Dispareunia: conheça as causas da dor durante a relação sexual

Carolina Ferreira

A dispareunia tem diversos motivos que vão de falta de lubrificação até problemas no sistema reprodutor

Dor na relação sexual não é algo normal.@iStok/nd3000


A dor na relação sexual atinge uma entre cinco mulheres brasileiras. O desconforto, chamado de dispareunia, pode acontecer tanto durante como logo após o ato.

"É a segunda queixa mais comum de problema sexual em ginecologistas, ficando atrás apenas da falta de desejo sexual", explica Humberto Tindó, ginecologista do Hospital Quinta D’Or.

As causas para isto são inúmeras. Lúcia Alves da Silva Lara, presidente da Comissão de sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), lembra que os motivos vão de lubrificação insuficiente até o vaginismo, que são contrações involuntárias da vagina.

"O vaginismo tem um forte apelo psíquico. São problemas relacionados a histórico de abuso sexual, repressão grave e violência sexual", explica ela, que salienta que a mulher não estar suficientemente preparada para a relação também causa dor.

"Quando uma mulher não está excitada, talvez numa relação sem desejo, a dor também pode surgir". 

Dispareunia: possíveis causas

Entre os outros motivos para a dor durante a relação estão:

  • vulvodinia (irritação crônica na vulva);
  • doença inflamatória pélvica (DIP);
  • infecção do trato urinário;
  • tumores genitais como câncer vulvar ou câncer vaginal;
  • tumores ovarianos; 
  • cistite intersticial; 
  • trauma pós-parto;
  • infecções por fungos ou bactérias; 
  • doenças sexualmente transmissíveis.

Além disso, a dispareunia pode ser causada por efeitos colaterais a certos medicamentos e reações alérgicas  a  contraceptivos, lubrificantes, roupas e cera para depilação. Endometriose, lesões genitais, infecções vaginais ou vaginite e herpes simples genital podem também causar dor durante a relação sexual.

Avaliação no consultório

Tindó explica que o diagnóstico destas condições requer um exame ginecológico completo, e, em alguns casos, uma pequena biópsia da pele com anestesia local no consultório. Antes de um diagnóstico de problemas psicológico, o médico afirma que  é essencial fazer diversos exames físicos para excluir outras possibilidades e, em grande parte das vezes a abordagem deve ser multiprofissional.

"Obviamente que a busca pelo tratamento deve ser feita na medida do incômodo que isto provoca na vida da pessoa. É muito individual. Não basta querer procurar a ajuda porque é preciso se permitir o reconhecimento da necessidade da ajuda e que os medos e inseguranças não freiem essa busca", considera ele.

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