Pólipos uterino: conheça os fatores de riscos

Daniel Navas

Lesões tumorais de pequenas dimensões, os pólipos uterinos são geralmente causados por um possível desequilíbrio hormonal

A maioria dos pólipos apresenta-se como único e aproximadamente 20% deles podem ser múltiplos. © iStockphoto.com/monkeybusinessimages


Os chamados pólipos uterinos são lesões tumorais de pequenas dimensões, na grande maioria com características benignas, ou seja, não causam danos fatais). Desenvolvem-se no endométrio (porção interna da cavidade do útero) e têm baixo potencial de se tornarem malignos. As lesões podem apresentar sinais como cólicas e sangramento anormal, mas, muitas vezes, não desencadeiam nenhum sintoma.

“A maioria dos pólipos apresenta-se como único e aproximadamente 20% deles podem ser múltiplos”, aponta Marisa Patriarca, ginecologista, obstetra e professora de ginecologia do curso de pós-graduação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Grupos de risco

Embora não exista consenso em relação à causa dos pólipos uterinos, muitos profissionais da área acreditam que sua origem decorre de um possível desequilíbrio hormonal associado a fatores genéticos.

Além disso, alguns perfis de mulheres também podem desenvolver o problema mais facilmente. “São aquelas que tenham histórico de alterações hormonais, principalmente produção aumentada de estrogênios, assim como as obesas, com hipertensão arterial sistêmica ou que usem alguns medicamentos, como o tamoxifeno (utilizado no tratamento do câncer de mama)”, explica Fábio Cabar, ginecologista, obstetra e especialista em gestação de alto risco.

Diagnóstico e tratamento

Para detectar os pólipos, geralmente, o médico indica uma ultrassonografia transvaginal ou então a chamada histeroscopia diagnóstica, que é realizada ambulatorialmente (clínica ou consultório).

“Nesse exame, é colocada uma pequena câmera, que pode variar de 3,9 a 5 mm de diâmetro, dentro do útero e é feita uma visualização direta do canal e cavidade uterina”, esclarece Alessandro Scapinelli, ginecologista, membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Sobre o tratamento, Scapinelli explica que, antes da menopausa, pode-se adotar a conduta expectante, ou seja, apenas a observação do avanço do quadro, para aquelas com tumores únicos, menores que 15 mm e que não tenham fatores de risco para o desenvolvimento de pólipos malignos, como obesidade, anovulação crônica e relato do uso de tamoxifeno. 

Para quem não tem sintomas e está na pós menopausa, a terapia também precisa ser individualizada de acordo com os fatores de risco já mencionados. “Caso opte-se pela observação, o acompanhamento anual com a ultrassonografia transvaginal é aconselhável”, acrescenta o ginecologista.  

Para as pacientes que têm sintomas, ou seja, desconfortos constantes, a polipectomia (retirada dos pólipos) é recomendada, principalmente antes da menopausa, porque é nesse período que existe maior propensão dos pólipos se tornarem malignos.

“Por via vaginal, é colocada uma câmera dentro do útero. Ao aparelho, estão associados alguns instrumentos que possibilitam a retirada do pólipo junto à parede do endométrio”, explica Scapinelli.

Reincidência

Embora as chances sejam pequenas, os pólipos podem voltar, mesmo com a sua retirada. E por isso, é importante manter o acompanhamento ginecológico. Para evitar esse retorno, manter hábitos saudáveis, como dieta e prática rotineira de atividade física, é recomendado.

“Para evitar o reaparecimento do pólipo também é indicada a realização da histerectomia (retirada do útero). Essa conduta, por ser radical, deve ser reservada a pacientes que estejam na pré-menopausa e menopausa, ou seja, sem chances de se tornarem mães”, alerta Fábio Cabar.

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