Acretismo placentário: conheça a doença que impediu Kim Kardashian de engravidar

Fernanda Lima

Patologia pode causar uma hemorragia severa durante e no pós-parto, com risco de perda do útero após o nascimento do bebê

Conheça melhor o acretismo placentário, doença que atingiu Kim Kardashian. © Shotwell/Shutterstock/SIPA

 

Kim Kardashian, uma das celebridades mais famosas do mundo, revelou em 2015 que sofria de uma doença séria: o acretismo placentário. A patologia pode levar a mulher a uma hemorragia severa durante e após parto, com risco de perda do útero depois o nascimento do bebê. A socialite chegou a ter uma segunda gravidez, mas na terceira optou pela barriga de aluguel para evitar mais riscos.

Segundo o Dr. Ricardo Andrade Freire, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, unidade Anália Franco, o acretismo placentário é uma doença caracterizada pela invasão profunda da placenta na parede uterina. Isto ocorre logo no início da gestação, quando o embrião chega ao útero.

Neste momento, um complexo vascular começa a ser gerado para a formação da placenta. Porém, em alguns casos, esse processo é tão eficiente que ultrapassa profundamente a parede uterina, podendo até comprometer órgãos próximos, por exemplo, a bexiga e o intestino. “Quanto maior for a invasão da placenta para os órgão adjacentes, mais grave é a doença”, explica Ricardo.

Quem tem pré-disposição à doença? 

Segundo o ginecologista, a pré-existência de cicatrizes no útero ocasionadas por cesáreas, curetagens e a remoção de miomas podem predispor a grávida ao acretismo. Por isso, destaca, é importante o acompanhamento médico, pois durante o pré-natal o especialista identificará a profundeza de penetração da placenta para tentar evitar complicações, que são possíveis apenas ao momento do parto. 

“Infelizmente não há como impedir que o acretismo ocorra ou progrida. Inclusive, geralmente não é possível prever a doença antes do nascimento do bebê”, completa.

Sintomas e riscos do acretismo placentário 

Segundo Dr. Ricardo Freire a maioria dos casos da doença não apresenta sintomas específicos e quando surge algum, é sinal de que a placenta já invadiu alguns órgãos adjacentes ao útero. Por exemplo, se invadiu o intestino, a grávida pode ter sangue nas fezes; já a bexiga, os sintomas são cólica, muita dor abdominal e vontade demasiada de urinar.

O perigo é somente no momento do parto e no pós-parto imediato, ou seja, a doença não causa problemas durante a gravidez, o que não exime a necessidade da parturiente de alguns cuidados como boa alimentação e repouso absoluto

“O que acontece é que durante o parto a placenta não sai por completo, comprometendo a contração uterina. Além disso, pode provocar uma hemorragia séria, podendo até ser necessário remover o útero”, explica Ricardo.

É possível engravidar novamente?

Segundo o médico, a segunda gestação é possível se o acretismo da primeira gestação não foi grave, o endométrio estiver refeito e o útero não apresentar grandes cicatrizes em sua extensão. Mas, todos os cuidados devem ser tomados já no pré-natal e a mãe deve seguir com rigor as recomendações médicas, pois a reincidência da doença é possível.

O médico destaca que o mais importante é diagnosticar a doença com antecedência. Em alguns casos, os cuidados médicos começam ainda durante a gravidez. Ele destaca as medidas preventivas que devem ser tomadas para o parto. “É muito importante que as parturientes com esse problema estejam em um ambiente hospitalar de qualidade, com uma equipe especializada preparada para caso ocorra alguma intercorrência", destaca.

"A medicina intervencionista, por exemplo, é essencial nos casos que já se sabe o grau do acretismo, pois preparam a paciente para o parto, colocando cateteres que bloqueiam as artérias que irrigam a área comprometida coibindo assim o sangramento excessivo. Esse procedimento é necessário ser feito antes mesmo da retirada do bebê”, finaliza o ginecologista.

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