Cisto de Bartholin: quais são as causas e como tratar?

Fernanda Lima

Problema, que atinge cerca de 2% das mulheres em idade fértil, ocorre quando o muco produzido pela vulva é obstruído, causando a falta de lubrificação na vagina

Conheça quais são as causas, sintomas e tratamentos do cisto de Bartholin.


Localizada dentro da vulva, parte externa da genitália feminina, a glândula de Bartholin é responsável por produzir um muco que umedece e lubrifica a vagina, principalmente durante a excitação sexual.

Entretanto, cerca de 2% das mulheres em idade fértil sofre de uma obstrução dos ductos que fazem a drenagem natural deste muco produzido pela glândula. Como consequência desta obstrução, ocorre o que é popularmente chamado de cisto de Bertholin

Segundo a Dra. Marina Silva Fernandes, ginecologista da rede de centros médicos Dr. Consulta, em alguns casos, esses cistos podem inflamar, por meio de contaminação bacteriana, formando o que é chamado de abcesso da glândula de Bartholin, ou simplesmente Bartholinite.

Sendo assim, a principal causa do surgimento dos cistos e dos abscessos da glândula de Bartholin é a obstrução dos ductos que drenam o muco produzido pela glândula. Já a obstrução destes dutos, segundo a ginecologista, pode ser causada por mudança na consistência do muco, trauma local ou obstrução congênita.

Principais sintomas

De acordo com Marina, os cistos, em geral, são pequenos e assintomáticos, podendo ser percebido apenas com o toque. Porém, caso cresça exageradamente, o cisto pode causar desconforto vulvar e até dor, principalmente durante o ato sexual.

Se ocorrer a contaminação bacteriana deste cisto, dando origem ao abscesso da glândula de Bartholin, o quadro torna-se mais sintomático. “Neste caso, a paciente pode ter dor intensa, aumento maior da tumoração vulvar, calor local, vermelhidão e, em casos mais graves, pode haver febre”, explica.

Como tratar? 

Para tratar este problema, no caso do cisto não estar infeccionado, ser pequeno e assintomático, a ginecologista indica banhos de assento e cuidados locais para aliviar pequenos desconfortos. Porém, cistos que crescem exageradamente podem necessitar de incisão e drenagem do conteúdo. "Em alguns casos é colocado um cateter que permanece no local por seis semanas, a fim de promover a drenagem do muco", explica a ginecologista.

Já o abscesso da glândula de Bartholin, por ser uma infecção, precisa de avaliação ginecológica cuidadosa. Casos mais leves, esclarece a especialista, são resolvidos com cuidados locais e antibióticos até que o abscesso se rompa, promovendo a drenagem espontânea.

"A incisão e a drenagem são procedimentos realizados no próprio consultório ou pronto socorro com anestesia local. É necessário que a paciente seja adequadamente orientada sobre a possibilidade de recorrência do quadro e necessidade de nova incisão e drenagem", explica a expert.

Em caso de não resolução com incisão e drenagem, pode-se lançar mão da marsupialização, procedimento que exige maior anestesia e geralmente é realizado em ambiente hospitalar ou clínicas equipadas para pequenas cirurgias. 

Apesar da maioria dos casos serem resolvidos com a incisão, drenagem ou marsupializaçao, algumas pacientes apresentam recorrência frequente do cisto de Bertholin. "Nesses casos está indicada a cirurgia de retirada da glândula de Bartholin, também chamada de Bartholinectomia".

Cisto de Bartholin pode desaparecer em alguns dias

Segundo Marina, o cisto de Bartholin, se pequeno e assintomático, pode regredir espontaneamente em poucos dias. Porém, o abscesso da glândula de Bartholin é uma condição que exige avaliação médica com provável intervenção (drenagem ou cirurgia).

Tanto o cisto da glândula de Batholin quanto o abscesso são diagnosticados pela história clínica (sinais e sintomas) e pelo exame físico. Quando ocorrem durante a gestação, não existe um risco direto para o bebê.

Além disso, finaliza Marina, em geral, o cisto de Bertholin é benigno e facilmente tratado, porém, existe a possibilidade da ocorrência de câncer da glândula de Bartholin, mais comum na paciente acima de 40 anos.

"Nestas pacientes deve-se considerar como opção terapêutica a cirurgia de retirada da glândula ou a realização de biópsia das paredes do cisto para excluir a possibilidade de malignidade", encerra a ginecologista.

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