Cama compartilhada: afinal, filhos dormirem com os pais é certo ou errado?

Ana Paula Cardoso

Conheça os prós e contras deste hábito comum entre os casais com crianças pequenas

Cama compartilhada entre pais e filhos tem prós e contras. © iStockphoto.com


Tema polêmico, o ato de filhos dormirem na cama dos pais é frequente. A maioria dos pais acaba por aninhar os filhos pequenos entre eles no seu leito, por diversas razões. E embora a maioria dos profissionais, médicos e psicólogos justifiquem a necessidade e a importância da criança dormir em seu próprio quarto ou berço, há quem defenda a cama compartilhada entre pais e filhos na primeira infância.

"O principal benefício  seria a sensação de proteção que a criança sente ao estar na cama com seus pais, a segurança, e qualidade de sono mais tranquilo para ela e também para os pais", diz o médico, psicólogo e facilitador em Constelações Familiares, Roberto Debski.

Por outro lado, o especialista reforça que a criança que aprende a dormir em seu espaço, e sente a segurança dos pais próximos, crescerá com mais autonomia e independência, aumentando sua resiliência e inteligência emocional, e aprendendo desde cedo a lidar melhor com seus medos.

A cama é dos pais

Para psicóloga Marjorie Koch, dormir com os pais pode ser muito gostoso para a criança por sentir-se acolhida e protegida. Quanto aos pais, também é gratificante reafirmar nosso carinho e nosso amor pelos pequenos. Mas é preciso reforçar que a cama compartilhada não deve ser a meta. 

"O nome já deixa claro: a cama é dos pais", reforça a especialista. No entanto, a psicóloga reconhece que, logo ao nascer, o bebê realmente demanda uma atenção diferenciada e talvez seja mais confortável para a mãe, que o pequeno permaneça ao seu lado, preferencialmente em seu próprio carrinho ou bercinho.

"Uma vez que a mãe sinta-se mais confiante quanto à capacidade de reconhecer e atender as necessidades de seu bebê, a criança poderá tranquilamente habitar seu  próprio quarto ou compartilhar o mesmo espaço que os irmãos", acrescenta Marjorie.

Mas este desenvolvimento demanda tempo, paciência e flexibilidade para atender com amor a insegurança que a criança pode apresentar para deixar a cama compartilhada com os pais.  

Do ponto de vista psicológico, a criança não nasce com habilidades emocionais prontas para ter autonomia.  Por isso, cabe aos pais ter paciência e também segurança para adaptar os filhos fora da cama compartilhada. 

Cama compartilhada: perigos da facilidade

Os especialistas são categóricos a respeito de que a cama compartilhada entre pais e filhos pode ser fruto de uma vida corrida. Com exigências pessoais e profissionais, os pais sentem falta de uma maior proximidade física com os filhos - e eles com os pais.

"Acabamos por compartilhar a cama como uma forma de compensar essa falta de tempo e de contato físico. Deveríamos antes nos preocupar em alterar essa rotina de maneira a atender também o fato de que temos filhos e eles precisam de nossa presença", lembra a psicóloga Marjorie Koch.

Ouro caso comum, e muito danoso, é quando uma das partes do casal, pouco interessada na vida sexual no casamento,  acaba por "usar" a cama compartilhada como justificativa para não terem relações.

"Quanto ao fato da criança atrapalhar a vida sexual do casal se dormir junto aos pais toda noite, acho que este é um dos motivos pelo qual cada um deva ter seu espaço. O casal veio antes que a criança. Foi do seu amor que o filho foi gerado. E esse amor deve ser preservado", completa Marjorie.

O casal precisa estar atento para manter seu espaço na família que gerou como homem e mulher. Mas quando as relações entre o casal não andam bem, o filho em sua cama pode mascarar o problema.

"Usar o filho para essa finalidade pode fazer com que ele venha a ter problemas psicológicos, e poderá também influenciar, futuramente, em seus próprios relacionamentos afetivos", alerta do Dr. Roberto Debski.

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