O papel do pai e a importância da figura masculina para a criança

Ana Paula Cardoso

Com a mudança da sociedade e as formações das chamadas novas família, como fica o papel do pai moderno?

Pai moderno é aquele compartilha a vida do filho de forma ampla. © iStockphoto.com/monkeybusinessimages


Cada vez mais presente na educação, cuidados e participação na vida dos filhos, os homens, mesmo aqueles que rejeitam os rótulos de machões, ainda titubeiam para encontrar um novo posicionamento na sociedade atual. Com tantas mudanças e o advento das novas famílias, como fica o papel do pai moderno na formação das crianças?

De acordo com a psicóloga e especialista em terapia familiar, Helena Monteiro, os homens sentem-se um pouco perdidos hoje porque antes os papeis eram mais definidos: a mulher cuidava da casa e dos filhos, o homem era provedor.

Depois vieram os filhos do "divórcio", que viram as mães sobrecarregadas e sozinhas, enquanto os pais eram os responsáveis apenas nos fins de semana, somente de 15 em 15 dias. 

"Talvez tenhamos finalmente chegado à primeira geração de homens que começam a se situar como pais no sentido amplo da palavra. Não mais com a divisão de papeis de uma forma setorizada como era antes" estima a psicóloga.

Compartilhar: o verbo do pai moderno

Segundo a especialista, atualmente já se vê um movimento de homens em busca de um verdadeiro compartilhamento, no qual o tempo e a qualidade deste tempo com os filhos está mais equilibrada entre pai e mãe.

É o caso do professor de história Marco Aurélio Santos. Quando se casou com a professora Janice Santos, ela tinha uma filha do primeiro casamento. Hoje, o casal tem mais duas meninas. Ele conta que aprendeu com o pai, um homem "à frente do seu tempo", que já realizada atividades em casa consideradas raras na época.

"Meu pai fazia o jantar para três filhos porque minha mãe estudava à noite. Também dava banho e contava histórias para dormir. Cresci achando isso natural e repito com minhas filhas", conta Santos.

Para o Dr. Jair Lourenço da Silva, psiquiatra e doutor em saúde pública pela Universidade de São Paulo (USP), o fato dos pais estarem mais presentes é uma realidade. Em sua  experiência clínica, o médico reforça que os homens estão cada vez mais em busca de novos significados para suas relações com os filhos.  

"Homens e mulheres são mais próximos e foi reduzida a diferença de funções e tarefas nos cuidados com as crianças. O homem hoje leva o filho na escola, troca a fralda, participa do parto (quando antes era até proibido). Isso porque o papel de gênero está sendo reavaliada e reconstruída", analisa.

E o papel masculino na formação dos filhos?

Mas em paralelo ao movimento de pais cada vez mais presentes, as novas famílias surgem cada vez mais fortes. Formadas por duas mães, nenhuma mãe ou nenhum pai, alguns conceitos psicanalíticos parecem ter ficado um pouco ultrapassados - ou, no mínimo, confusos. 

E em meio a estas mudanças, uma pergunta permanece: na sociedade moderna, qual é, afinal, o papel do pai e a importância da figura masculina para a formação das crianças? Para o Dr. Jair Lourenço, trata-se de uma questão histórico-cultural.

"Embora em nossa sociedade as características masculinas e femininas estejam correlacionadas aos gêneros, à luz da psicanálise esses dois papeis estão presentes em todas as pessoas, sejam elas do sexo masculino ou feminino", esclarece o psiquiatra.

Em outras palavras, quer dizer que uma força considerada feminina, como a emotividade, e uma característica típica masculina, como o poder de concretização, por exemplo, não precisam estar relacionadas ao sexo do indivíduo. São forças presentes em homens e mulheres. E, portanto, podem ser transmitidas aos filhos - seja pelos pais, seja pelas mães.  

Segundo o médico, a  própria sociedade tem incentivado que a mulher seja mais forte no mercado de trabalho, desempenhando o papel antes designado como masculino, ao mesmo tempo que estimula o homem a transitar nos papeis antes considerados femininos.

"E isso é muito importante para reconstruir esses papeis masculinos e femininos. E essa reconstrução vai influenciar positivamente a educação das crianças", completa o psiquiatra.

 

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