Reprodução assistida: quando a ciência ajuda a realizar o sonho de ser mãe

Ana Paula Cardoso
Conheça as chances e os riscos de engravidar através da técnica de reprodução assistida

Reprodução assistida é um dos caminhos para realizar o sonho da maternidade.


Graças ao contínuo avanço da ciência, a infertilidade humana não é mais impedimento para quem quer engravidar. A reprodução assistida se popularizou no país e hoje os casais inférteis ou mesmo mulheres sem companheiros homens já podem realizar o sonho de ter um bebê. Indicado nos casos de infertilidade humana – tanto de homens como de mulheres – a reprodução assistida, também chamada de fertilização in vitro,  consiste em inserir nas mulheres embriões já fecundados em laboratórios.

Na técnica de reprodução assistida, tanto os  óvulos como os espermatozoides podem ser do próprio casal que busca engravidar ou de doadores – conhecidos ou de bancos de sêmen ou óvulos. Algumas das dúvidas mais frequentes entre esses casais é saber qual o momento certo de se procurar a reprodução assistida

No caso de casais héteros que tenham uma vida sexual ativa, a recomendação é testar os métodos naturais durante um período de até um ano, antes de procurar a fertilização in vitro.

Tentativas antes da reprodução assistida

Um casal jovem, que tenha relações sexuais frequentes e bem distribuídas ao longo do período fértil, sem o uso de métodos contraceptivos, pode aguardar até um ano antes de tentando a fecundação por métodos naturais. Caso depois deste período não tenha conseguido engravidar, recomenda-se procurar ajuda de um especialista em reprodução humana.

De acordo com o Dr.Daniel Suslik Zylberzstejn, médico do setor de reprodução humana do Hospital São Paulo, cerca de 88% dos casais irão engravidar naturalmente dentro do primeiro ano. “Nos  primeiros seis meses de tentativas mais de 60% dos casais irão engravidar naturalmente e o restante nos outros seis meses”, informa o especialista.

Devido a esta estatística, recomenda-se que aqueles casais em que a mulher tem 35 anos ou mais inicie uma avaliação após o sexto mês sem sucesso. A partir desta idade já há uma queda do potencial reprodutivo da mulher. 

Idade influencia na fertilização in vitro

Engana-se quem pensa que a reprodução assistida é a solução para a decisão da maternidade tardia. O sucesso dessa técnica está muito relacionado à idade da mulher. “A fertilização in vitro não tem o potencial de melhorar a qualidade do óvulo. E a qualidade do óvulo da mulher está diretamente relacionada à idade”, explica o Dr. Zylberzstejn.

A não ser nos casos em que as mulheres congelam seus próprios óvulos, quanto mais idade tiver a paciente, menor é a chance de uma gravidez ocorrer, mesmo com o uso das técnicas de reprodução assistida. A chance de uma mulher acima de 42 anos engravidar com a fertilização in vitro utilizando os óvulos próprios, por exemplo, é menor que 10%. 

“Em muitos casos a única chance de uma mulher com mais idade ou com falência ovariana detectada conseguir ser mãe será apenas com o uso de óvulo doado. Nestes casos, as chances aumentam para até 50% dos casos”, orienta o médico do setor de reprodução humana do Hospital São Paulo.

Reprodução assistida sempre gera gêmeos?

As técnicas de tratamento de reprodução assistida estão cada vez mais seguras. Medicamentos altamente purificados ou reproduzidos sinteticamente nos laboratórios reduziram muito os efeitos adversos provenientes de seu uso. 

“Os efeitos mais comuns são o aumento de peso devido à retenção hídrica, mamas doloridas e alteração no humor, sintomas muito parecidos com as vivenciadas na ‘tensão pré-menstrual’ (TPM)”, orienta o Dr. Zylberzstejn. 

A gravidez múltipla, gestação de mais de um bebê no ventre, tende a reduzir de frequência com a nova legislação brasileira, que agora regulamenta o número de embriões transferidos de acordo com a idade da mãe. Mulheres de até 35 anos podem receber no máximo 2 embriões, seguido de 3 embriões em pacientes até 39 anos e de 4 embriões após 40 anos.

De acordo com o Dr. Zylberzstejn, poucas são as contraindicações absolutas para a realização de um  tratamento de reprodução assistida. O maior problema encontrado é o uso dos hormônios para a estimulação ovariana. 

“Estes hormônios induzem a um aumento nos níveis de estradiol na mulher, podem ser arriscados em mulheres que apresentam previamente um estado de hipercoagulabilidade do sangue (doença conhecida como trombofilia)”, alerta o especialista.

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