Epilepsia: saiba mais sobre a doença que ainda é alvo de preconceito

Ana Paula Cardoso

Além de exames, diagnóstico se baseia na observação do paciente e no relato de quem presencia as crises

Epilepsia: doença alvo de preconceito, mas que tem tratamento. © iStockphoto.com/sudok1


A epilepsia é a doença neurológica mais comum do mundo, acometendo cerca de 50 milhões de pessoas, de acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda assim, os pacientes enfrentam diariamente o preconceito, que se origina, principalmente, da desinformação por parte da maioria da sociedade.

"Epilepsia é uma doença crônica caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas, uma alteração temporária e reversível no funcionamento do cérebro, que pode ser de origem genética ou ocasionada por uma lesão congênita ou adquirida após o nascimento por trauma,  infecção etc", explica a Dra. Maria Luiza Manreza, neurologista pela USP e presidente da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE). 

Segundo a LBE, 3 milhões brasileiros, convivem com a doença. E quanto antes os sintomas forem identificados, maiores são as chances de os pacientes terem uma vida melhor. "O diagnóstico precoce é importante na descoberta de qualquer doença e com a epilepsia não é diferente. Um laudo médico preciso é o primeiro passo em direção à qualidade de vida do paciente", complementa a médica. 

Diagnóstico da epilepsia não é fácil

O diagnóstico da epilepsia é predominantemente clínico e feito com base na história relatada pelo paciente, seus familiares ou pessoas que presenciaram as crises. Exames como eletroencefalograma, de preferência em sono e vigília, podem ajudar na confirmação da doença. Já os de neuroimagem encefálica, como a tomografia e a ressonância magnética, auxiliam no esclarecimento de sua causa.

Às vezes é preciso repetir os exames quatro ou cinco vezes para que as alterações sejam encontradas. "Apesar dos exames habitualmente utilizados, a narrativa dos que presenciaram as crises epilépticas é uma das principais ferramentas para diagnosticar os sintomas, já que muitas vezes a pessoa que tem epilepsia não se lembra do ocorrido", afirma a neurologista.

5 coisas que você precisa saber sobre epelepsia

Conviver com as manifestações da epilepsia envolve lidar com uma dose de estigmas e preconceitos, porém discutir sobre o assunto é uma importante ferramenta para a desconstrução de mitos em relação à doença. 

A busca pela informação produz o conhecimento necessário para que haja respeito e prontidão na assistência aos pacientes, colaborando com sua inclusão na sociedade. Veja a seguir algumas informações importantes sobre a doença:

1. Não é uma doença transmissível. Trata-se de uma doença neurológica, que não é transmitida pelo contato.

2. A epilepsia não afeta a cognição. A epilepsia não é uma doença mental, mas neurológica, que não impede qualquer faculdade mental

3. Existem diferentes manifestações da doença, além da convulsão. A epilepsia se manifesta de formas distintas em cada paciente. “Alguns exemplos são as crises de ausência, caracterizada por um “desligamento”, em que o paciente fica com o olhar fixo e perde o contato com o meio por alguns segundos, voltando depois como se nada tivesse ocorrido, e as crises focais, quando comprometem áreas mais restritas do cérebro”, diz a especialista.

4. Não é possível engolir a própria língua. Biologicamente, não é possível engasgar com a própria língua, o que não deve ser uma preocupação frente a uma convulsão. No entanto, é possível engasgar com a saliva, por exemplo, e por isso é necessário virar o paciente de lado, afastar objetos e esperar a crise passar.

5. Pode-se viver uma vida normal. Pessoas com epilepsia podem e devem ter uma vida normal. "Existem tratamentos diversos para a epilepsia, através de fármacos, dietas e até mesmo cirurgias, que estabilizam a doença e evitam crises”, pontua a Dra. Maria Luiza. 

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