em 2009. © Arquivo pessoal
 
“Um conta com o outro e não há nenhuma dúvida de que a cooperação mútua é a base desse relacionamento”, afirma Renata. A falta de um pai para dividir momentos, fases importantes, viagens com o filho, tarefas, contas e outros papéis, sobrecarregam uma mãe solteira. Mas ainda é melhor do que ter pais vivos ou conhecidos, mas que sejam agressivos ou indiferentes, pensam as mulheres na condição de mãe solteira.
 
“Em muitas situações, sinto um imenso vazio.  Mas conheço pais que deixam a desejar em muitas tarefas e que, além disso, também não são bons maridos. E ausência e solidão com presença física de um pai também é muito prejudicial a uma criança em formação”, acredita Renata.

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