Café na gravidez: entenda por que cafeína pode ser prejudicial para mãe e bebê

Daniel Navas

A ingestão de café na gravidez deve ser feita de forma cautelosa, caso contrário pode afetar a saúde da gestante e, sobretudo, do feto

A gestante deve consumir o mínimo possível de café na gravidez e, se possível, substitui-lo pela versão descafeinada. © iStockphoto.com/macniak


Muitas são aquelas que não consegue ficar sem um cafezinho após o almoço, ou no meio da tarde. Mas esse consumo exige atenção quando a mulher está grávida. Isso porque o café, quando ingerido de forma exagerada, pode causar problemas para a mãe e, principalmente para o bebê.

O ideal é que a mulher substitua o café normal pelo descafeinado. Para as gestantes que não conseguirem, o recomendado é não ultrapassar 200 miligramas de cafeína por dia. 

“Um café expresso curto, por exemplo, tem aproximadamente 64 miligramas de cafeína. Sugiro, então, verificar sempre a quantidade desse elemento, pois pode variar entre os tipos de grãos e produção da bebida. Importante lembrar que os descafeinados contém cafeína também, embora em quantidade muito menor”, esclarece Alessandro Scapinelli, ginecologista, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP).

No corpo delas

Quando se consome muita cafeína, ocorre o aumento da frequência cardíaca e do metabolismo corporal. “Motivos pelos quais o uso em grande quantidade pode provocar agitação e dificuldade para dormir”, aponta Caio Hartman, médico ginecologista e professor do curso de medicina da São Leopoldo Mandic, em São Paulo.

Beber muito café também causa uma maior vasoconstrição, que é a diminuição do diâmetro dos vasos sanguíneos. Para as gestantes, isso é problemático, pois pode influenciar no desenvolvimento placentário, diminuindo o suprimento de oxigênio para o feto.

Sem esquecer que o café, quando ingerido em excesso, pode provocar dificuldade na absorção do ferro pelo organismo. O nutriente, entretanto, é fundamental para a gestante que necessita de dose extra de ferro na gravidez.

O alimento também pode ser o responsável pelo aumento da secreção gástrica e refluxo gastroesofágico, e ansiedade, o que pode aumentar os problemas digestivos já comuns nas mulheres grávidas.

No corpo dos pequenos

Já para o feto, as consequências são mais graves. Quando a gestante consume café na gravidez, a cafeína atravesse a placenta, podendo atingir o líquido amniótico e corrente sanguínea do bebê.

“Como o fígado do feto ainda não está completamente maduro, esse elemento terá mais dificuldade para ser metabolizado, o que leva a um impacto maior para o bebê”, conta Scapinelli. 

Ainda de acordo com o ginecologista, o consumo de café na gravidez pode causar o aumento da frequência cardíaca do bebê e, em alguns casos, arritmias. Se consumida em grandes quantidades, pode levar à síndrome de abstinência, similar ao que acontece com qualquer droga. 

“Doses maiores de 200mg por dia podem aumentar a incidência de trabalho de parto prematuro e baixo peso ao nascer. Outra informação importante é que o consumo imediato de 200mg de cafeína pode reduzir em até 25% o fluxo placentário de sangue. Pessoalmente não recomendo para minhas gestantes a utilização da cafeína no primeiro trimestre, mas se o uso for inevitável, então consumir o mínimo possível”, alerta.

Dicas práticas para diminuir o consumo de café

Além do consumo de café, os alimentos à base de cafeína também devem ser evitados na gravidez. “Esse elemento é encontrado nas folhas de chá verde, no cacau, no guaraná, na erva-mate e em muitos alimentos industrializados, principalmente no refrigerante”, aponta Paula Crook, nutricionista da Patrícia Bertolucci Consultoria em Nutrição, em São Paulo.

Mulheres quem tem o costume de consumir muitos alimentos ricos em cafeína devem ficar atentas, pois a falta de cafeína costuma provocar sintomas de abstinência nos primeiros dias.

É possível apresentar fraqueza, tontura, fadiga e dor de cabeça. Segundo a nutricionista, a melhor maneira de amenizar esse tipo de reação é diminuir aos poucos a sua ingestão de cafeína da seguinte forma:

  • reduza gradualmente a quantidade de cafés consumidos ao longo do dia e a quantidade de pó para fazer cada bebida. Pessoas com o vício de tomar café no trabalho podem substituir pela bebida descafeinada;
  • diminua a quantidade de cafeína no chá, deixando o saquinho na água por menos tempo; 
  • troque o chá preto ou verde pelos de de ervas como camomila, erva cidreira e hortelã; 
  • não consuma refrigerante de forma alguma, pois além de apresentarem muito açúcar, eles acidificam o sangue e interferem na absorção do cálcio, nutriente envolvido diretamente no crescimento dos ossos. Além disso, muitos refrigerantes apresentam em sua composição o benzeno, uma substância cancerígena e o corante amarelo tartrazina (associado a alergias respiratórias);
  • diminua gradualmente a quantidade de chocolate consumida ao longo do dia.

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