Entenda o que leva as crianças a fazerem xixi na cama e saiba como lidar

Etiene Resende

Bastante comum em crianças acima de 5 anos, enurese noturna tende a ir diminuindo com o passar do tempo, mas pode ocorrer também na adolescência

A chamada enurese noturna é bastante comum na infância.

 

É normal para as crianças, após a retirada da fralda, fazer xixi na cama à noite, pois se trata de um período de adaptação à nova fase. Mas quando isso continua acontecendo mesmo depois de um longo período, trata-se do que especialistas chamam de enurese noturna. É também muito comum e por isso não deve gerar grandes preocupações nos pais.

De acordo com o pediatra Anderson da Silva Coutinho, fazer xixi na cama passa a ser considerado enurese noturna quando acontece pelo menos duas vezes por semana nas crianças com 5 anos ou mais e que não apresentem nenhum problema no sistema urinário. “A liberação não voluntária de urina enquanto dorme acomete aproximadamente 15% das crianças na faixa dos 5 anos, caindo para entre 5 e 7% na faixa dos 10 anos e permanecendo na média em 3% aos 12 anos”, explica, lembrando que é mais comum em meninos.

Ela pode ser classificada em dois tipos: enurese noturna primária, que são os casos de crianças acima de 5 anos que fazem xixi na cama com frequência. Já a enurese noturna secundária se caracteriza quando a criança urina enquanto dorme, sem motivo aparente, depois de ter passar pelo menos seis meses sem que isso ocorresse.

 

Por que as crianças fazem xixi na cama?

O pediatra ressalta que existem diversos fatores que podem levar à enurese noturna. Entre os principais, pode-se descatar:

  • retardo na maturação neurológica da criança, que prejudica o controle dos esfíncteres;
  • baixa na concentração de um hormônio chamado vasopressina, que é antidiurético e gera um aumento no volume de urina à noite;
  • sono muito profundo;
  • hereditariedade.

Para diagnosticar e entender de onde vem o problema, é preciso fazer um levantamento do histórico clínico da criança. “Para isso é necessário traçar um perfil dela e de seus familiares, bem como realizar exames clínicos para afastar a possibilidade de existência que algum problema no sistema urinário”, afirma Coutinho.

Caso haja sintomas que indiquem outros problemas ou doenças, como diabetes, apneia obstrutiva do sono, distúrbio neurológico, ou seja, quando a enurese não é monossintomática, o profissional deverá solicitar exames de imagem e também laboratoriais para um diagnóstico mais seguro.

 

Como tratar a enurese?

De acordo com o pediatra, a decisão sobre qual tratamento seguir irá depender de cada caso, de acordo com os resultados dos exames. “É muito comum que, em casos onde não há outros problemas, os pais e o especialista concordem em esperar um pouco mais para que a criança adquira de maneira espontânea o controle da urina e pare de fazer xixi na cama enquanto dorme”, destaca.

Apesar disso, a definição de um tratamento pode trazer benefícios, uma vez que a recorrência destes casos pode atacar muito fortemente a autoestima da criança. “Isso pode gerar uma alteração do comportamento da criança, criando também outros impasses que afetam o bom desenvolvimento do indivíduo”, reforça.

Na maioria dos casos a mudança de hábitos ajuda a criança a reduzir a incidência até que pare definitivamente. “Os pais podem vigiar para que o filho não beba muito líquido à noite, nem ingera alimentos ácidos, pois isso aumenta o volume de urina e dificulta o armazenamento na bexiga”, explica Coutinho.

O médico pode indicar o uso de alarmes para ajudar a criança a acordar quando a bexiga está cheia. “Trata-se de um pequeno sensor que é colocado próximo ao órgão genital da criança. Ele está ligado a um alarme que deve ser colocado na altura dos ombros, sendo acionado ao primeiro sinal de liberação de urina, o que acorda a criança para que ela vá ao banheiro fazer xixi”.

Em casos mais complicados podem ser indicados pelo especialista até mesmo medicamentos para o tratamento da enurese, ajudando a diminuir a produção de urina durante a noite, mas eles podem provocar efeitos colaterais e devem ser utilizados com cautela.

“O que não pode acontecer é os pais transferirem a irritação ou tristeza que sentiram pelo fato de o filho ter feito xixi na cama para a criança, pois isso pode levar a traumas e danos ainda maiores. O melhor é conversar e tentar entender o que está acontecendo, acolhendo e ajudando a criança a resolver o problema”, conclui.

 

Copyright foto: Istock

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