Agenesia dental causa problemas na mastigação, fala e estética

A redação

Por Raphaela Ribas

Especialistas explicam que malformação em bebês e crianças tem tratamento

A malformação é mais comum no dente do siso , mas pode acontecer nos incisivos laterais. © iStcokphoto.com/STUDIOGRANDOUEST


Talvez você nunca tenha ouvido falar em agenesia, mas ela nada mais é quando um órgão não é formado na fase embrionária e, por isso, não se desenvolve. O tipo de agenesia mais comum é o dental, especialmente nos dentes permanentes terceiros molares (sisos), mas pode variar, acometendo também os primeiros e segundo molares, assim como os incisivos laterais superiores (que ficam ao lado dos dentes da frente). A criança fica com uma espécie de buraco, como quando cai o dente de leite, com a diferença que não nasce nada ali.

O Dr. Hernando Valentim da Rocha Junior, responsável pelo Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofaciais do Hospital Caxias D’Or, explica que a agenesia dentária pode acontecer desde a formação do feto até mesmo após o nascimento do bebê: “Essa variação é relacionada ao período de formação do germe dentário, que se inicia a partir da 5ª semana de vida intra-uterina, e é finalizada com o início da formação dos sisos, por volta dos 9 anos”.

No desenvolvimento da criança isso pode acarretar em problemas de mastigação, fala e estética. Segundo sua colega, Dra. Mariana Silva Campos, também do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofaciais do Hospital Caxias D’Or, a agenesia dental pode ainda prejudicar a erupção de dentes permanentes, além de desencadear falha no crescimento das arcadas, deformidades dento-faciais, distúrbios do sono e respiratórios e até mesmo déficit de capacidade mastigatória.

Quais são as causas?

As razões são da agenesia são diversas. O especialista em ortodontia e voluntário da ONG Operação Sorriso, Dr. Carlos Bezerra de Menezes, explica que dentre eles os motivos estão: fatores ambientais (quando, o espaço destinado a um determinado dente está obstruído ou não existe), genéticos ou, simplesmente, porque não há suprimento sanguíneo suficiente para o desenvolvimento.

Segundo ele, há outros casos em que a agenesia dental pode estar associada à síndromes com outras malformações. “Dentre as síndromes podemos citar displasia ectodérmica, síndrome de Kabuki, síndrome de Rieger, além da relação com a presença de fissuras labiais e/ou palatinas, visto que o período de formação embrionário, a proximidade física e os genes responsáveis pelo desenvolvimento de tais estruturas coincidem”, esclarece Dr. Carlos.

Diagnóstico e tratamento

O ideal é o diagnóstico o quanto antes para que o tratamento seja feito o mais rápido possível. Entretanto, nem sempre é fácil identificar, pois durante a gestação não é claramente perceptível e nada pode ser feito para corrigir ou evitar a ocorrência de tais alterações dentais.

Dr. Carlos aponta que hoje há alguns estudos que mostram que no 38º dia de vida intra-uterina já são evidentes os centros de crescimento dos dentes de leite e seus sucessores permanentes. Além disso, há alguns sinais durante os exames pré-natais, como ultrassons e rastreamentos genéticos, que podem ajudar na detecção de agenesias dentais, afirma.

Quanto ao tratamento, eles explicam que vai depender da condição dentária do paciente, podendo ser mais simplificados por meio de próteses removíveis, próteses fixas e chegando ao implante dentário. O valor também varia conforme o tratamento. Todos eles orientam a buscar o diagnóstico o quanto antes, pois, quanto mais cedo, melhor para planejar o tratamento, favorecendo o resultado final.

“Em casos de agenesia dentária, a criança deverá se consultar com um odontopediatra, que irá avaliar as possibilidades de reabilitação protética e manutenção de espaço, quando a agenesia é ligada aos dentes de leite e aos dentes permanentes”, diz Dra. Mariana.

E Dr. Carlos complementa: “O diagnóstico precoce das agenesias permite à equipe multidisciplinar um melhor planejamento para o tratamento da criança, evitando obstruções do espaço reservado àqueles dentes, ou a obtenção do espaço necessário para reabilitação. Isso através do uso de aparelhos ortodôntico ou ortopédicos, e através de enxertos ósseos na região de descontinuidade do rebordo alveolar para posterior instalação de implantes e próteses dentárias”.

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