Colesterol alto em crianças: conheça os riscos e saiba como prevenir

Fernanda Lima

O problema, que pode atingir até crianças de colo, eleva o risco de infarto e acidente vascular cerebral

Saiba como prevenir o colesterol alto em crianças. © iStockphoto.com/EvgeniiAnd


O colesterol alto em crianças se tornou um problema grave e preocupante. Antigamente, os exames responsáveis pelo controle das taxas eram solicitados pelos médicos somente para pessoas com mais de 20 anos. Hoje, esta avaliação já começa a fazer parte da rotina de exames de adolescentes, crianças e até mesmo de bebês.

Segundo o Dra. Manuela Moreira Ribeiro, pediatra e endocrinologista infantil do Hospital Sepaco,  as principais causas do aumento dos níveis do colesterol (dislipidemia) na faixa etária pediátrica são o sedentarismo e a dieta inadequada, com o alto índice de consumo de alimentos industrializados e fast food, ricos em gorduras saturadas e trans. 

"Estudos brasileiros, populacionais publicados na diretriz brasileira de dislipidemia e prevenção de aterosclerose, em 2017, demonstram prevalência de 10 a 23,5% do problema em crianças e adolescentes”, enfatiza.

Ainda segundo o Dr. Carlo Crivellaro, pediatra membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, o aumento do consumo de gorduras e açúcares, e a redução da ingestão de alimentos ricos em fibras, contribuíram para o aumento do colesterol alto em crianças.

O problema, explica, pode ser dividido em duas categorias: hipercolesterolemia familiar e hipercolesterolemia secundária. A primeira é causada por fatores genéticos e a segunda, mais ampla, inclui todas as outras causas possíveis. Essa última é a forma mais comum em crianças e adolescentes.

Como prevenir?

Para evitar o colesterol alto em crianças, é necessário levar um estilo de vida saudável, ou seja, ter uma boa alimentação e praticar exercícios físicos regularmente. Entre as recomendações de uma dieta saudável. De acordo com Crivellaro, é indispensável:

  • Diminuir a ingestão de carboidratos simples (açúcar, pão branco, arroz branco) e substituir pelos complexos (arroz, pães e massas integrais);
  • Estimular a ingestão de alimentos ricos em fibras;
  • Aumentar a ingestão de água;
  • Evitar o consumo de bebidas adoçadas; 
  • Reduzir ao máximo o uso de gordura trans.

O ideal é praticar atividade física por pelo menos 60 minutos por dia. As atividades sedentárias (computadores, televisão, tabletes, games e tempo no celular),  por sua vez, devem ser limitadas a no máximo 2 horas diárias. 

Dra. Ribeiro lembra ainda que, apesar de inicialmente assintomático, o colesterol alto em crianças também pode estar relacionado a outros problemas, como obesidade, levando ao pré diabetes e ao diabetes tipo II, o que pode ocorrer ainda na adolescência. "A longo prazo eleva o risco cardiovascular, ou seja, a chance de infarto e acidente vascular cerebral (derrame)”, destaca.

Exames preventivos

Os exames feitos são a dosagem de triglicérides e do colesterol total e suas frações (LDL, HDL, VLDL e colesterol não-HDL). "Devem fazer os exames as crianças que tem histórico familiar positivo para hipercolesterolemia, pacientes com pelo menos dois fatores de risco (obesidade, sedentarismo, diabetes, hipertensão), e crianças adotadas que desconhecem seu histórico familiar", explica o pediatra Carlo Crivellaro.

Também é recomendado fazer a análise laboratorial de crianças que sofrem de doenças crônicas (hipotiroidismo, síndrome nefrótica, imunodeficiências, etc) e que façam uso de determinados medicamentos, que podem causar aumento do colesterol. 

Dra. Ribeiro acrescenta que tais exames devem ser solicitados a partir de 2 anos de idade se a criança apresentar história familiar de dislipidemia ou doença arterial isquêmica precoce. Entre 9 e 11 anos de vida, toda criança deve ter dosado seu perfil lipídico, independente da história familiar. 

Os valores ideais para crianças e adolescentes entre 2 e 19 anos, em jejum, são de:

  • Colesterol < 170
  • LDL <110
  • HDL > 45
  • Triglicérides <90 (0 a 9 anos) ou <75 (10 a 19 anos)

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