Naninha: por que as crianças dormem agarradinhas com bichinhos?

Ana Paula Cardoso

Especialistas explicam o que significa esses paninhos na hora do soninho

Naninha ou bichinho ou paninho: o companheiro do sono de muitas crianças significa proteção. © iStockphoto.com/Wavebreakmedia


Quem nunca viu uma criança dormindo agarrada a um ursinho de pelúcia ou cheirando um pedaço de pano, que pode ser um lençol, uma fraldinha e até uma camisola da mãe? Do ponto de vista da psicologia infantil, a chamada naninha tem raízes na adaptação da criança ao mundo externo, depois que saem da barriga da mãe, e na angústia da separação das crianças com os pais.

De acordo com educadores, pedagogos e psicólogos especializados em desenvolvimento infantil, há alguns estudos que mostram que a ruptura do bebê com o ambiente uterino na hora do nascimento desencadeia o primeiro sentimento de perda humano. 

"No inconsciente da criança, a naninha entraria como uma extensão deste ambiente protetor que era o ventre materno. Por isso objetos como chupetas, o dedinho, bichinhos ou fraldinha tornam-se para muitas crianças companhias essenciais", explica a psicóloga Isabela Rosa.

Naninha é um objeto de transição

Mas especialistas lembram que algumas crianças têm necessidade de ter a naninha, outras não. Esses paninhos ou bichinhos são conhecidos como objetos de transição. 

"A criança elege um objeto e a ele se apega, obtendo uma sensação de aconchego, segurança e proteção, principalmente nos momentos em que se distanciam dos pais, como na hora de dormir ou ir para escola", explica Anna Paula Jorge Jardim, vice-diretora e coordenadora pedagógica do Colégio Nossa Senhora das Dores, unidade Belo Horizonte.

Para algumas crianças esse objeto é importante e muitas vezes pode ser considerado como parte do próprio corpo ou até mesmo, parte do corpo de terceiros (pais e mãe).

Afinal, é bom ou ruim a naninha?

Nem sempre é somente o bebê recém-nascido que procura a naninha. À medida que a criança vai crescendo ela vai criando memórias afetivas e vínculos. O cheiro da mãe, os ambientes da casa, as vozes, tudo isso faz parte da rotina dela e é natural que ela sinta esse desligamento. 

Então, por vezes, mesmo crianças que não ligavam para  naninha quando eram bebês, podem começar a sentir falta a partir do momento de irem para a escola, por exemplo. Também em caso de separação dos pais é muito comum surgir uma certa dependência da naninha.

"As famílias devem ficar atentas, observando a real necessidade do uso desse objeto. O uso contínuo e a dependência podem significar alguma dificuldade da criança. Nesse caso, a família deverá buscar a ajuda de um profissional", completa Lygia Costa e Silva, coordenadora da educação infantil do Colégio Nossa Senhora das Dores.

Deixar o paninho é um processo natural

Mas a dica é não ficar neurótico nem achar que o filho não é normal por não conseguir dormir sem a naninha. Cada criança irá substituir esse objeto em seu tempo emocional e não cronológico.

"O ideal é que até 5 anos esse objeto seja substituído por outros interesses. Vale lembrar que seu uso excessivo, como por exemplo no período escolar, poderá atrapalhar o convívio social", ressaltam as especialistas do Colégio Nossa Senhora das Dores.

Para a psicóloga Isabela Rosa, a criança terá seu tempo de maturação, basta perceber que o ambiente onde vive é favorável. "À medida que ela vai se adaptando à primeira escolinha ou percebe que a separação dos pais não lhe tirou o amor deles, a naninha vai deixando aos poucos de ter importância", tranquiliza a psicóloga.

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