Conheça os sete principais efeitos colaterais dos anticoncepcionais

Daniel Navas

Entre os desconfortos causados pelos contraceptivos, encontram-se: náusea, alteração no fluxo menstrual e aumento de peso

Efeitos colaterais dos anticoncepcionais  estão relacionados com a composição do remédio. © iStockphoto.com/belchonock

 

Desenvolvida inicialmente apenas para evitar a gravidez, a pílula anticoncepcional ganhou outras finalidades de uso. Com o avanço das pesquisas clínicas e o aumento do conhecimento da fisiologia do ciclo menstrual, a ciência chegou a composições diferentes do remédio, que passou a ser prescrito também para prevenir determinadas doenças.

Mas mesmo com as novas indicações e capacidade de controlar, por exemplo, os efeitos da endometriose, algumas mulheres ainda enfrentam problemas com os  efeitos colaterais dos anticoncepcionais. A Revista da Mulher pediu a ajuda a alguns profissionais para listar quais seriam os principais problemas decorrentes do medicamento. Veja só!

1. Náuseas

É muito comum esse tipo de efeito colateral do anticoncepcional, principalmente nos primeiros meses de uso da pílula. Esse sintoma se dá devido a um tipo de hormônio sintético, o etinilestradiol, presente em algumas pílulas. Para evitar tal problema, o ideal é tomar a pílula anticoncepcional logo após uma refeição.

“Outra alternativa é trocar a via de administração do medicamento de modo a excluir a passagem pelo fígado. Como quando se usa o remédio injetável, em adesivos e outros”, esclarece Celina Sollero, médica ginecologista e professora do curso de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas.

2. Alteração do fluxo menstrual

Esse efeito colateral do anticoncepcional pode causar um sangramento inesperado, o chamado spotting. “Esse sintoma é muito comum nas mulheres que fazem uso de pílula em horários irregulares e naquelas que fazem uso do medicamento com o hormônio progestógeno”, conta Cecília Pereira, ginecologista da All Clinik, no Rio de Janeiro.

Por outro lado, o anticoncepcional bloqueia a ovulação e tende a deixar o endométrio (camada interna do útero) mais fino. “O fluxo de sangramento se regularizar e diminui sua quantidade”, aponta Erica Mantelli, ginecologista e obstetra, de São Paulo.

Então, para evitar o primeiro caso de efeito colateral do anticoncepcional, o indicado é procurar o médico responsável para tentar mudanças nas dosagens e combinações de hormônios, além da troca do método proposto.

“Já no segundo caso, de modo geral, a diminuição do fluxo causada pela pílula é um efeito positivo, especialmente quando a mulher tem algum fator predisponente para anemia”, pondera Celina.

3. Aumento de peso

De acordo com as profissionais, na maioria dos casos, é mínimo o efeito colateral dos anticoncepcionais quando o assunto é o aumento de peso. “Primeiramente, é preciso avaliar a dieta e se a paciente está praticando atividade física regularmente”, conta Celina. 

Algumas mulheres têm inchaço e, por isso, a sensação de maior peso. “A redução do nível de hormônios ou mudança de método podem ajudá-las a não aumentarem de peso ou reterem líquidos”, acrescenta a ginecologista.

4. Acne

As espinhas podem surgir por conta do aumento da oleosidade da pele. Mas esse efeito colateral do anticoncepcional também acontece quando a pílula possui em sua composição o progestógeno.

E para evitar que esse problema surja, o ideal é ter alguns cuidados gerais, como manter a pele limpa e retirar toda a maquiagem antes de dormir, assim como adequar a composição da pílula ao tipo de pele. “Sem esquecer do controle da dieta e usar cosméticos corretos. Trocar o método contraceptivo também pode ser necessário”, comenta Erica.

5. Mudanças de humor

Essas alterações são mais comuns em pacientes que usam a pílula há algum tempo, devido à mudança na produção de serotonina, um neurotransmissor fabricado pelo corpo, que é responsável pelo bom humor e sensação de bem estar.

“Alguns nutrientes como vitaminas do complexo B e o triptofano podem ser obtidos na dieta e ajudam na produção da serotonina. Um nutricionista pode ajudar na inclusão de alimentos que ofereçam esses nutrientes. Além disso, a prática de atividade física também ajuda na produção da serotonina, mas, em alguns casos, a troca do método contraceptivo é necessária”, diz Cecília.

6. Inchaço

“É conhecido o efeito da progesterona sobre a retenção hídrica no organismo, que ocorre na segunda fase de um ciclo menstrual fisiológico e, também, num ciclo induzido por pílulas que contenham esse hormônio. Quando esses sintomas são muito intensos, pode-se usar determinadas pílulas associadas a diuréticos leves”, explica Celina Sollero.

Além disso, exercícios físicos e elevação dos membros inferiores podem ajudar a diminuir esse efeito colateral do anticoncepcional. Outra opção é a mudança do tipo de pílula, ou da via de administração (para injetável ou adesivos).

7. Trombose

Segundo as profissionais, de modo geral, esse efeito colateral do anticoncepcional acontece em usuárias de pílula que já apresentam algum tipo de fator predisponente, que são as trombofilias

“Se a mulher apresentar qualquer fator de risco ou alterações nos exames para trombofilia não deve usar método anticoncepcional hormonal. Praticar atividade física regularmente, evitar sobrepeso, ou obesidade e não fumar diminuem os riscos”, finaliza Erica Mantelli.

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