Hiperidrose: conheça as causas e tratamentos contra o suor excessivo

Etiene Resende

A sudorese intensa pode trazer problemas, afetando diretamente diversos aspectos da vida, como relacionamentos e desenvolvimento profissional

hiperidrose
Suor excessivo pode ser tratado com medicamentos e até mesmo com cirurgia. © iStockphoto/ChesiireCat


O suor (sudorese) é uma condição normal do organismo, importante para a manutenção da temperatura corporal. Ele surge sempre quando se sente calor, ou em situações específicas, como raiva, nervosismo, medo ou durante uma atividade física. mas quando há sudorese excessiva ou o suor vem em momentos de repouso e tranquilidade, a pessoa pode sofrer de hiperidrose.

De acordo com a dermatologista Ana de Oliveira de Melo, a hiperidrose acontece em decorrência do hiperfuncionamento das glândulas sudoríparas. “As causas podem estar ligadas a questões hereditárias, desequilíbrios emocionais ou mesmo como consequência de alguma outra doença”, explica a médica.

Normalmente, as regiões do corpo mais afetadas são as axilas, cabeça, palmas das mãos, plantas dos pés, rosto e virilha. Além de muito desconfortável, a transpiração extrema pode afetar a autoestima e ainda perturbar os mais diversos aspectos da vida de uma pessoa, como o desempenho profissional, os relacionamentos e convívio social.

Tipos de hiperidrose

Apesar de ter como principal sintoma a sudorese excessiva, a hiperidrose pode ser classificada em dois tipos:

  • hiperidrose primária focal;
  • e a hiperidrose secundária generalizada.

A hiperidrose primária focal é aquela que provoca suor excessivo nas mãos, pés, axilas (que pode causar o mau cheiro conhecido como 'cecê), cabeça ou rosto. Estes suores não ocorrem durante o sono e surgem na infância ou adolescência. Estima-se que este tipo de hiperidrose afete entre 2% a 3% da população,. Entre as pessoas afetadas, cerca de 40% não buscam por ajuda médica. Trata-se de um problema, na maioria das vezes, hereditário.

Já o caso da hiperidrose secundária generalizada pode surgir devido a outros problemas de saúde ou mesmo como efeito colateral de algum tratamento. Nela, a sudorese excessiva pode ser vista nas mais diversas áreas do corpo ou mesmo em locais menos comuns. Este tipo surge geralmente na fase adulta e pode provocar transpiração acima do normal também durante o sono.

Saiba  diagnosticar a hiperidrose

Para que se possa diagnosticar a hiperidrose de maneira mais segura, o médico precisa perguntar ao paciente como ele percebe sua sudorese, em quais momentos ela surge com mais intensidade e como ela vem afetando sua vida.

Em seguida, ele parte para os testes que são feitos de maneira bem simples. O primeiro é o teste de amido-iodo, no qual se aplica uma solução de iodo na área suada e, quando seco, coloca-se o amido sobre esta região. Caso ele fique na cor azul, ali há sudorese.

Já o outro é chamado de papel de teste, no qual o suor da área afetada é absorvido com um papel especial e depois verifica-se o seu peso, possibilitando definir o quanto foi acumulado de suor.

Tratamento para a hiperidrose

Uma possibilidade simples de amenizar os efeitos da hiperidrose, evidentemente tratando apenas o sintoma, é o uso de desodorantes especiais para quem tem suor excessivo.

Estes produtos têm uma concentração maior de alumínio, além de outros componentes que contribuem para controlar o suor. Entre eles podemos destacar Perspirex, Driclor e Odaban, além das fórmulas que podem ser manipuladas com a prescrição do especialista.

“É sempre importante explicar que somente um médico terá condições de avaliar o que pode estar causando a hiperidrose e indicar o tratamento correto e definitivo do problema, atacando diretamente a causa”, reforça a dermatologista.

Em casos menos graves, como o da hiperidrose primária focal, o mais seguro é tentar resolver o caso com tratamentos menos invasivos como, por exemplo, o uso de medicamentos (Retemic ou Ditropan), bem como a aplicação de toxina botulínica (botox).

O uso de ondas eletromagnéticas está ainda sob análise, mas em breve pode ser uma nova opção para tratar o suor das axilas.

Já nos casos mais graves, como da hiperidrose secundária generalizada, ou quando os demais tratamentos não surtiram efeito, pode ser indicado pelo especialista um procedimento cirúrgico. Neste caso existem duas opções,.

A primeira seria a aspiração das glândulas sudoríparas das axilas. A outra opção é o bloqueio dos gânglios da cadeia simpática, cirurgia conhecida como simpatectomia ou cirurgia do suor. Ela é feita por meio de videocirurgia, através de pequenas incisões,  que pode trazer a cura definitiva para a hiperidrose.

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