Sua mãe não gostou de seu namorado, e agora? 

Ana Paula Cardoso

Quando os pais implicam com o parceiro: saiba até que ponto devemos ouvir e até que ponto deve-se ignorar essa implicância 

Quando pais não aprovam o namoro casais até podem se fortalecer.

 

Quando um namoro começa e o casal decide seguir em um relacionamento amoroso, o próximo passo costuma ser apresentar o(a) companheiro(a) aos amigos e à família(a). É natural que ambas as partes criem expectativas e fiquem até nervosos para este verdadeiro 'rito de passagem'. Porém, quando os pais não gostam do namorado, o que fazer?

Lidar com a sogra ou sogro sempre parece difícil, mas nem tudo está perdido. Segundo especialistas, as desavenças entre os cônjuges e seus respectivos sogros podem até mesmo fortalecer a relação. "Quando a família não aprova o relacionamento, o casal sente-se sozinho e precisa por em cheque se aquela relação tem fundamentos sólidos para continuar", conta a psicóloga Isabela Rosa.

Foi o que aconteceu com a engenheira Rosana Rolembrg. Ela conheceu o atual marido, Inácio Camargo quando ainda estava no início da faculdade. "Eu sou negra e ele branco. Isso em 1989 era muito mais difícil, minha família não aceitava, achava que ele não iria me levar a sério e nem segurar todo o preconceito que poderíamos enfrentar. Em vez de cedermos, parece que aquilo nos fortaleceu e ficamos ainda mais unidos", conta a engenheira.


Como lidar com a rejeição da família ao namoro

Primeiro é preciso lidar com a questão e tentar entender os motivos que levaram aos pais a não aprovarem o namoro dos filhos. "No caso da engenheira, a rejeição era baseada num receio de que a filha sofresse preconceito. Então, os filhos não devem tomar a implicância com os namorados como algo ruim de imediato", observa a terapeuta de família Helena Monteiro. 

Para Helena, o instinto de proteção por vezes vêm em formas tortas e por isso o diálogo é fundamental. "Mas a conversa deve solicitar dos pais fatos concretos que justifiquem a rejeição ao namorado. Por vezes os pais têm razão, outras eles têm apenas medo que os filhos sofram", completa a terapeuta.

Para os especialistas, se o namorado não é nenhum um fora da lei e nem alguém com desvio de caráter - e também não se trata de um relacionamento com alguém casado - , o passo seguinte é a aceitação. Num relacionamento, e isso estende-se aos amigos e família em torno, é preciso compreender que existem diferenças. 

"Ninguém precisa mudar a si mesmo - ou mudar de parceiro - pelo fato de não agradar o outro. O mais importante é não entrar em atrito com os pais por causa do namorado e nem com o namorado por causa dos pais.  Separe os papeis e deixe claro sua intenção de continuar o namoro, independentemente da aprovação dos pais ", diz a psicoterapeuta Helena Monteiro.

Para Isabela Rosa, também é preciso respeitar o tempo. "Pressupõe-se que nenhum pai ou mãe querem desavenças na família. Então, quando eles rejeitam a relação amorosa dos filhos ou estão vendo algo que os apaixonados não identificam, ou simplesmente não viram suas expectativas atendidas. Em ambos os casos, o tempo de cada um deverá ser respeitado", reforça a psicóloga.
 
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