Como blindar o casamento contra o divórcio

Ana Paula Cardoso

Número de divórcios no Brasil cresceu 160% nos últimos 10 anos. Mas manter uma casamento duradouro ainda é possível, garantem especialistas

Blindar o casamento contra o divórcio exige habilidade em resolver problemas. © iStock


E foram felizes para sempre é o final feliz que todos esperam. Mas a vida, rotina e até mesmo a liberdade e a facilidade de recorrer à Justiça acabam favorecendo um grande número de casamentos desfeitos. Mas será possível proteger o casamento contra o divórcio?

Segundo o dado nacional mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 2015, o número de divórcios ao ano passou de 130,5 mil, em 2004, para 341,1 mil, em 2014. Um aumento de 160% em 10 anos.

No relatório analístico que acompanha os dados numéricos, o IBGE informa ainda que o aumento da incidência de divórcios indica uma gradual mudança de comportamento da sociedade brasileira.

“A sociedade brasileira passou a aceitá-lo (o divórcio) com maior naturalidade e a acessar os serviços de Justiça de modo a formalizar as dissoluções dos casamentos", informa a análise do IBGE.

Tentar evitar o divórcio é uma arte

Sem dúvida existe um lado positivo desta aceitação do divórcio. Ninguém mais está “condenado” a permanecer em uma relação que não o faz feliz.  Ao mesmo tempo, não se pode deixar de lado o sonho de todo casal de ficar juntos, celebrando muitas bodas de casamento.

E pode ser até  que não se chegue a comemorar bodas de ouro, mas existem, segundo especialistas, algumas maneiras de blindar o casamento contra o divórcio

De acordo com Cristiane Cardoso, autora, junto com seu marido Renato Cardoso, do livro Casamento Blindado (Editora Thomas Nelson Brasil) viver feliz no casamento é uma arte — a arte de resolver problemas. 

“Quem é mais hábil em resolver problemas tem mais sucesso no casamento. Quem é menos, fracassa mais. Quem quer blindar seu casamento, deve começar com a decisão de se tornar um expert em resolver problemas”, dizem os autores. 

O livro acabou inspirando um programa na TV Record. Cristine e Renato ressaltam, porém, que não se deve confundir a resolução dos problemas com a exigência de que o parceiro mude. 

“O foco tem que ser resolver o conflito entre o casal, mudar a situação, e não lutar contra a outra pessoa”, diz o casal autor do livro, que não esconde a natureza religiosa da publicação. Os dois são evangélicos e Renato, inclusive, é pastor. 

Perdoar para não se divorciar

O assunto parece mesmo ser trepidante. Na contramão das estatísticas, a verdade é que ninguém quer se separar. Quando um casamento se desfaz, o sofrimento instaurado é uma das causas mais frequentes de depressão.

“A dor pelo fim do relacionamento amoroso é considerada uma das mais intensas, perdendo, no ranking de dores mais fortes, apenas para a perda de filhos, de pai e mãe e do cônjuge por morte", explica o psicanalista clínico, professor de psicanálise e escritor Miguel Velasco.

Não por acaso, outro livro, também de viés mais religioso, acaba de ser lançado. Trata-se  de Perdão Total no Casamento – Um livro para quem deseja uma união duradoura e feliz (Editora Mundo Cristão), escrito pelo teólogo Maurício Zágari.

Na obra, Zágari lança mão da teoria bíblica do perdão incondicional como base para ensinar aos casais não fórmulas mágicas, mas maneiras reais de como prevenir problemas conjugais e reconstruir relacionamentos em crise. Um exemplo, é a associação do erro a uma dívida financeira.

"A melhor forma de entender o perdão é como o cancelamento de uma dívida. Quando alguém erra com você, ele se torna seu devedor. Há uma dívida moral a ser paga. Se você perdoa essa pessoa, está dizendo a ela: 'você não me deve mais absolutamente nada'", diz o autor.

Terapia de casal antes do divórcio

À luz da psicologia, a maneira de entender o perdão como um ato pelo qual a pessoa que errou é desobrigada a cumprir "uma pena" também é considerada eficaz. Afinal, quando o erro foi perdoado, ele não pode virar um "fantasma" a assombrar o relacionamento e vindo à tona em cada briga de casal.

"Uma das maiores dificuldades é o perdão verdadeiro. Perdoar é livrar-se, passar uma borracha e lidar com aquilo como se não tivesse acontecido. É começar do zero", endossa a psicóloga especializada em terapia de casal e de família, Helena Monteiro. 

Como perdoar de verdade é um processo difícil, tanto Helena quanto o psicanalista Miguel Velasco recomendam a terapia de casal antes de se decidir pelo divórcio.

E segue a esperança de que o “para sempre” nem sempre acaba...

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