Conheça as 5 principais doenças de verão

Daniel Navas

Dengue e leptospirose são algumas das doenças que ocorrem com mais frequência nos dias quentes. Conheça os sintomas e tratamentos e saiba como se prevenir

Essas doenças também podem aparecer em outras épocas do ano, mas são mais comuns em períodos mais quentes. © iStockphoto.com/Mukhina1


Muitas pessoas acreditam que os problemas de saúde são mais comuns no outono ou inverno. Muito pelo contrário. Quando as temperaturas sobem, algumas doenças típicas do verão também podem surgir. 

Por isso, é muito importante conhecer quais são essas enfermidades para poder se prevenir. Pensando nisso, A Revista da Mulher consultou especialistas e explica tudo sobre as cinco principais doenças de verão. 

Dengue

O que é: causada pela picada do mosquito Aedes aegypti, que se prolifera em águas acumuladas e paradas. 

Sintomas: essa doença muito comum nos dias mais quentes pode apresentar sintomas gerais de uma virose, como dor no corpo, cefaleia, febre baixa, mal estar, náuseas, ou sinais mais específicos como dor nos olhos, febre intensa, manchas vermelhas no corpo e sangramentos.

Existem atualmente quatro sorotipos de dengue em circulação no Brasil e no mundo. “Todos causam basicamente os mesmos sintomas e, teoricamente, só é possível pega um por vez e uma vez na vida cada um. A infecção por um sorotipo fornece imunidade temporária por cerca de seis meses para outros sorotipos”, explica Gustavo Dittmar, infectologista, de São Paulo.

Tratamento: não existe terapia específica contra a dengue. O paciente deve procurar um profissional para que seja medicado de acordo com os sintomas da doença. “É importante tomar muito líquido para evitar a desidratação. Em alguns casos, geralmente os mais graves, é necessário internação para hidratação endovenosa e tratamento em unidade de terapia intensiva”, esclarece Celso Granato, assessor médico em Infectologia do Fleury Medicina e Saúde, em São Paulo.

Prevenção: para evitar que o problema apareça, basta acabar com os criadouros do mosquito (qualquer tipo de objeto que contenha água parada) e utilizar o repelente. 

Micose

O que é: problema na pele causado por um fungo que se desenvolve mais em locais úmidos e quentes, por isso é considerada uma doença típica do verão. “Geralmente, a micose se instala no couro cabeludo, virilhas, axilas e pés”, conta Roberto Debski, médico e diretor da Clínica Ser Integral, de Santos.

Sintomas: aparecimento de manchas vermelhas ou brancas, coceira no local afetado e lesões. Estão mais suscetíveis a essa doença de verão pessoas expostas a atividades relacionadas a água e calor, como nadadores e esportistas. “Pacientes com imunodeficiências também podem estar sob maior risco”, acrescenta Dittmar.

Tratamento: é feito através de medicamentos antifúngicos de uso tópico, como cremes, shampoos, géis e loções, e também medicamentos ingeridos via oral.

Prevenção: para evitar a micose, deve-se ter uma boa higiene e manter o corpo sempre seco após o banho. Se necessário, usar o secador de cabelos para secar o pé e as unhas dos dedos dos pés, além de usar roupas arejadas e de tecido que absorva a umidade.

Leptospirose

O que é: doença é causada por uma bactéria chamada Leptospira. “Essa bactéria é eliminada através da urina de ratos infectados com a doença, causando febre aguda de rápida manifestação e potencialmente fatal, se não identificada e tratada imediatamente”, alerta o infectologista.

A leptospirose é uma doença de verão, pois é nessa época do ano em que há muita chuva, ocasionando enchentes e enxurradas. “O contato com águas acumuladas nas ruas pode levar ao contágio por essa bactéria, que também acomete ratos que vivem nos esgotos e tubulações da cidade”, aponta Celso Granato.

Sintomas: são parecidos com uma gripe, ou com a dengue, porém existe a possibilidade de a leptospirose ser assintomática. Mas, em geral, o processo infeccioso começa com febre alta, sensação de mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, olhos avermelhados, tosse, faringite e calafrios. Esses sinais podem ser acompanhados de dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia, com possibilidade de desidratação.

E o grupo de risco para contrair a doença é o de pessoas que entrem em contato com enchentes, lama e ambientes que apresentem fezes de ratos, como população de locais que apresentam enchentes, crianças que brinquem nesses locais e trabalhadores de limpeza que não usem proteção adequada.

Tratamento: o portador dessa doença deve ser tratado analgésicos e antitérmicos, exceto os que contenham ácido acetilsalicílico, como a aspirina e outros anti-inflamatórios, uma vez que essa substância favorece as hemorragias.

“Quando o diagnóstico é feito até o quarto dia da infecção, usam-se também antibióticos, que, apenas nessa fase, ajudam a prevenir o desenvolvimento da forma mais grave da doença”, afirma Granato.

Prevenção: por ser uma doença que também acomete ratos, a doença pode voltar a qualquer hora, especialmente no verão, quando aumenta a quantidade de chuva e as inundações são frequentes. Para evitar que essa doença volte é necessário fazer um trabalho constante de desobstrução de bueiros e não deixar que ocorram inundações.

Bicho geográfico

O que é: uma infecção causada pelas larvas de parasitas que vivem nos intestinos de cães e gatos. Ao defecar na terra ou areia, os ovos eliminados nas fezes transformam-se em larvas. Estas, penetram na pele do homem causando a doença.

Sintomas: as larvas infectantes deixam marcas parecidas com um mapa, o que justifica o nome da doença. “Os principais sintomas são: lesões vermelhas e prurido local. Aliás, as regiões do corpo mais comumente atingidas são os pés, pernas, braços, mãos, antebraços e nádegas, e mais raramente a região da boca. Pode ocorrer como lesão única ou múltiplas lesões”, aponta Ario Freire, clinico geral do Hospital Assunção, em São Paulo.

Tratamento: feito com medicamentos antiparasitários. O tratamento tópico dura de 5 a 7 dias, mas as lesões e a coceira costumam apresentar melhora já nas primeiras 48 horas de terapia. 

Prevenção: evitar o contato com a areia ou terra, utilizando-se proteções como chinelos, sapatos, toalhas, ou tapetes. “O controle da doença é realizado através da conscientização populacional no sentido de não levar esses animais a locais públicos e realizar neles exames parasitológicos, acompanhados do tratamento adequado. Também devem ser tratados cães de rua que podem apresentar alto índice de contaminação”, diz Freire.

Brotoeja

O que é: é uma dermatite inflamatória provocada pela obstrução das glândulas sudoríparas, o que impede a saída do suor. “Acontece quando a pessoa se agasalha demais, nos casos de febre e em ambientes quentes e úmidos, e quando usa substâncias como cosméticos ou bronzeadores que obstruem os poros”, explica Roberto Debski. 

Sintomas: manchas, bolhas, coceira, ardor e inflamação da pele. As lesões podem ser pequenas e simples na forma de bolhas. “Quando mais profundas, se apresentam como pápulas vermelhas e inflamadas, e há a brotoeja, que são as lesões vermelhas e inflamadas”, acrescenta Debski.

Tratamento: a terapia para essa doença de verão leva em conta as características das lesões, o local onde se instalaram e a idade do paciente. Mas, na maioria dos casos, a brotoeja não necessita de nenhum tratamento específico além dos cuidados com a umidade e o calor.

“Em crianças pequenas, por exemplo, restringe-se às medidas para refrescar a pele com o objetivo de aliviar o desconforto”, conta Ario Freire. Além disso, deve-se evitar aplicar pomadas, talcos e creme por conta própria, pois podem piorar a obstrução dessas glândulas e agravar o quadro clínico. 

Prevenção: procure sempre manter o ambiente fresco e ventilado, usar roupas leves e claras e evitar o excesso de roupas em dias quentes. Para as crianças, quando estiverem com febre, evitar roupas apertadas e que causem atrito nas dobrinhas do corpo. Sem esquecer de dar banhos rápidos com água morna, sem sabão, e com maior frequência em dias quentes”, finaliza Celso Granato.

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