Anorexia: conheça as causas e os sintomas deste transtorno

Fernanda Lima

Transtorno alimentar atinge, em 90% dos casos, meninas adolescentes e mulheres jovens e pode até levar à morte

Saiba mais sobre as causas e os sintomas da anorexia nervosa.

 

Uma das modelos mais famosas do Brasil, Isabella Fiorentino, revelou recentemente que já sofreu de anorexia, transtorno psiquiátrico que apresenta a maior taxa de mortalidade ao ano. A anorexia nervosa, em 90% dos casos, atinge meninas adolescentes e mulheres jovens, podendo levar até à morte.

Segundo a Dra. Cybelle Weinberg, autora do livro Psicanálise de Transtornos Alimentares, da Primavera Editorial, a anorexia é caracterizada por um medo excessivo de engordar, intensa preocupação com o peso e distorção da imagem corporal. "Pessoas com esse transtorno, apesar de estarem extremamente magras, se acham e se veem gordas", explica a especialista.
 

Quais são as causas da anorexia nervosa?

Ainda de acordo com a psicanalista, não existe uma causa única para o desenvolvimento da anorexia, por isso o transtorno é considerado multifatorial. Entretanto, três pontos podem contribuir para o seu surgimento: os fatores predisponentes, precipitantes e mantenedores:

  • Os fatores predisponentes são genéticos, culturais (pressão da moda e da mídia pela magreza), familiares (famílias superprotetoras, rígidas e com tendência a evitar conflitos) e psicológicos (traços de perfeccionismo, introversão, dificuldade em expressar sentimentos).
  • Os fatores precipitantes podem ser o início de uma dieta, situações de separação e perdas ou mesmo o bullying.
  • Os fatores mantenedores podem ser as distorções cognitivas e de imagem corporal, alterações psicológicas assilm como os elementos culturais, como a valorização de um corpo magro pela sociedade.

“Se vitrines e capas de revista exibem modelos esqueléticas e proclamam que aquilo é bonito, como convencer uma anoréxica – que além de tudo se vê gorda – a mudar o seu comportamento?”, questiona Cybelle.

De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, muitas vezes a anorexia surge quando passa-se por momentos conturbados, como separação, perda de emprego, perda de um parente ou mudança de cidade. No início, os sintomas são pouco perceptíveis, pois o anoréxico finge estar se alimentando e chega a usar roupas largas. 

Assim como quem sofre de bulimia, os anoréxicos têm obsessão pela magreza. A diferença é que a bulimia provoca refluxos, enquanto na anorexia a pessoa se recusa a comer. Em um estágio mais avançado, mesmo estando muito abaixo do peso e com os ossos à mostra, o anoréxico ainda se acha gordo e quer emagrecer mais. Este tipo de transtorno costuma estar ligado à depressão e também provoca reações no organismo e nas funções fisiológicas, como interrupção do ciclo menstrual.

 

Como é feito o diagnóstico da anorexia?

Segundo a psicanalista, o diagnóstico clínico deve levar em conta os seguintes comportamentos:

  • emagrecimento em um curto espaço de tempo,
  • obsessão pela alimentação e pelo peso corporal,
  • distorção da imagem corporal (preocupação excessiva com algum defeito corporal mínimo ou que nem existe),
  • irritabilidade,
  • prática exagerada de exercícios físicos,
  • isolamento social.

Já o tratamento, deve ser multidisciplinar, envolvendo várias especialistas: psiquiatra, nutricionista, psicólogo e terapeuta familiar.  “Não existe medicação específica para o tratamento, mas às vezes o antidepressivo é recomendado nos casos em que uma depressão se associa ao quadro”, explica a expert.

O não tratamento pode trazer complicações clínicas como:

  • desnutrição e desidratação,
  • hipotensão (diminuição da pressão arterial),
  • amenorréia (suspensão da menstruação),
  • osteoporose,
  • infertilidade (em casos crônicos).

 

É possível prevenir a anorexia?

Levando em conta que uma dieta rigorosa pode funcionar como fator desencadeante de um transtorno alimentar, como também ocorre na compulsão alimentar, a primeira dica da especialista é evitar dietas milagrosas, substituindo-as por uma reeducação alimentar.

A família, explica a psicanalista, também pode ajudar muito na prevenção do transtorno. “Ao invés de criticar e cobrar da filha que ela perca peso, reduzindo a ingestão de alimentos, incentive-a a praticar esportes, levar uma vida saudável e aceitar o próprio corpo”, finaliza Cybelle.
 

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