Curso de culinária: atividade divertida e educativa para as crianças

Ana Paula Cardoso

Além de aprender a cozinhar, apresentar a gastronomia aos pequenos ajuda a desenvolver a educação alimentar

Curso de culinária infantil pode incentivar os pequenos a comerem bem. © iStockphoto.com/evgenyatamanenko


Já pensou em inscrever seu filho em um curso de culinária? A ideia parece um pouco inusitada, mas preparar os alimentos pode divertir e interessar muito os pequenos. E além de ser uma atividade prazerosa e educativa, é capaz de resgatar o hábito de comer bem na infância.

"Quando a gente trabalha com a criança na cozinha, o aprendizado vai muito além de preparar os pratos. Trabalha-se o chamado 'ambiente alimentar', que vai desde a elaboração do cardápio até a compra dos ingredientes para as receitas", conta Luiza Fiorini, gastrônoma especializada em educação alimentar infantil e idealizadora do projeto Alimentação Infantil, onde dá cursos de gastronomia para crianças.

Luiza é embaixadora oficial em Belo Horizonte do projeto Food Revolution, de Jamie Oliver, para difundir globalmente a cultura da boa alimentação. A gastrônoma confirma que, ao entrar em contato com o modo de fazer o alimento, a criança se abre para experimentar novos sabores.

"Crianças adoram perceber as cores, as texturas, os barulhos e os cheiros. Cozinha é lugar de ativar os sentidos. É incrível como elas adoram ver os alimentos crus se transformarem em coisas gostosas. Até mesmo uma sopa de legumes, para a qual muitos torcem o nariz antes de aprenderem a fazer, depois repetem o prato", entusiasma-se a embaixadora.

Dia das Crianças com a família na cozinha

Mas a especialista é categórica: se os filhos não comem bem ou não querem comer legumes e frutas, a maioria das vezes a causa raiz está nos hábitos alimentares da própria família. A pressa e a vida corrida de trabalho dos pais e inúmeras atividades dos pequenos, afastou as famílias de bons hábitos. 

Um deles é cozinhar em casa. E se as crianças não aprendem porque os pais não têm tempo, a proposta de levar os filhos a um curso de culinária pode mudar hábitos de toda a família e levar todos de volta à rotina de preparar os próprios alimentos.
 

Luiza Fiorini e uma de suas turmas no curso de culinária infantil. © Divulgação Alimentação Infantil


"Criança é como uma esponja, absorve tudo. Ofereço em meus cursos e palestras o empoderamento alimentar, que se baseia no incentivo a perderem o medo de experimentar os alimentos que não conhecem. E depois que as crianças se abrem para o novo e viram influenciadores dentro de casa", conta Luiza.

Este tipo de iniciativa pode inclusive favorecer o combate à obesidade infantil. Luíza conta o caso de um menino obeso que confessou a ela que não queria mais ir em fastfood, mas seus pais ainda achavam que isso o agradava. 

"Eu disse para ele: 'olha, quando seus pais propuserem isso, pede para ir ao supermercado e diz que você quer preparar o hambúrguer que você aprendeu a fazer na escola de culinária'. A criança abriu um sorriso e percebi que ali estava mudando toda um relação com a  comida", anima-se a gastrônoma infantil. 

Na cozinha, concentração e segurança 

Em geral, os cursos e culinária infantil são produzidos em ambientes de total segurança, com turmas separadas por faixa etária. E a idade pode ser a partir dos 3 anos de idade. No Alimentação Infantil, as turmas são separadas de 3 a 6 anos; de 7 a 10 anos e de 11 a 16 anos.

Aos pais que se preocupam com o bem-estar dos filhos, é sempre importante escolher uma escola recomendada e verificar alguns itens de segurança. Fogão de indução em vez de chama é o ideal, por exemplo. No espaço onde Luiza realiza seus cursos, alguns itens fazem a diferença:

  • Facas especiais: as facas são sem ponta (a faca não fura) e tem um tamanho que proporcione uma boa pegada para a mão, que é pequena;
  • Protetores de mão: a criança encaixa um protetor entre os dedos,  de modo que possa manusear a faca sem que se corte;
  • Fogão por indução: dessa maneira não tem chama;
  • Assistentes: as crianças não levam nada e nem tiram nada de dentro do forno para evitar queimaduras. Elas preparam tudo e o assistente coloca e retira do forno depois. 

"Outra coisa importante, e é a primeira coisa que ensino: cozinha é lugar de calma e concentração. Antes de entrarem lá, proponho inspirarem e expirarem. Depois começa o trabalho de cozinhar", completa a idealizadora do projeto Alimentação Infantil.
 

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