Mais eficazes, contraceptivos de longa duração evitam gravidez por até 10 anos

Fernanda Lima
Implante subcutâneo e dispositivos DIU e SIU também reduzem as dores das cólicas menstruais e os sintomas da TPM

Saiba mais sobre os contraceptivos de longa duração.


Métodos contraceptivos, como a camisinha, a pílula anticoncepcional ou o anel vaginal, são os mais comuns para evitar a gravidez. Entretanto, a desvantagem dessas opções é a curta duração e a necessidade de renovação constante. Para quem tem memória fraca ou prefere métodos mais duradouros, os LARCs (Long Acting Reversible Contraception ou Contracepção Reversível de Longa Duração, em português) são ótimas opções.

Há três opções disponíveis deste tipo de contraceptivo: o implante subcutâneo, popularmente chamado de "chip"; o dispositivo intrauterino com cobre (DIU); e o sistema intrauterino (SIU) liberador de levonorgestrel – um DIU com hormônio. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), esses métodos são considerados os mais eficazes para evitar a gravidez. 

De acordo com Cristina Guazzelli, professora de Medicina Fetal do Departamento de Obstetrícia da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), dentre os benefícios dos contraceptivos de longa duração estão a facilidade de utilização e o bloqueio da fertilidade pelo tempo desejado. 

Além disso, os LARCs não dependem do uso diário sempre na mesma hora e nem da memória da usuária, por isso a taxa de eficácia desses medicamentos é maior. A professora também cita como benefício dos métodos a melhora nas cólicas menstruais, a diminuição do sangramento e a redução dos sintomas da TPM.

Como funciona: implante subcutâneo 

O implante é inserido no braço não dominante da paciente, embaixo da pele. Trata-se de um bastonete de 4 cm de comprimento, produzido por um material plástico especial, flexível e estéril. Contém em sua composição um hormônio sintético, chamado etonogestrel, muito utilizado nas pílulas anticoncepcionais.

A progesterona, outro hormônio contido no implante, é liberada gradualmente no organismo, com a função de inibir a ovulação, o que impede a gravidez. Esse método contraceptivo tem ação de três anos.

Como funciona: dispositivos intrauterinos (DIU e SIU)

Tanto o DIU de cobre quanto o DIU com hormônio (SIU) são colocados dentro do útero, na cavidade intrauterina. Eles transformam o útero em um ambiente hostil aos espermatozoides, evitando a chegada dos mesmos até as trompas. 

O DIU com cobre (que é um metal) pode ser utilizado por até 10 anos, pois o cobre tem ação espermaticida. Já o SIU, libera a progesterona no útero gradualmente, por até cinco anos. Esse hormônio altera a secreção do colo uterino, impedindo e dificultando a penetração dos espermatozoides.

Efeitos colaterais 

Os métodos que contem hormônio (o implante e o SIU) podem causar um sangramento irregular. Depois de 4 a 6 meses, este problema é reduzido ou erradicado, mas em alguns poucos casos pode haver pequenos sangramentos prolongados (manchas na calcinha). No entanto, isso não afeta a eficácia do método ou gera qualquer risco para a saúde.

Ainda segundo Guazzelli, há poucas situações em que os LARCs são contraindicados, por isso há necessidade de avaliação médica. Por não terem estrogênio, geralmente, o método pode ser usados por mulheres que estão amamentando ou por aquelas que têm contraindicação para o uso deste hormônio.

Além disso, explica a especialista, o uso de qualquer um destes métodos é reversível, ou seja, pode ser interrompido se houver o desejo pela maternidade. “Quando retirados, ocorre o retorno da fertilidade pré-existente imediatamente ou logo após não importando por quanto tempo a pessoa utilizou o método”, explica a especialista.

Por fim, a especialista esclarece que procedimento para qualquer um dos métodos é simples, rápido e costuma ser realizado no consultório médico, mas que é importante o acompanhamento de um especialista para avaliar o perfil de cada paciente e indicar o melhor método anticoncepcional, seja ele de curta ou longa ação.

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