Amizade colorida: uma versão light do namoro

Ana Paula Cardoso
Também chamados de sex friends, os casais praticantes da amizade colorida procuram uma forma mais leve de relacionamento
 
A amizade colorida pode ser uma boa forma de começar um relacionamento, de forma leve. © iStockphoto.com/domoyega

 

"Então está combinado, é quase nada, é tudo somente sexo e amizade", são os versos da música Tá Combinado, composição de Caetano Veloso, imortalizada na bela voz de Maria Betânia. A abertura da canção também sintetiza o que se convencionou chamar de amizade colorida, uma espécie de relacionamento "não-oficial" que mistura a cumplicidade de uma amizade com a atração sexual colocada em prática.
 
A expressão ganhou força nos anos 1980, quando inclusive havia um seriado de TV chamado Amizade Colorida (Rede Globo), protagonizado pelo ator Antonio Fagundes.  "De lá até aqui, muita coisa mudou nas formas de relacionamento. Mas se há um motivo para a amizade colorida permanecer é por ter se tornado uma alternativa entre o 'ficar', de uma noite só, e o momento em que o relacionamento se torna sério", ilustra a psicóloga Isabela Rosa.
 
Neste tipo de relação, a leveza costuma ser a palavra de ordem. Esta forma de ligação amorosa, caracterizada por uma vivência sem cobranças, nem excessos de brigas ou pausas frequentes para discutir a relação, pode até parecer uma utopia. 
 
Mas, na opinião de especialistas, os medos em avançar ou recomeçar uma nova história de amor fazem deste tipo de relacionamento uma espécie de 'entrada' no menu, antes do prato principal. "Sabe quando botamos primeiro o pé na água antes de cair no mar, para ir se acostumando com a temperatura? A amizade colorida cumpre bem essa função", brinca Isabela.
 

E se o amor chegar?

Um dos aspectos mais importantes a ser considerado por quem pratica a chamada amizade colorida é a clareza da relação. "Não tem sentido uma história de afetividade e sexo que prima pela amizade escorregar, justamente, naquilo que os casais convencionais não administram bem: a abertura para colocar todos os sentimentos para fora e 'jogar aberto'", reforça a psicóloga.
 
Em outras palavras, a especialista ratifica o quanto amigos valorizam a sinceridade um com o outro. Então, caso um dos envolvidos comece a sentir vontade de avançar para um relacionamento mais sério - como namoro ou casamento - é preciso falar.
 
A armadilha mais comum que os amigos coloridos podem cair é justamente essa: a tentativa de se enganar. Caso comecem a identificar indícios de mudanças, como sentir ciúmes por exemplo, é hora de pensar 'se o amor já está, há muito tempo que chegou', como diz a música do Caetano.
 
"Ser capaz de empreender esse desafio no auge da nossa evolução humana exige não repetirmos os filmes repletos de medo, conflito, insegurança e dor registrados em nossas histórias de vida. Esse é o caminho da experiência de passar de um estágio ao outro", encoraja Camila Aloísio Alves, psicóloga e professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis.
 
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