Tricomoníase: todas as informações sobre a doença

Daniel Navas

A tricomoníase é uma infecção causada por um protozoário e, geralmente, é transmitida por meio da relação sexual

A tricomoníase é responsável por 10 a 15% das DSTs em países desenvolvidos e 30 a 40% das DSTs em países em desenvolvimento. © iStockphoto.com/SIphotography

 

Responsável por 170 milhões de casos anualmente no mundo, sendo 92% em mulheres, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a tricomoníase é uma infecção genital causada pelo protozoário Trichomonas Vaginalis. Sua transmissão ocorre por meio das relações sexuais ou contato íntimo com secreções de uma pessoa contaminada. 

A doença se manifesta principalmente em situações de alteração do pH vaginal, queda da imunidade e alterações vaginais ou do colo do útero. E são diversos os sintomas da tricomoníase. De acordo com Rogério Felizi, ginecologista e obstetra e coordenador da Maternidade Brasil, em Santo André, os sinais são:

  • presença de dor e irritação vulvar;
  • dor durante a relação sexual;
  • dor ao urinar e aumento da frequência das micções;
  • vagina inflamada;
  • presença de secreção vaginal branca e bolhosa, acompanhada de odor desagradável tipo "cheiro de peixe".

Mulheres sexualmente ativas

Os dados são alarmantes, tanto que a tricomoníase é responsável por 10 a 15% das doenças sexualmente transmissíveis em países desenvolvidos e 30 a 40% das DSTs em países em desenvolvimento. E por se tratar de uma infecção onde a principal via de transmissão é através das relações sexuais, a doença é mais frequente em adultos jovens, faixa etária na qual a atividade sexual é mais intensa. 

“E as mulheres estão mais propensas a desenvolver a tricomoníase. Isso porque a mucosa vaginal e colo uterino são mais sensíveis. O número de parceiros também é muito importante para a disseminação da patologia”, alerta Élvio Floresti Junior, ginecologista e obstetra. 

O diagnóstico da tricomoníase

O teste para detectar a tricomoníase é realizado através do estudo das secreções vaginal e uretral, através da análise em microscópio, onde é identificado a presença do protozoário Trichomonas Vaginalis.

“Por ser uma DST, recomenda-se a realização simultânea de pesquisa de outras doenças que também apresentam transmissão através da relação sexual, como sífilis, hepatite B e C e HIV”, esclarece Felizi.

A importância do tratamento

Ao ser detectada com tricomoníase, é preciso que a mulher logo passe pelo processo de tratamento, afinal de contas, a doença tem cura. “É indicado o tratamento tópico local e também via oral”, aponta Erica Mantelli, ginecologista e obstetra, de São Paulo.

Para isso, são usados cremes específicos (no tratamento local) com tetraciclinas, tinidazol e metronidazol, que são bem eficientes. “A terapia fica sempre melhor se for associada ao uso de antibióticos. Sem esquecer que o parceiro também deve seguir o tratamento, pois mesmo que ele não esteja com os sintomas, pode acabar transmitindo para outras pessoas”, aponta Junior.

Além disso, é necessário utilizar preservativos em todas as relações sexuais até a confirmação da cura. “É estimado que 20% dos pacientes tratados voltem a se infectar em menos de três meses, principalmente por manter atividade sexual sem proteção adequada”, alerta Felizi. 

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