Licença-paternidade: presença paterna na vida do recém-nascido é fundamental

Etiene Resende

Permanecer mais tempo com o bebê após o nascimento fortalece os laços entre pai e filho 

Momentos entre pai e filho recém-nascido é importante para criar laços.


A licença-paternidade de cinco dias está prevista na lei trabalhista brasileira e é um direito de todo trabalhador. A importância da presença do pai na vida do recém-nascido é tamanha, que recentemente o período de licença foi ampliado para 20 dias, mas disponível apenas aos funcionários de empresas que estejam vinculadas ao Programa Empresa Cidadã (criado pelo Governo Federal para incentivar alguns benefícios aos trabalhadores).

Numa sociedade que avança em questões relacionada à guarda dos filhos e já há meios legais e científicos (exames de DNA) de acabar com a condição de mãe solteira, a discussão a respeito da importância da presença paterna nos primeiros dias de vida do filho tornou-se proeminente.

No começo, a licença-paternidade polarizava a opinião pública entre dois argumentos. Por um lado foi considerada necessária apenas no sentido de o homem 'ajudar' com as tarefas diárias e no apoio à mãe. Por outro, defendia-se como necessária também em relação ao aspecto psíquico.

Pai começa a sentir a presença do filho

Segundo especialistas, os dois lados da discussão estão corretos e se complementam. Para a pediatra Patrícia Franceschini, a presença do pai nos primeiros dias de vida do bebê contribui, sim, de maneira mais efetiva para o bem-estar de mãe e filho. 

“É tudo muito novo (quando há um recém-nascido em casa) e muitas adaptações devem ser feitas para que tudo transcorra da melhor maneira possível. E nisso o pai ajuda muito”, afirma a pediatra.

Não somente em relação às questões práticas do dia a dia, como apoiar a mãe que se recupera do parto e cuidar dos afazeres domésticos, a lei é importante. A médica lembra ainda que a licença-paternidade é também o momento oportuno para o pai finalmente sentir a presença do filho, após uma longa gestação. 

“O pai acompanhou tudo de perto e agora que o filho está em seus braços ele quer – e deve – aproveitar ao máximo todos os momentos”, ressalta a Dra. Patrícia.

Licença-paternidade e a construção de laços

O pós-parto é um momento de transição para o pai, no aspecto psíquico e afetivo. Considerando-se que a mãe percebe a maternidade bem antes, uma vez que ela sofre as alterações no corpo, sente o bebê se mexer na barriga etc. 

“Já o homem começa a sentir-se efetivamente pai após o parto, quando se concretiza a paternidade e ele pode segurar o filho no colo. Isso não acontece de uma hora para outra. É um processo no qual o homem fica ali, entre a relação da mãe com o filho, procurando onde ele se localiza”, explica a psicóloga Marilane Resende.

A psicóloga reforça ainda que a licença-paternidade contribui para a construção de laços entre pai e filho. Inclusive as tarefas mais corriqueiras podem promover esta proximidade. 

"A mulher precisa muito do apoio do companheiro em todos os sentidos e atitudes simples como buscar o bebê no berço para a amamentação, constrói o vínculo afetivo entre pai e filho", destaca a psicóloga.

Cinco dias de licença-paternidade é pouco

Segundo a especialista, neste momento em casa após o parto é quando o pai sente-se útil. Muitas vezes o homem quer aproveitar estes momentos com a mulher e o filho, mas é privado disso pelas obrigações profissionais.

“Quando pensamos nos cinco dias garantidos por lei - lembrando que ainda há o período de internação da mãe – sobram, em média, dois a três dias. É pouco tempo para esse contato íntimo de pai e filho. Deveria ser bem mais”, ressalta Marilane Resende.

Uma dica é, quando possível, tentar coinciliar o período de férias de trabalho do pai com o nascimento do filho, para que ele possa estender e aproveitar melhor estes momentos. Adicionando 30 dias aos cinco de licença-paternidade. 

“Não quero dizer que não se estabeleça vínculos afetivos com a criança quando o pai  não pode ficar um período maior com o recém-nascido. Apenas reforço que este período contribui muito para que isso aconteça mais rapidamente”, conclui Marilane Resende

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