Como os pais devem se preparar para a adolescência dos filhos

Ana Paula Cardoso
É preciso encarar as mudanças e compreender que a adolescência é também uma fase difícil para as crianças

Na adolescência, filhos precisam de mais orientação e menos interferência dos pais.


Fase da vida conhecida como o limite entre a infância e vida adulta, a adolescência costuma ser o grande temor dos pais. Com os hormônios em ebulição e com a formação do pensamento próprio a todo vapor, os filhos passam a testar suas próprias vontades, muitas vezes contrariando crenças e valores da família. 

Educação sexual e envolvimento com drogas costumam ser os maiores fantasmas dos pais. Nesta hora, além de muita paciência, cabe a pais e educadores procurarem entender alguns pontos comuns à fase de adolescência.

Para a psicóloga especializada em terapia familiar, Helena Monteiro, há pelo menos dois aspectos fundamentais a serem encarados neste período da vida chamado adolescência.

Despertar social e sexual

Um deles é o fato de a adolescência pressupor um momento de necessidade de afirmação social. "Este é o motivo que leva os adolescentes a uma espécie de 'negação' da família, em prol do grupo de amigos ou colegas", diz a psicóloga.

O outro ponto praticamente inevitável é a fase de transformação hormonal e o consequente despertar do interesse sexual dos filhos. "Há pais que preferem fingir não enxergar que a 'sua criança' se tornou um homem ou uma mulher. Fechar os olhos para esta questão só atrapalhará a convivência", orienta a especialista.

Desafios não só para os pais

Há muitos desafios na fase da adolescência. Não somente para os pais, mas também para as crianças. Em seu livro Abandonarás teu pai e tua mãe (Editora Companhia de Freud), o psicanalista francês Philipe Julien lista alguns:

  • a capacidade de realizar os estudos escolares e profissionais, para obter uma profissão na sociedade;
  • o encontro com amigos masculinos e femininos vindos de uma outra família, com pensamentos e ideias diferentes;
  • encarar o envelhecimento dos pais. Os filhos, que agora são grandes, começam a lidar com a ideia de ausência dos pais;
  • o aprendizado de decidir sozinho, sem aprovação ou aconselhamento dos pais.

Para Julien, do lado dos pais, o mais difícil é conseguir manter o papel apenas de orientadores nesse processo, sem interferências. É preciso entender que eles próprios já se desgarraram de seus núcleos originais (as famílias), para se casarem ou terem filhos com membros de outras famílias. E também fizeram suas escolhas pessoais e profissionais sozinhos.  

A psicóloga recomenda aos pais a leitura do livro do psicanalista francês. "Por que considero importante os pais entenderem que esse 'descolamento' da família, muito comum durante a adolescência, não significa falta de amor", diz Helena. 

Sabendo enfrentar a transição da adolescência com sabedoria, os pais costumam ser contemplados com maior companheirismo dos filhos na fase adulta. 

Outro aspecto importante para sustentar o relacionamento entre pais e filhos durante a adolescência é entender a importância da autoridade, mas sempre com afeto. E isso deve começar na mais tenra infância. 

"Pais que não dão limites aos filhos já na primeira infância terão mais dificuldade em segurar as rédeas numa fase marcada pela rebeldia", completa a especialista.  

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