Parto de lótus: saiba mais sobre a prática que mantém o bebê ligado à placenta

Fernanda Lima

Considerado um ritual em muitos países, o parto de lótus mantém a placenta e o cordão umbilical ligados ao bebê após o nascimento

Saiba mais sobre o parto de lótus. © iStockphoto.com/Splendens


Muitas mães têm optado por partos naturais e humanizados, apoiadas na ideia de preservar a saúde do bebê. Dentre as práticas que prometem benefícios para o recém-nascido está também o parto de lótus, que consiste em conservar a placenta após o nascimento da criança, ou seja, o cordão umbilical não é cortado.

A prática é considerada um ritual em países como Indonésia e Austrália, além disso, é vista como uma experiência espiritual em muitas culturas. Segundo Alyni Dobkowski, enfermeira e especialista em saúde da mulher com ênfase em obstetrícia, a ideia de manter a placenta remete à crença de que existe uma conexão entre ela e o bebê.

"A placenta é mantida até a separação espontânea, ou seja, após a saída do bebê, o cordão umbilical é mantido, aguardando o desprendimento natural”, explica. O tempo de permanência dessa conexão pode ser de 3 até 10 dias.

As mulheres que optam por esse tipo de parto o veem como um ritual, entendendo a placenta como símbolo de vida e a energia vital que nutriu seu filho durante o desenvolvimento intra uterino. "A separação lenta, dia a dia, entre o bebê e a placenta traz um significado de transição gradual e de adaptação do bebê para a vida extra uterina”, acredita a especialista.

Benefícios do parto de lótus para o bebê

De acordo com Alyni, o fato de não cortar o cordão umbilical permite ao recém nascido receber o aporte de ferro e demais nutrientes advindos do sangue residual da placenta. Além disso, esta conexão pode apresentar outros benefícios emocionais para a mãe e família, uma vez que o parto de lótus requer dos cuidadores um zelo especial.

Especialistas acrescentam outros benefícios, tais como a transição de células vitais do cordão que aumentam a imunidade do bebê e ajudam a diminuir a possibilidade de desenvolver alguns problemas de saúde, como a anemia.

A ciência já comprovou que o corte tardio do cordão umbilical é bom para o bebê, que absorve mais sangue e nutrientes, além de ganhar mais peso. No entanto, não há estudos científicos que comprovem os benefícios do parto de lótus em si, tanto à saúde da mãe quanto a da criança. Por isso, a dica é conversar com o obstetra sobre os riscos e cuidados dessa prática no pós-parto.

Cuidados de higiene com a placenta

A especialista alerta que é preciso tomar cuidado com a preservação da placenta e do cordão umbilical do bebê. "O maior risco é o de infecção para o bebê, caso a inserção da cicatriz umbilical ao cordão umbilical e toda sua extensão não seja corretamente higienizada”, explica.

O cuidado com a placenta requer dedicação para evita qualquer foco de proliferação bacteriana. Algumas pessoas optam por colocar a placenta enrolada em um tecido, dentro de uma vasilha, outras a colocam direto dentro de uma vasilha. O mais importante é que a placenta esteja armazenada em algum lugar para facilitar o manuseio aos cuidados.

Dentro desta vasilha, pode-se acrescentar sal grosso, que favorece a desidratação da placenta, e algumas ervas e pétalas de rosa, para evitar o mal cheiro. Esse preparo, acrescenta Alyni, deve ser trocado diariamente, sempre que houver necessidade, até que haja, por fim, a separação.

Onde o parto de lótus pode ser feito?

No Brasil, o parto de lótus só pode ser realizado em casa, pois nas maternidades brasileiras há dois protocolos: ou a placenta é descartada como lixo hospitalar ou, se for de decisão da mãe, pode ser congelada e levada para casa. Por isso, este tipo de parto exige atendimentos domiciliares, como a necessidade de uma doula e um médico no local. 

 

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