Nem todos os homens querem mulheres belas, recatadas e do lar

Ana Paula Cardoso
A Revista da Mulher fez uma enquete para saber a opinião dos homens sobre o estereótipo feminino, após publicação na imprensa do perfil de Marcela Temer, mulher do atual vice-presidente do país

Os homens não se contentam com as 'belas, recatadas e do lar'.


Há cerca de uma semana, mais uma polêmica envolvendo o machismo ganhou foco nas redes sociais. A revista semanal Veja (editora Abril) publicou um artigo com o perfil de Marcela Temer, casada com o vice-presidente Michel Temer. Marcela foi apresentada pela revista como uma mulher bela, recatada e ‘do lar’.

O movimento feminista reagiu prontamente, usando as rede sociais para repudiar o teor do texto, considerado tendencioso e machista, ao enaltecer qualidades reducionistas do papel feminino. Os termos usados pela publicação logo viraram a hastag mais usada no top trend do dia. 

Em meio ao calor das discussões, A Revista da Mulher foi ouvir os homens para saber se o ideal de perfeição para eles seria mesmo o de uma mulher bela, recatada e do lar.  A enquete foi feita com cerca de 40 homens, entre 26 e 55 anos. 

Não se trata de nenhum estudo científico, apenas  uma enquete feita com homens dentro de um perfil em paridade com a média das leitoras da revista: escolaridade superior, idade de 25 a 45 anos, da região sudeste do Brasil. 

Dos homens que responderam à enquete,  100% rejeita o estigma de bela, recatada e do lar como ideal de mulher para o relacionamento. Veja a seguir o que os homens pensam.

Contra a herança machista

“Em país de herança cultural patriarcal, que abriga cerca de 95 milhões de homens,  o machismo ainda é estrutural, afetando homens e mulheres. 
Há muitos brasileiros que ainda esperam uma 'Amélia' moderna em casa. No meu caso, não espero que minha mulher seja 'bela, recatada e do lar'. Espero que as mulheres sejam o que queiram ser, sem sufocar o próprio comportamento na busca por agradar supostos ideais masculinos. Com certeza vão encontrar um parceiro ou parceira que as aprecie exatamente do modo como são”, Guilherme Valadares, fundador e editor-chefe do portal papodehomem.com.br, 31 anos.

Marcela Temer, ao lado do marido, Michel Temer. foi o pivô das discussões em torno das mulheres 'belas, recatadas e do lar'.


“'A mulher bela, recatada e do lar’ era a preferência/exigência da geração do meu pai, que tinha a obrigação de ser o provedor da casa enquanto à mulher cabia cuidar dos filhos e de todas as tarefas domésticas, estando bela quando do seu retorno do trabalho, recatada aos olhos da vizinhança e obrigatoriamente do lar para a sociedade. Definitivamente este padrão não me atrai. É bem melhor conviver com uma mulher parceira que, em geral rala mais do que você pra manter a casa (por mais as tarefas sejam divididas, reconheço que mulheres trabalham mais em casa). E ainda consegue manter-se bonita e atraente. Acho que este é o meu ideal. Ah, e é fundamental que goste (muito) de sexo”, Marcelo Gomes, 40 anos, arquiteto.

“Acho que a mulher bela, recatada e do lar foi um mito construído pelo protagonismo masculino no correr dos séculos. Mas, no fundo, talvez jamais tenha existido. Porque, em algum momento, a "bela e do lar", impedida às vezes por ela mesma de trabalhar ou de estudar, deixou de ser "recatada" nesse sentido que se quer dar agora. Mulher assim não existe mais nem em novela. Só de época. Eu busco mesmo é uma mulher bela e independente, e que me faça alegre e que eu a faça alegre. Acho que é isso”, Marceu Vieira, 54 jornalista, cronista e músico.

Recatada, do lar e desinteressante

“Não me interessaria este tipo, bela, recatada e do lar, até porque a mulher que trabalha é muito mais interessante. As pessoas livres e independentes são mais interessante, são mais ‘gente’ mesmo. Seja homem, seja mulher. Logo, não é meu ideal ter um poste em casa, mesmo que seja bonito”, Marcos André Tavares, 46 anos, advogado.

“A mulher ‘bela, recatada e do lar’, não é o meu ideal de mulher. Convivo numa família de mulheres independentes, corajosas e que, com muita força, iniciaram muito cedo no mercado de trabalho e nos estudos. Esse tipo de definição é um atraso, retrocesso, não combina com a mulher contemporânea, independente, que leva o filho na escola, trabalha, estuda, namora, sai com as amigas e ainda chega em casa para cuidar dos filhos e da casa. É uma ofensa esse título, é jogar a mulher debaixo do tapete.  Não é o meu ideal!”, Luís Delcides Silva, 40 anos, produtor cultural.

“Não, não é meu ideal. Porque este tipo ‘bela, recatada e do lar’ implica em uma construção hierarquizada de papéis dentro da relação, com o homem sendo o destaque. Acredito que uma relação deva ser um espaço de crescimento, de liberdade e de troca, com as duas pessoas envolvidas em condições iguais”, Jorge Ayer, músico e maestro.

“Definitivamente não é meu ideal. Melhor que seja bela, depravada e noir. Nada contra o estilo de vida da senhora Temer e de muitas mulheres de bem, mas eu nunca busquei isso”, Marcelo Alves, repórter esportivo, 31 anos. 

Pela liberdade de escolhas, sem estigmas

“Não tenho um ideal  de mulher. O que eu prezo que a pessoa que esteja ao meu lado seja uma companheira. E ser companheira é questionar, é debater, é instigar. Uma mulher pode ter até como opção cuidar da casa e dos filhos, não há problema algum nisso, mas isso jamais pode ser um ideal ou um padrão a ser seguido. Aqui em casa sou eu que cozinho, por exemplo. Ela arruma a casa. As contas pagamos conforme a ‘entrada’ de grana de cada um. Sabemos que como casal, temos que unir forças e brigar pra que possamos ser cada vez melhores”, Marcos França, ator, 45 anos.

“A referência que eu tenho de infância é a minha mãe que era do lar, e para mim foi muito bom, mas passei a infância ouvindo ela reclamar que queria trabalhar, em vez de ficar em casa.  Hoje sou casado com uma mulher que trabalha, provém a maior parte do orçamento aqui de casa, chega em casa depois de mim, então,  eu pego minha filha na escola, dou banho, dou jantar e entrego pronta para dormir. Cada um que  viva da maneira que quiser, mas preparo minhas filhas para serem independentes“,  Ronaldo Mariano Júnior, 35 anos, militar.

“Para mim tanto faz ser recatada e do lar ou não, o que interessa é gostar da pessoa e ter a ‘química’. Bela todas as que a gente gosta são (quem ama o feio, bonito lhe parece). Acho que no fundo acaba sendo melhor, pelo menos para mim, a mulher que trabalha fora e tem sua vida profissional independente, porque ela tem um universo de informações e relacionamentos pessoais mais amplos. Isso ajuda muito o casal. Uma mulher independente tem mais coisas para trocar comigo, principalmente nas conversas”, Eduardo Refkalefsky, publicitário e professor universitário, 48 anos.

Copyright fotos: iStock e AGnews

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1 comentário

Olá quero saber o nome do modelo dando língua ou o Instagram dele por favor me respondan