Artrite reumatoide compromete articulações e outros órgãos

Daniel Navas

A artrite reumatoide é uma doença inflamatória autoimune, que pode causar dor e inchaço principalmente nas articulações do corpo

Os sintomas da artrite reumatoide aparecem sem nenhuma causa externa. © iStockphoto.com/grinvalds


Dor, inchaço e rigidez nas articulações. Esses são os sintomas principais da chamada artrite reumatoide. A doença, que é autoimune - quando o corpo ataca a si mesmo, causando a doença -, é um dos tipos de artrite. E além das articulações, a enfermidade também pode causar processos inflamatórios em outros órgãos, como rins e pulmões. 

"A causa exata ainda é desconhecida, porém sabe-se que acontece quando o sistema de combate às infecções do corpo, chamado sistema imunológico, ataca as articulações”, explica Roberto Rached, fisiatra do Hospital das Clínicas, de São Paulo. Além da artralgia (conhecida como dor articular), a artrite reumatoide se apresenta com edema (inchaço), calor e rubor (vermelhidão) articulares. 

Sintomas 

A artrite reumatoide possui alguns estágios: leve, moderado e grave, e ela pode se comportar de maneira diferente em cada paciente. “Alguns já começam as manifestações com quadros graves, inclusive com envolvimento de outros órgãos”, aponta Adriana Pato, médica reumatologista da Paraná Clínicas, em Curitiba.

No início da artrite reumatoide, os sintomas predominantes são dor, rigidez e inchaço de muitas articulações, normalmente, das mãos e dos pés. “O inchaço pode ser devido ao aumento da quantidade de vasos sanguíneos na região. Outras articulações dos membros superiores e inferiores também são comumente afetadas”, conta Rached.

Caso o problema não seja tratado desde início, os sinais podem se acentuar cada vez mais, inclusive com a incidência de outros sintomas, como anemia, fadiga, nódulos subcutâneos, inflamações nos revestimentos do coração, pulmão e olhos, lesões nos nervos, aumento do baço, inflamações nos vasos sanguíneos e doença renal.

“Geralmente, os sinais da artrite reumatoide não estão apenas relacionados à mobilização e esforço físico, sendo características da doença a dor mais intensa no período da manhã e rigidez matinal. No início do quadro, os sintomas são mais leves. Pode também haver sinais inespecíficos como febre, emagrecimento e mal-estar geral”, acrescenta Adriana.

Grupos suscetíveis

De acordo com Jayme Fogagnolo Cobra, reumatologista e coordenador do serviço de reumatologia do Hospital Assunção, em São Bernardo do Campo, não há grupo de risco para a artrite reumatoide. Entretanto, a doença é muito mais frequente entre as mulheres e, na maioria das vezes, se inicia entre os 30 e 50 anos. Isso por conta da carga hormonal de estrogênio nelas ser muito maior do que nos homens.

“Todos podem vir a desenvolver a doença. O que se sabe é que fatores genéticos influenciam de forma definitiva. Assim, se houver na família alguém que desenvolveu a artrite reumatoide, há uma chance maior dos descendentes desenvolverem a doença, em comparação com pessoas que não possuem esses antecedentes familiares”, afirma. 

Diagnóstico 

Para chegar ao diagnático de artrite reumatoide, o médico reúne dados clínicos, assim como a história familiar, exame físico e exames de laboratório e de imagem. Os exames frequentemente utilizados são: raio-X de mão e pés, ultrassonografia com doppler das articulações, ressonância magnética das articulações e exames de sangue. 

Já o tratamento para artrite reumatoide é feito principalmente com combinações de alguns remédios que podem chegar ao controle completo da doença, oferecendo qualidade de vida plena aos doentes. “E associado à terapia com remédios, é indicado o acompanhamento fisioterápico e psicológico e terapia ocupacional”, fala Cobra.

Cuidados indicados

Ao seguir a terapia de forma correta, o paciente tem maior chance de brecar os efeitos da artrite reumatoide. "Além disso, quanto mais precoce a doença é identificada e tratada, maior a chance de depois de alguns anos a doença estar controlada e ser possível a retirada dos remédios”, conta o reumatologista. 

Isso não quer dizer que a pessoa está curada, mas sim que a artrite reumatoide está em remissão, ou seja, adormecida no organismo. Por isso, será necessário um monitoramento constante feito pelo médico. E como se trata de uma doença autoimune, não é possível prevenir a enfermindade.

“A dica é ficar atento aos sintomas iniciais da doença, como dores constantes em muitas articulações, principalmente das mãos, com rigidez pela manhã por mais de 1 hora, que persiste por mais de três semanas. Além disso, procurar ajuda médica para que a doença seja rapidamente identificada e tratada, aumentando as possibilidades de colocar a artrite reumatoide em remissão o mais rapidamente possível, diminuindo o risco de aparecimento de sequelas”, finaliza Jayme Cobra.

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