Borderline: doença psicológica de mulheres que amam demais

Ana Paula Cardoso
Saiba quais são os sintomas deste transtorno mais comum em mulheres e por que o borderline pode acabar com os relacionamentos 

O transtorno de comportamento borderline atinga mais mulheres e atrapalha os relacionamentos.


A palavra borderline vem do inglês. Como substantivo, indica o limite entre duas áreas, a delimitação de uma fronteira. Como adjetivo, significa hesitante, incerto. À luz da medicina psiquiátrica, o termo bordeline é usado para denominar o transtorno de personalidade limítrofe, ou transtorno de personalidade bordeline (TPB), uma doença psicológica grave, que reúne uma série de comportamentos considerados inadequados do ponto de vista social e amoroso.
 
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), acredita-se que o transtorno de personalidade borderline atinja de 1% a 6% da população mundial, sendo bem mais comum em mulheres (estima-se que 90% dos casos) do que em homens. Entre a principal característica desta doença encontra-se a angústia intensa sofrida durante um relacionamento amoroso.
 
“Esse distúrbio costuma a dar seus primeiros sinais durante a adolescência, intensificando na idade adulta. Sua origem é muito relacionada a componentes genéticos, mas experiências traumatizantes durante a infância podem desencadear o quadro clínico”, explica a psicóloga e professora da Faculdade de Medicina de Petróplis, Camila Aloisio Alves.

Características do bordeline

A doença costuma ser difícil de tratar justamente por suas caraterísticas de intensidade de bons sentimentos. Como controlar alguém que parece apenas estar amando intensamente?  Mas é preciso alertar para os sinais de desequilíbrio apresentados por quem sofre do transtorno de personalidade bordeline.
 
“As principais características de quem sofre do transtorno são: oscilação severa de humor, baixa autoestima, sentimento permanente de abandono e vazio interior, medo do abandono e da solidão. Sem contar a tendência à automutilação, incapacidade de sentir prazer, comportamentos impulsivos, como gastar dinheiro de forma descontrolada ou consumo exagerado de comida ou drogas. Nos casos mais graves, aparece a ideação suicida”, lista a Dra. Camila.
 
No relacionamento amoroso é quando os sintomas do distúrbio costumam ser mais evidentes. Alguns comportamentos são recorrentes entre as mulheres borderline. Entre os quais:
  • Apaixonam-se continuamente por homens perturbados, distantes, temperamentais. E sempre justificam as atitudes de seus parceiros como 'normais';
  • Costumam ser obcecadas por homens emocionalmente indisponíveis. Frequentemente entram em relações com homens casados ou comprometidos com outras mulheres, workaholics ou dependentes de drogas;
  • Abrem mão dos seus amigos e dos seus próprios interesses para estarem disponíveis ao parceiro na hora que ele demanda;
  • Sentem um vazio imenso quando não está com o parceiro, sendo incapazes de distraírem-se com qualquer outra atividade.
 

Tratamento indicado

“Como se trata de um distúrbio que afeta a neuroquímica cerebral, é fundamental que se combine terapia e acompanhamento psiquiátrico para administração de antidepressivos e estabilizadores de humor”, indica a psicóloga e professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis.
 
Grupos de apoio como o MADAMulheres que Amam Demais Anônimas também podem funcionar como complemento da terapia formal. Lá a mulher encontrará outras pessoas diagnosticadas como bordeline e poderá, através da troca de experiência, aprender a controlar os sintomas autodestrutivos da doença.
 
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4 comentários

Bom, como dizer em forma branda que essa matéria é estupidamente machista, idiota, romantiza o amor, diminui uma doença e banaliza? Eu enquanto mulher e pessoa que tem border, fiquei realmente irritada com a matéria. Do titulo ao ponto final da matéria. É ridículo em níveis estrelares. Doenças mentais não escolhem gêneros. Mulher não tem problemas psicologísticos por amarem. Borderline não é uma doença do amor, que faz alguém amar sem ver a quem. É uma doença que destrói vidas, mata, dificulta relações, complica a convivência.Retirem esse texto do ar, é ofensivo e totalmente errado.

Tamaracristinis, o texto é de um blog/site para mulheres, com nome de "A revista da mullher", escrito por uma mulher, e você tem uma reação raivosa dessas? Isso só comprova o quanto você realmente deve sofrer por conta dessa doença horrorosa. Minha esposa muito provavelmente possui esse transtorno e quero muito ajudá-la e me ajudar, pois isso afeta seriamente não só a vida sentimental como a social e profissional. Ao invés de rechaçar o texto, procure justificar e ajudar a quem tem o transtorno. Será bem mais útil.

Leonardo, eu também tenho Borderline e sei que essa matéria é realmente machista e não tem embasamento teórico nenhum. Além de ter o transtorno, eu estudo Psicologia e consequentemente o Borderline.

Primeiro: somos pessoas normais, vivemos uma vida normal. Temos sim mudanças bruscas de humor, mas pra isso existe TERAPIA. É possível sim lidar muito bem com isso.

Segundo: nem sempre a pessoa precisa de remédios e estabilizantes de humor, eu por exemplo faço a terapia e está sendo suficiente e muito efetiva.

Terceiro: conseguimos sim realizar atividades normais longe das pessoas que amamos, nós não somos dependentes a esse ponto.

Quarto: pare de ser machista você também. Se ela tem o transtorno, deve saber muito melhor como funciona do que você.

Quinto: tirem essa matéria do ar, ainda dá tempo de parar de passar vergonha na internet.

Queria dizer também que todo transtorno tem níveis, e não é uma doença só de mulheres, muitos homens desenvolvem também. Além disso, nem todo mundo vai se comportar da mesma forma ou ter os mesmos sintomas, então o que essa matéria está fazendo é reforçar estereótipos e estigmas que  acompanham quem é border. É um desserviço pra sociedade.