Saiba tudo sobre o câncer de mama e cuide-se melhor

Etiene Resende
Doença devastadora mata mais de 60 mil mulheres por ano no Brasil, o que merece atenção de todos à prevenção e ao diagnóstico precoce

Diagnóstico precoce pode ser determinante para a cura da doença.


O câncer de mama é certamente uma das doenças que mais assustam as mulheres, mas também não é para menos. A patologia, quando não leva à morte, deixa sequelas físicas e psicológicas para o resto da vida, seja pelo tratamento difícil, a perda da autoestima com a queda do cabelo ou a retirada da mama, entre outros. 

De acordo com informações do Ministério da Saúde, cerca de 60 mil mulheres morrem anualmente por algum tipo de câncer, sendo que o que se desenvolve na mama ainda é o mais comum

Câncer de mama

Segundo a médica patologista Cristiane Nimir, especialista em mama e integrada ao núcleo de mastologia do hospital Sírio-Libanês, o câncer de mama é o crescimento exagerado e fora de controle do tecido mamário, que pode acabar infiltrando outros órgãos

A médica  explica que todos os órgãos de nosso corpo são formados por tecidos que se renovam, de tempo em tempo. Assim, novas células nascem e substituem as “antigas”, para manter a harmonia do funcionamento de todo corpo. 

“No entanto, por algum motivo hereditário, por ação do meio ambiente ou hábitos de vida, esse controle é perdido e as células começam a se multiplicar e proliferar desordenadamente. Assim, cresce uma massa de novas células com capacidade cada vez maior de invadir outros órgãos. Essa massa é o que chamamos de tumor e aparece como os nódulos ou caroços que vemos na mama”, detalha a Dra. Cristiane Nimir.

Impactos na vida da mulher

Segundo a especialista, atualmente, com os novos tratamentos e o diagnóstico precoce, as chances de cura são em torno de 90%, mas mesmo assim não reduz muito os impactos na vida da mulher. “Receber o diagnóstico e passar pelas fases do tratamento (cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia), podem significar sofrimento físico e emocional à paciente, seus familiares e amigos”, ressalta a especialista.

E estes impactos podem ser ainda maiores. “Os tratamentos para o câncer de mama afastam do trabalho a população economicamente ativa, muitas vezes, responsável pela manutenção do lar. Infelizmente, ainda é grande o número de pacientes que sofrem ao receber o diagnóstico como se fosse uma sentença, diminuindo sua força e capacidade de lutar contra a doença”, destaca Cristiane Nimir.

É possível evitar o câncer de mama?

Esta talvez seja a pergunta mais recorrente, mas, infelizmente, a resposta não é a mais esperada. Conforme explica a especialista. Podemos diminuir, e muito, os riscos do surgimento com a manutenção de hábitos saudáveis de vida como: alimentação, realização de atividade física, bem-estar. 

"Porém, algumas alterações genéticas hereditárias (Síndromes de Lynch e Li-Fraumeni, mutações nos genes BRCA 1/2), não nos permitem impedir o seu surgimento”, diz a médica. Cristiane Nimir destaca, no entanto, que os avanços tecnológicos ajudam a monitorar a doença antes mesmo que ela se manifeste. 

“Sabendo de sua existência com exames hoje acessíveis na pesquisa das alterações genéticas, podemos acompanhar de perto a paciente, fazendo o diagnóstico precoce do câncer de mama e permitindo a cura”, revela a especialista.

Há também os grupos de risco que devem ser acompanhados mais de perto e alertados para possam reduzir as chances de desenvolverem a doença. Veja abaixo alguns deles.

  • Genética. Atualmente, várias síndromes genéticas que predispõe ao câncer são conhecidas (Síndromes de Li-Fraumeni e Lynch, Mutação do BRCA 1/2, por exemplo). Os exames de pesquisa dessas alterações genéticas existem e são acessíveis aqui mesmo, no Brasil. E, mesmo aos portadores de alterações genéticas, a sentença da presença da doença não é exata. É necessário conhecê-los para orientá-los e não assustá-los. A pesquisa dessas mutações pode ser feita pelo sangue ou pela saliva (método mais fácil);
  • Grupos de risco. Algumas pessoas podem ser mais propensas a sofrerem da doença. Os obesos, por exemplo, representam grupo de risco para o desenvolvimento de câncer de mama e endométrio, por alteração na via metabólica dos hormônios femininos. Também os usuários crônicos de hormônios externos (hormônios femininos ou anabolizantes) fazem parte do grupo de risco;
  • Modo de vida. Os processos de envelhecimento precoce celular podem ser causados por hábitos estressantes da vida diária. Alimentação desregulada, ingestão de muitos produtos industrializados, cigarro, etc aumentam a circulação de produtos oxidantes no nosso organismo, que podem alterar as vias de renovação celular.

Diagnóstico do câncer de mama

A especialista lembra que o diagnóstico do câncer de mama é feito através da biópsia, que é a retirada de um pedacinho bem pequeno da lesão e analisada ao microscópio pelo médico patologista. “Essa lesão é identificada na mama através dos exames de imagem que toda mulher acima dos 40 anos deve fazer todos os anos: mamografia e/ou ultrassonografia”. 

Já nos casos em que a paciente possui histórico familiar de câncer, é necessário conversar com o ginecologista ou mastologista e pedir sua orientação no sentido do acompanhamento começar mais cedo (a partir dos 25 anos).

Há também um outro sinal que pode, muitas vezes, atrapalhar o diagnóstico precoce. Trata-se de eczemas ou coceiras em um único seio, que levam as mulheres a procurarem dermatologistas. Mas estas pequenas erupções na parte externa da mama costumam ser evidentes sinais da chamada Doença de Paget, um tipo de câncer de mama muito perigoso. Deve se procurar um mastologista a qualquer sinal deste tipo.

Tratamentos

Segundo Cristiane Nimir, os tratamentos mais utilizados atualmente incluem a cirurgia para retirada da lesão, radioterapia no local onde estava o tumor e, em alguns casos, a hormonioterapia e quimioterapia. “É necessário dizer que a quimioterapia hoje, em muitos casos, não é tão agressiva como era antes”, destaca. 

Outro ponto interessante, ainda de acordo com a especialista, é a existência de testes sobre a biologia do tumor, ou seja, para definir o quão agressivo ele é. “Se usados com a correta indicação, permitem que cerca de 40% dos pacientes fiquem livres da quimioterapia convencional”, explica.

É importante lembrar que quanto mais cedo for descoberto o tumor, maior a chance de cura da doença. “Com o diagnóstico ainda no estágio inicial, mais de 90% dos casos têm cura com os tratamentos atuais”, afirma a Dra. Cristiane Nimir.

Qualidade de vida pós-tratamento


Uma das maiores preocupações é permitir a que paciente tenha a melhor qualidade de vida possível, conforme explica a médica patologista. “O desenvolvimento de novos medicamentos permite que mais células do tumor sejam destruídas com menor agressão às células saudáveis do organismo. Dessa forma, a fraqueza, a queda de cabelo, serão cada vez menores”.

A especialista ressalta ainda que outras intervenções podem ser indicadas para melhorar a qualidade de vida da mulher. “Os procedimentos de cirurgia plástica para a reconstrução das mamas após a cirurgia é uma das prioridades, na intenção de manter sua feminilidade, dignidade e beleza”, conclui.

Copyright foto: iStock

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