Saiba por que algumas crianças têm amigo imaginário e como lidar com isso

Etiene Resende

Especialista explica o que leva a criança a criar esta relação imaginária e até que ponto pode ser considerada como normal

amigo imaginario
Na maioria dos casos, a criança ter amigo imaginário não é nada que mereça muita preocupação dos pais. © iStockphoto.com/volkovslava


A descoberta de que o filho tem um amigo imaginário é uma situação que acaba preocupando muitos pais, mas que nem sempre deve ser vista como algo ruim. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto da Educação em Londres, cerca de 65% das crianças têm um amigo invisível e que isso, de maneira geral, as tornam mais articuladas e confiantes.

Estudos indicam que na maioria das vezes esta amizade imaginária surge por volta dos 4 anos de idade, se intensificando aos 6 e desaparecendo mais próximo dos 9 anos. Mas é importante lembrar que isso pode variar de acordo com cada caso.

Não é novidade que as fantasias e imaginação das crianças são fonte importante para a criatividade, o que não deve ser combatido, mas apenas acompanhado pelos pais. É o que afirma a psicóloga Aline Silveira Rosa. “As crianças necessitam criar o faz de conta, tanto nas brincadeiras quanto fora delas e isto é extremamente saudável”.

A especialista explica que é nesta criação e recriação das brincadeiras e fantasias que a criança vai se apropriando do seu mundo. “É assim também que elas vão aprendendo a se relacionar com as outras pessoas, a lidar com as emoções e sentimentos que tem, desenvolvendo assim suas competências cognitivas, emocionais e sociais”.

Amigo imaginário: dificuldade em fazer amizades reais?

E é neste contexto que surge o amigo imaginário, extrapolando os limites da brincadeira para se tornar um confidente, invisível para todas as outras pessoas, mas sempre presente para a criança. E não está limitado apenas a uma “criança imaginária”, podendo ser também uma pessoa de outra idade, um grupo ou mesmo um animal.

Muitas vezes os pais nem ficam sabendo da existência do amigo imaginário dos filhos. “Este ser existe apenas na imaginação da criança e os pais descobrem apenas quando percebe que a criança está falando sozinha ou mesmo quando o filho reclama que os pais estão 'incomodando o amigo'”, reforça Rosa.

É comum que os pais se perguntem se a criança está criando um amigo imaginário por ter alguma dificuldade em fazer amizades reais, ou mesmo se isso é uma forma de confidenciar segredos que ela não quer que eles descubram.

Neste sentido a psicóloga tranquiliza os pais. “Nos estudos de casos em psicologia temos uma maioria de crianças que possuem uma interação normal com as pessoas e ainda sim têm amigo imaginário. Normalmente um não substitui o outro e nem quer dizer que haja um segredo escondido”.

Por que as crianças criam um amigo imaginário?

Os motivos podem ser muitos, a maioria deles sem necessidade de se buscar ajuda profissional. Geralmente este amigo imaginário é criado para ser uma companhia nos momentos em que a criança está sozinha, para conversar e brincar, ocupando um período ocioso. Por isso é mais comum em crianças que não têm irmãos, filhos de pais mais velhos ou que não têm muito acesso à TV ou jogos eletrônicos.

Estes amigos imaginários podem representar também algo que traga conforto emocional para a criança, ajudando a suportar momentos de dificuldades. “É bastante comum que este amigo seja criado após um acontecimento traumático, o que vai ajudar seu filho a administrar melhor as emoções decorrentes dele”, reforça.

Quando procurar ajuda?

É aconselhado aos pais que, em um primeiro momento, apenas observem se, junto com o amigo imaginário, há uma mudança repentina no comportamento da criança, como afastamento das pessoas reais, agressividade, etc. Se não houver nada significativo, os pais podem ficar tranquilos e, cedo ou tarde, este amigo vai desaparecer.

O ideal é que os pais não se coloquem contra o amigo invisível, pois a “boa convivência” com este personagem fará com que este período transcorra de maneira tranquila, sem interferência. Além disso, conversar com a criança sobre o amigo como se fosse verdadeiro ajuda a compreender os sentimentos, interesses e preocupações da criança.

Já nos casos em que a criança começa a se isolar, se torna mais agressiva, evita as pessoas – principalmente os pais – e se relaciona apenas com este amigo imaginário, isso pode ser um sinal de que algo não está bem com ela. “Os pais precisam entender que neste momento é preciso procurar ajuda profissional, inicialmente de um psicólogo”.

O profissional possui as ferramentas e conhecimento necessários para fazer um diagnóstico mais seguro do caso e indicar um tratamento quando se fizer necessário. Isso se dá por meio de conversas e dinâmicas que levarão a criança a expor de maneira mais clara o que está acontecendo.

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