O que é a esclerose múltipla e quais são os sintomas?

Fernanda Lima

Doença, que atinge o cérebro e a medula espinhal, não tem cura, mas pode ser evitada se os fatores de risco forem controlados 

Conheça as causas e os sintomas da esclerose múltipla.

 

A esclerose múltipla, também chamada de esclerose disseminada, é uma doença crônica, inflamatória e autoimune (quando as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central) que afeta neurônios responsáveis por transmitir os impulsos nervosos. No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, estima-se que 35 mil pessoas sofram com a doença.

As consequências da esclorese são lesões no encéfalo, nervo óptico e medula. De acordo com Dr. Tiago Sowmy, neurologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, não existe uma causa definida para a doença, mas alguns dos fatores como infecções virais, baixa exposição ao sol (insuficiência de vitamina D) e predisposição genética podem contribuir para o seu surgimento.

A maior parte da população afetada pela esclerose múltipla, segundo o especialista, são jovens adultos entre 25 e 35 anos, porém também pode ocorrer em outras faixas etárias. A doença é rara antes da puberdade e depois dos 60 anos.
 

Sintomas da esclerose múltipla

Os sintomas da esclerose são extremamente variados, isto porque a doença pode acometer qualquer parte do sistema nervoso central. Segundo o Dr. Feres Chaddad, neurologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, alguns dos sintomas comuns são:

  • cansaço intenso,
  • distúrbios visuais (perda da visão, visão dupla),
  • perda de força no braço ou perna (fraqueza extrema, desequilíbrio ao andar),
  • distúrbios da bexiga (aumento da frequência urinária, incontinência urinária).

Tiago Sowmy acrescenta que a doença também pode apresentar sensação de choques na coluna ao encostar o queixo no peito e perda ou alteração de sensibilidade. "Esses sintomas geralmente demoram de horas a semanas para se instalar. Diferente do AVC, que costuma acontecer de forma abrupta, os sintomas da esclerose se instalam progressivamente", explica o médico.

 

Como a esclerose múltima é diagnosticada?

Como os sintomas da esclerose costumam melhorar em grande parte dos pacientes após semanas ou meses, muitas vezes eles não procuram auxílio médico. Mas essa atitude é indispensável para o tratamento da doença, que infelizmente não tem cura.

Segundo Feres Chaddad, o diagnóstico da esclerose múltipla é feito por meio da história clínica do paciente, assim como dados radiológicos e laboratoriais. A ressonância nuclear magnética também é utilizada para mostrar lesões na substância branca encefálica (axônios) em até 80% dos pacientes, além do exame do líquido cefalorraquidiano, que exibe a presença de anticorpos no local.

 

Tratamento da esclerose: uma esperança para controlar a doença

Apesar de não ter cura, nos últimos anos houve avanços no tratamento da esclerose múltipla, o que possibilita um controle da doença. Tiago explica que o tratamento depende do momento e do grau de gravidade da doença.

Nos casos da doença ser aguda, o paciente costuma ser tratado com anti-inflamatórios em doses altas para que haja reversão mais rápida dos sintomas. Para evitar novos surtos (ou recorrências) há uma ampla gama de medicações intravenosas e subcutâneas.

Chaddad acrescenta outras opções de tratamento, como cápsulas orais administradas uma ou duas vezes ao dia, até injeções diárias, semanais ou mensais, que buscam impedir o aparecimento de novos surtos da doença.

"Alguns pacientes também podem se beneficiar do transplante de células tronco. Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, acompanhamento por psicólogos, esportes, dieta saudável, atividade física, sono regular e técnicas de relaxamento são muito importantes no tratamento da esclerose múltipla", esclarece o especialista.

A consequência do não tratamento é a piora gradual das funções neurológicas, podendo levar a casos mais graves em que o paciente pode acumular dificuldades ao longo do tempo, evoluindo para o estado de total dependência para qualquer atividade.

 

Como conviver com a doença?

Ambos os especialistas enfatizam que ainda não é possível prevenir a esclerose múltipla, mas fatores de risco, que podem contribuir para o seu surgimento, como infecção, tabagismo, trauma e a falta de exposição à luz solar podem ser evitados. "Escolhas de vida mais saudáveis podem diminuir o risco de doença", explica Tiago.

Por ser uma doença crônica que atinge, geralmente, pessoas jovens, a esclerose causa grande impacto sobre a vida do indivíduo, tanto do ponto de vista funcional quanto psicológico. Por isso, o médico sugere como primeira atitute, procurar um neurologista para iniciar o tratamento. 

Suporte psicológico também pode ser útil para que o paciente se adpte à nova realidade que se impõe. "É muito importante que a pessoa que tenha esclerose não sinta que sua vida vai acabar a qualquer momento ou que está abandonada sem nada a se fazer. O seguimento com um neurologista possibilita o esclarecimento das dúvidas e de medos mais frequentes, por exemplo, de como diferenciar um sintoma novo", finaliza. 

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