Síndrome do choque tóxico: usar absorvente íntimo pode causar a doença

Fernanda Lima

Síndrome do choque tóxico pode surgir após o uso inadequado de absorvente interno, e causar sintomas como febre, insuficiência de vários órgãos e até levar à morte

Conheça os sintomas e as causas da síndrome do choque tóxico. © iStock/Obencem

 

O absorvente interno é considerado uma das opções mais higiênicas pelos médicos. Porém, o assunto é controverso. Recentemente, uma jovem morreu vítima de infecção após o uso do famoso absorvente e outra teve uma perna amputada. Os fatos despertaram um alerta sobre o tema. As duas mulheres foram diagnosticada com a síndrome do choque tóxico, uma doença rara, mas grave, causada por uma toxina bacteriana.

Segundo o Dr. Patrick Bellelis, ginecologista e obstetra, especialista em endometriose, a síndrome de choque tóxico é manifestada quase exclusivamente em mulheres e resulta de toxinas produzidas por dois tipos de bactérias: a Staphylococcus aureus e Estreptococos. Esta síndrome pode ocorrer quando a bactéria infecta o tecido (por exemplo, em uma ferida) ou surgir através de um absorvente interno introduzido na vagina. 

Porém, o médico explica que ainda não se sabe exatamente por que os absorventes íntimos aumentam o risco dessa síndrome. Sabe-se, no entanto, que ficar com o mesmo absorvente interno por muito tempo favorece feridas no canal e aumenta os riscos desta síndrome.

É possível também que bactérias do meio ambiente sejam levadas ao interior da vagina pelo uso do absorvente interno, o que pode causar inflamações ou mesmo infecção urinária. Neste caso, o problema pode ser evitado com uma boa higiene, ou seja, lavando-se bem as mãos antes de manipular o produto e introduzi-lo assim que retirar a embalagem protetora.

Vale dizer que o uso dos absorventes internos não é a única forma de contaminação. Deixar um diafragma na vagina por mais de 24 horas, por exemplo, também aumenta o risco. A síndrome ainda pode ocorrer quando uma incisão cirúrgica se infectar ou após o parto, caso o útero esteja infectado. Pessoas saudáveis que tenham infecção de tecido por estreptococos, geralmente localizadas na pele, também podem contrair a síndrome.

Quais são os sintomas da síndrome do choque tóxico?

A síndrome compreende um grupo de sintomas graves e rapidamente progressivos que incluem febre, erupção cutânea, pressão arterial perigosamente baixa e insuficiência de vários órgãos. No entanto, Dr. Bellelis destaca que os sintomas e o prognóstico da síndrome de choque tóxico variam, dependendo de os causadores serem os estafilococos ou estreptococos. 

Porém, algo não muda: os sintomas se manifestam subitamente e pioram rapidamente ao longo de poucos dias. A pressão arterial cai para níveis baixos e diversos órgãos como os rins, o fígado, o coração e os pulmões funcionam mal ou param de funcionar. Outros sintomas que podem aparecer são:

  • febre alta,
  • dor de garganta,
  • olhos vermelhos,
  • diarreia,
  • dores musculares,
  • erupção cutânea semelhante à queimadura de sol, que cobre todo o corpo, incluindo as palmas das mãos e solas dos pés, levando à descamação da pele.

Quando a causa está relacionada ao absorvente interno infectado por estafilococos, a síndrome pode retornar, geralmente dentro de 4 meses do primeiro episódio. A recidiva pode ocorrer mais de uma vez e cada episódio tende a ser mais leve. 

A síndrome do choque tóxico é diagnosticada através da avaliação de um médico, exames de sangue de rotina, ressonância magnética ou tomografia para verificar o local de infecção.

Como tratar a síndrome do choque tóxico

Após o diagnóstico da doença, o ginecologista explica que a paciente faz uso de medicamentos via intravenosa e outros que aumentam a pressão arterial a níveis normais, além de antibióticos. Absorventes internos, diafragmas e outros objetos estranhos são removidos imediatamente da vagina e é realizada uma limpeza na área infectada. 

Em casos mais graves, é indicado o uso de imunoglobulina (que pode neutralizar a toxina). Áreas que poderiam conter a bactéria, como feridas cirúrgicas e a vagina, são lavadas com água (irrigadas). Se as feridas estiverem infectadas, pode ser necessária cirurgia para limpá-las, para remover tecido infectado ou, às vezes, se a gangrena se desenvolver, remover um membro.

Se não tratada, a síndrome do choque tóxico pode evoluir para casos mais graves, podendo, inclusive, levar a paciente à morte.

Como prevenir o problema?

O ginecologista indica que as mulheres que usam absorventes internos devem tomar algumas medidas para prevenir a infecção:

  • Usar a menor quantidade de absorventes internos necessária; 
  • Alternar o uso de absorventes internos e absorventes externos;
  • Trocar os absorventes íntimos a cada 4 a 8 horas;
  • Mulheres que já tiveram síndrome do choque tóxico não devem usar absorventes internos ou diafragmas.

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