Pedra na vesícula: saiba mais sobre a doença e o tratamento

Daniel Navas

Doença que atinge cerca de 10% da população mundial pode provocar cólicas e problemas digestivos

A cólica biliar é um dos principais sintomas da pedra na vsícula. © iStockphoto.com/gpointstudio


Muitas pessoas, ao ingerirem alimentos gordurosos, acabam por sentir uma dor localizada no lado direito do abdômen. Isso pode ser colelitíase. Popularmente conhecida como pedra na vesícula, o problema se dá quando cristais de colesterol, que ficam depositados no fundo desse órgão, se juntam. 

“A bile, líquido produzido pelo fígado, é composta por substâncias como colesterol e pigmentos. Quando ocorre um aumento da concentração destes elementos, pode haver um depósito desses cristais na vesícula biliar, que com o passar do tempo, se unem e formam as pedras na vesícula (cálculos)”, explica Carlos Sabbag, cirurgião do aparelho digestivo da Paraná Clínicas e do Hospital Santa Cruz, ambos em Curitiba.

Mulheres são mais propensas a ter pedras na visícula

Estima-se que 10% da população mundial tem pedra na vesícula, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Além disso, de acordo com estatísticas da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), até 20% da população brasileira poderá desenvolver cálculos ao longo da vida.

A pedra na vesícula também pode ocorrer em crianças, mas a incidência aumenta com a idade. “Fatores como obesidade, diabetes e hereditariedade aumentam a probabilidade de ter esta doença. As mulheres também têm mais chance de desenvolver os cálculos”, conta Sabbag. Essa maior propensão do sexo feminino se dá por questões hormonais. O estrógeno age sobre os cristais de colesterol, o que favorece a formação das pedras na vesícula.

Cólica biliar é um dos sintomas

A vesícula biliar é um órgão de formação sacular – parecido com uma pera –, que se localiza abaixo do lado direito do fígado. Mede cerca de 7 centímetros de comprimento e tem um canal que se liga ao ducto do fígado e depois se comunica com o intestino.

De acordo com Nilma Ruffeil, gastroenterologista do Hospital Moriah, em São Paulo, a vesícula tem apenas a função de coletar a bile, que foi produzidapelo fígado. “Após fazermos uma refeição, nossa vesícula faz o movimento de contração e manda esse líquido biliar para o nosso intestino”, acrescenta.

O problema se dá quando a pedra está obstruindo a saída da vesícula e a contração do órgão, que ocorre por estímulo da alimentação, acaba gerando uma grande pressão dentro da vesícula, levando à típica dor da cólica biliar -sentida no lado direito do abdômen.

Outros sintomas comuns da pedra na vesícula são: 

  • dificuldade de digestão; 
  • náuseas, vômitos e diarreia, geralmente após a ingestão de alimentos gordurosos;
  • febre;
  • infecção ou inflamação da vesícula; 
  • icterícia (amarelão); 
  • inflamação no pâncreas (pancreatite biliar). 

“Geralmente, a dor surge no intervalo de 30 a 60 minutos após as refeições, podendo prolongar-se por mais tempo”, aponta Hamilton Funes, gastroenterologista, nutrólogo, cirurgião geral e bariátrico, de São José do Rio Preto.

Diagnóstico e tratamento

A análise para conseguir identificar a pedra na vesícula é feita por meio de avaliação clínica com o médico especialista e a realização do ultrassom abdominal.

“No entanto, muitos pacientes não apresentam sintomas, isso explica porque a maior parte das pessoas que tem colelitíase não sente nenhum desconforto e muitas vezes só descobre o problema ao realizar exames de rotina ou para investigação de alguma outra doença”, conta Funes.

Já o tratamento indicado é a retirada da vesícula (colecistectomia). Tratamentos alternativos como litotripsia (quebra da pedra com aparelhos especiais) e medicamentos para dissolver a pedra, não apresentam bons resultados e não são recomendados, podendo inclusive causar complicações do quadro. 

“O tratamento cirúrgico é realizado por vídeolaparoscopia e apresenta excelente resultado e rápido retorno do paciente as suas atividades do dia a dia”, esclarece Sabbag. E após a retirada da vesícula, recomenda-se uma dieta com pouca gordura até o organismo se adaptar à nova situação. 

“Lembrando que a vesícula funciona exclusivamente como armazenadora - a bile continua tendo sua produção e função inalteradas - ou seja, não existe nenhuma sequela em uma cirurgia bem-sucedida e o paciente estará curado”, afirma o cirurgião.

O problema pode voltar?

Se o órgão foi retirado, não há mais chances da pedra na vesícula surgir. Agora, caso tenha ocorrido a passagem de algum cálculo para fora da vesícula biliar (antes da realização da cirurgia), existe a necessidade de outro tipo de tratamento complementar. Por isso, o ideal é ter o cuidado de tratar cirurgicamente a doença de maneira precoce, evitando complicações.

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