Cáseo amigdaliano: cálculo nas amígdalas pode causar dor de garganta

Daniel Navas

O cáseo amigdaliano é a formação de cálculo no interior das amígdalas, que causa sintomas como dor de garganta e boca seca

Popularmente chamado de bolinha na garganta, o cáseo amigdaliano se forma pelo acúmulo de material calcificado e depósito de partículas de comida. © iStockphoto.com/Tharakorn


Algumas pessoas podem sofrer do chamado cáseo amigdaliano, que é a formação de cálculo (pedras) no interior das criptas amigdalianas, pequenas cavidades no interior das amígdalas.

Ele se forma pelo acúmulo de material calcificado e depósito de resíduos. Estes resíduos são pele morta (descamação da mucosa da boca), fragmentos e pequenas partículas de vírus, bactérias ou fungos e demais agentes infecciosos, proteínas salivares e restos alimentares.

“O cáseo amigdaliano geralmente não é nocivo ao organismo, mas pode gerar sintomas desagradáveis, como dor de garganta, boca seca, sensação de algo preso na garganta, febre e dor ao se alimentar. Além disso, o problema causa mau hálito, o que pode afetar as relações interpessoais (profissão, casamento e vida em sociedade)”, explica Marcelo de Souza Mello, otorrinolaringologista do Hospital CEMA, em São Paulo.

Também é comum tossir ou expelir essas bolinhas que se desprendem da garganta. A presença de cáseos amigdalianos ainda pode estar associada ao aparecimento da saburra lingual, doença periodontal, e até de infecções como faringites e amigdalites.

Perfil mais suscetível

Um estudo divulgado no Journal BMC Oral Health, que analisou exames de imagem, mostrou que a prevalência de pessoas com cáseo amigdaliano é de 46% na faixa etária entre 40 a 89 anos.

“O problema ocorre com maior frequência quando se tem o aumento da descamação de células, provocados pelo ressecamento da garganta, vindo da respiração bucal, ronco, ingestão frequente de bebidas alcoólicas ou uso de enxaguante bucal com álcool, uso de aparelho ortodôntico e naquelas pessoas que têm como costume mordiscar os lábios e bochechas ou dedos”, conta Mello.

Pessoas com maus hábitos de higiene oral, doenças respiratórias crônicas, disfunção das glândulas salivares, refluxo gastroesofágico e fumantes têm alterações locais do pH e da consistência do muco e da saliva, ficando mais suscetíveis a formação dos cáseos amigdalianos.

“O pH ideal e equilibrado da boca gira em torno de 7. Toda vez que houver uma redução nesse pH, ou seja, acidez na boca, aumenta-se a chance de formação do problema”, explica Dra. Jeanne Oiticica, médica otorrinolaringologista e chefe do grupo de pesquisa em zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Diagnóstico e tratamento

Devido os sintomas mencionados, geralmente o cáseo amigdalinao é percebido pela própria pessoa. A suspeita poderá ser confirmada com a inspeção da cavidade oral e faríngea por um médico, sem a necessidade de exames laboratoriais ou de imagem.

“Já o tratamento pode ser feito de forma clínica, removendo o caseum mecanicamente e usando enxaguantes bucais. Melhorar a respiração oral também auxilia. A terapia pode ser feita por cauterização com laser para reduzir as criptas e, em alguns casos, amigdalectomia (retirada das amigdalas)”, esclarece Marcio Freitas, otorrinolaringologista e membro da Academia Brasileira de Otorrino e Cirurgia Cervico-Facial. 

Prevenção 

É bom lembrar que hábitos de vida saudáveis ajudam no controle dos cáseos amigdalianos, tornando-os esporádicos e controlados. Além disso, para prevenir que o problema apareça também é indicado: 

  • beber bastante líquido ao longo do dia. A hidratação contínua e adequada fluidifica o muco, contribui para a limpeza das criptas amigdalianas e previne o acúmulo de partículas nas amígdalas;
  • evitar alimentos que deixam a saliva grossa e espessa como café, álcool, bebidas lácteas, chocolate;
  • fazer gargarejos diários; 
  • não ficar muito tempo em jejum;
  • usar salivas artificiais, se o problema for xerostomia (boca seca), causada por algumas doenças reumatológicas e diabetes;
  • consumir frutas com propriedades adstringentes, como maçã, limão, abacaxi, laranja, caju, caqui, por exemplo, que ajudam na limpeza dos resíduos da boca.

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