Trombose: conheça todas as informações sobre a doença

Daniel Navas

Inchaço nos tornozelos, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas são alguns dos sintomas da trombose

Sensação de cansaço nas pernas no fim do dia é um dos sintomas da trombose. © iStockphoto.com/DragonImages

 

Chamada de trombose venosa profunda (TVP), a doença é caracterizada pela formação de coágulos que bloqueiam a passagem sanguínea no interior das veias profundas. Mais comum nos membros inferiores, quando não tratado, o problema pode trazer sérias complicações, como úlceras de perna, embolia pulmonar e até mesmo levar ao óbito.

Os principais sintomas da trombose são:

  • inchaço nos tornozelos;
  • dor;
  • sensação de cansaço e peso nas pernas, principalmente no final do dia.

E por mais que a trombose se desenvolva com maior incidência em pessoas acima dos 40 anos, o problema tem sido cada vez mais comum entre adultos de 25 a 35 anos, principalmente por estarem expostos aos fatores de risco que desencadeiam o processo da doença. 

As causas mais comuns da trombose

E os fatores de risco para a trombose são:

“Alguns desses fatores, quando associados, aumentam ainda mais os riscos da doença”, conta José Fernando Macedo, especialista em angiologia, cirurgia vascular e endovascular do Instituto de Angiologia e Cirurgia Vascular de Curitiba (IACVC).

Cuidado dentro do hospital

Outra causa bastante comum para o aparecimento da trombose é a falta de mobilidade dentro do hospital, principalmente após cirurgias. Cerca de 60% dos casos, de fato, estão associados às internações hospitalares, segundo a Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia.

"O período pós-cirúrgico e uso de cateteres, por exemplo, são condições que fazem com que o paciente fique ainda mais suscetível à doença”, explica Marcos Arêas Marques, médico da unidade docente assistencial de angiologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Por este motivo, de acordo com o profissional, quando o paciente está hospitalizado é feita uma série de medidas, reunidas em protocolos de conduta, para tentar prevenir casos de trombose durante a internação.

“Entre essas medidas, destaca-se a fisioterapia, o uso de medicamentos anticoagulantes, as meias elásticas, entre outras”, afirma Marcelo Quintão, cirurgião vascular, de São Paulo.

Relação com o anticoncepcional

Algumas mulheres sentem um certo receio na hora de usar a pílula, pois acreditam que as chances de desenvolver trombose aumentam. E elas estão, de fato, corretas.

Isso porque, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mulheres que tomam regularmente anticoncepcionais contendo desogestrel, drospirenona, ou gestodeno na composição, apresentam maior risco (de 4 a 6 vezes) de desenvolver trombose, no comparativo com aquelas que não usam a pílula. 

“É muito difícil acontecer uma trombose apenas com uso de anticoncepcional. Afinal, todos os anticoncepcionais são de baixa dosagem. O que ocorre é que algumas pacientes fazem reposição hormonal e, se forem fumantes, o risco de desenvolver a doença aumenta”, alerta José Macedo.

Portanto, a probabilidade é maior quando, além do anticoncepcional, a mulher também fumar, ter obesidade e não praticar exercícios físicos.

Tratamento e diagnóstico

A trombose é detectada por meio de uma ecografia vascular ou ecodoppler da região afetada. Esse exame mostrará o endurecimento da veia que está com um trombo em seu interior.

A partir daí, é realizado o tratamento, que, na maioria das vezes, se dá com a prescrição de medicações anticoagulantes, com dose e tempo determinados pelo médico. 

“Além disso, há medidas posturais e hábitos de vida que devem ser orientados, como por exemplo, uso da meia elástica. Em casos específicos, podemos decidir pela intervenção cirúrgica para desobstruir o vaso acometido. Mas isso ocorre em casos bem selecionados”, pondera Quintão.

A trombose tem cura?

De acordo com os profissionais, sim! Mas, para isso, é preciso seguir o tratamento à risca. E vale lembrar que a principal forma de combater a trombose é por meio da prevenção. É imprescindível ter hábitos saudáveis, como a alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos. 

“Também é importante exercitar os músculos da panturrilha, quando se passa muito tempo sentada, evitar o tabagismo, controlar a pressão arterial e usar meias elásticas que auxiliam o retorno venoso (com a orientação do especialista)”, aponta Macedo.

Muito cuidado

Agora, se o tratamento não for feito de forma adequada, ou quando a trombose não é identificada (se não procurar ajuda médica, por exemplo), o problema pode evoluir para o quadro de embolia pulmonar, grave complicação dessa comorbidade, que inclusive, nos casos mais graves, pode levar ao óbito.  

“As recomendações para a prevenção e também tratamento devem ser seguidos a fim de evitar a evolução para síndrome pós-trombótica, que é uma série de alterações na circulação da região acometida pela doença, que pode ter importante impacto na qualidade de vida do paciente”, finaliza Marcelo Quintão.

Leia também:

Anúncio google

Nenhum comentário disponível sobre este assunto