Vale a pena ter um caso amoroso com o vizinho?

Ana Paula Cardoso

Conheça as dores e as delícias de levar para a cama a política da boa vizinhança

Quando o vizinho é sexy, difícil resistir a um romance. © iStockphoto.com/jacoblund


Quando o pecado mora ao lado, difícil não sucumbir à tentação. E se o ditado popular "onde se ganha o pão não se come a carne" nos alerta sobre os riscos de desenvolver uma relação amorosa com alguém do trabalho, em se tratando de paquera entre vizinhos parece não haver nenhum impedimento. Mas será mesmo tão simples ter um romance com o vizinho?

Não chega-se a encontrar tratados sobre este tipo de relação, mas algumas pessoas que já viveram isso precisaram de um tempo, depois que a relação chegou ao fim, para "administrar" o fato de ter que encontrar, por exemplo, o ex no elevador quando o coração ainda está partido.

Mas, segundo especialistas, não é razoável dizer se uma relação deve ou não começar, medindo as possíveis questões que virão à tona após seu fim. Para alguns pode ser mais difícil lidar com o fato de a pessoa, quando vira ex, morar perto. Para outros, nem tanto. 

"Ninguém deve entrar numa relação pensando no fim. Porque qualquer relação amorosa, mesmo casual, implica em riscos, independente do endereço", lembra  a psicóloga e terapeuta de casais Helena Monteiro.

Amor à curta distância

O fato é que o amor - ou a atração sexual - nem sempre tem hora e tampouco respeita o CEP. Afinal, se existem milhares de casais que conseguem engrenar um namoro à distância, por que vizinhos não poderiam se apaixonar? Foi o que aconteceu com professora Alexandra e o químico Alexandre Gonçalves.

Ela se mudou para um prédio no Rio de Janeiro quando seu atual marido já morava lá. Os dois já tinham o mesmo sobrenome e a única diferença eram as letras "a" e "e" no fim de cada um dos nomes. O porteiro enganou-se e Alexandre acabou abrindo uma correspondência daquela que viria a ser a sua amada.

"Era o resultado de uma biópsia e eu fiquei muito sem-graça de ter aberto o envelope. Eu não tinha ideia de como ela era, só queria pedir desculpas e desfazer o engano", conta Alexandre. Ao bater na casa da vizinha, o clima ficou logo evidente.

"Tratava-se de um resultado muito importante, eu estava tensa. E ele já começou, na porta mesmo a dizer que era meu vizinho do 10º andar e que eu ficasse tranquila pois meu exame teve um resultado positivo. Depois de tudo esclarecido, achei o jeito dele divertido e não tive como não convidá-lo para entrar e tomar um café. O namoro começou na semana seguinte", conta Alexandra.

Nem todo vizinho vira príncipe

Já com a designer gráfica Flora Roberto, o romance com o novo vizinho gato não terminou tão bem. Como ela trabalhava em casa, acabou ajudando o novo morador do apartamento ao lado durante as duas primeiras semanas. Entre a instalação do moço na nova casa, Flora emprestou telefone, wifi da internet e até banho o rapaz tomou na casa dela.

A atração mútua acabou levando os dois para a cama. "Depois acabei sabendo que ele estava saindo de um casamento de oito anos e tudo que ele não queria era uma relação séria. Mas eu já estava sozinha havia um tempo e acabei me iludindo que o príncipe encantado tinha vindo bater na minha porta. Literalmente", conta a designer.

Em pouco tempo, Flora já estava escutando vozes femininas na casa do ex que continuava seu vizinho. "Foi doloroso, mas não me arrependo. Atualmente já não tem mais a mágoa e mantemos a política da boa vizinhança, mas não de forma tão íntima", brinca.

Dicas para não errar ao sair com vizinhos

De acordo com a psicóloga Helena Monteiro, não é possível estabelecer regras específicas para reger um caso amoroso entre vizinhos. Mas vale lembrar algumas dicas de etiqueta de relacionamento, que servem para todos os tipos de casal:

  • não é porque moram do lado que a sua casa é dele ou vice-versa. Uma casa só vira dos dois depois que decidiram viver juntos. Antes, respeitar a hora de ir, avisar antes e outras regras básicas não devem ser deixadas de lado;
  • caso o amor chegue ao fim, nada de sumiço! Para manter a boa vizinhança, mesmo quando o romance não dá certo, oficializar o término vai evitar surpresas desagradáveis, principalmente no caso de um novo amor começar a  frequentar a sua casa; 
  • no início, tentem não expor a relação entre os outros vizinhos. Ninguém precisa ficar sabendo enquanto a relação ainda não é séria. Isso evita fofocas ou especulações da parte de outras pessoas que moram no mesmo local;
  • procurem saber um pouco das expectativas um do outro nas primeiras conversas. "Entender se um busca sexo casual, enquanto outro busca casamento, ajuda a evitar ilusões. Claro que as relações podem se transformar, mas entrar nelas sem expectativas equivocadas é o ideal. Sendo vizinhos ou morando a quilômetros de distância", conclui a psicóloga.

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